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Cléber Xavier, o técnico número 2 da seleção brasileira

Ex-espião, auxiliar de Tite há 17 anos ganha exposição na seleção

Por Tiago Leme, de Berlim Atualizado em 28 set 2021, 21h47 - Publicado em 2 abr 2018, 16h42

Em 2001, Cléber Xavier, atual auxiliar da seleção brasileira, foi flagrado e expulso por seguranças do Parque São Jorge quando espionava um treinamento do Corinthians de Vanderlei Luxemburgo, às vésperas da final da Copa do Brasil. Naquela época, ele estava começando a sua trajetória na comissão técnica do time profissional do Grêmio, recém-promovido para trabalhar com Tite, que tinha chegado ao clube gaúcho no início do ano.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

Agora, após dezessete anos de parceria, Cléber não se esconde mais. Ao contrário, está cada vez mais exposto. Sentado ao lado de Tite nas últimas entrevistas coletivas do Brasil, o fiel escudeiro do treinador ganha mais holofotes e usa as palavras para mostrar o seu trabalho vitorioso, que ficava longe dos olhos dos mais interessados.

Foi de Tite a ideia de levar Cléber para as entrevistas da seleção. Nos últimos dias, nos amistosos contra Rússia e Alemanha, coube ao auxiliar responder a diversas perguntas, demonstrando profundo conhecimento para fazer desde uma análise de jogadores específicos e esquema tático dos adversários, passando pela explicação sobre os atletas brasileiros que podem ser convocados para a Copa do Mundo de 2018, até ajudando na pronúncia de nomes estrangeiros mais complicados.

“Sigo o relator”, disse Tite, logo após Cléber responder a uma questão em Berlim, que tinha sido inicialmente direcionada a ele. “Estou esperando uma pergunta, um gancho, para largar para o Cléber, mas essa é muito pessoal”, falou Tite pouco depois, quando mais uma vez tentava dar voz ao auxiliar.

“Por trás de um grande técnico, de um grande trabalho, existe uma grande equipe. Quando o Cléber está aqui na mesa de entrevista, ele representa o Fernando Lázaro, o Matheus Bachi, o Sylvinho, o Thomaz Araújo, o Maurício Dulac, uma série de componentes da comissão técnica que trabalha bola parada, interpreta números. As pessoas às vezes não têm a dimensão de quanto o trabalho no futebol evoluiu. Qual é o simbolismo disso? Trabalho de equipe”, disse Tite, ao comentar sobre a “nova função” de Cléber nas entrevistas.

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O lado brincalhão da comissão técnica

Braço-direito de Tite, Clebinho ou professor Cléber, como costuma ser chamado, é até mais do que um auxiliar atualmente. Ele pode ser considerado um segundo treinador da seleção. Mas com outro perfil: enquanto Tite é sério e discreto, Cléber é extremamente bem-humorado, o piadista da comissão. Bastante ativo nas instruções aos jogadores nos treinamentos, fora de campo ele é agitado, bem mais extrovertido e aberto que o seu parceiro de trabalho. E, por ter uma comunicação fácil e direta, tem ótimo relacionamento com os jogadores.

Apesar da palavra final ser de Tite, Cléber Xavier tem muito peso e divide muitas tomadas de decisões.“O Tite não centraliza. Ele amplia e tira o máximo de cada um, de todos os membros da comissão nas suas áreas, física, técnica, tática, de análise. E o que ele fala é verdade, valoriza por ser verdade”, disse Cléber.

Aos 53 anos, Cléber Márcio Serpa Xavier é gaúcho da cidade de Alegrete e tem trinta anos de carreira no futebol. Formado em educação física, começou nas categorias de base do Internacional, passou por Bragantino e estava há seis anos na base do Grêmio, quando foi chamado para trabalhar com Tite no começo de 2001. A partir daí, acompanhou o treinador por São Caetano, Corinthians, Atlético-MG, Palmeiras, Al Ain (Emirados Árabes), Internacional, Bahia, Al Wahda (Emirados Árabes) e Corinthians novamente. O sucesso no Corinthians levou Tite à seleção em 2016, e junto com ele boa parte da comissão técnica, incluindo, claro, Cléber.

A parceria de mais de dezessete anos pode ser uma arma fundamental para o Brasil na busca do hexacampeonato mundial na Rússia. Para isso, Cléber segue seu incansável e minucioso trabalho de análise de adversários, integração com os departamentos médico, físico, de fisioterapia, fisiologia, e também nas partes técnica, tática e motivacional, tudo isso hoje em dia contando com a tecnologia a seu favor. Até por ser mais conhecido atualmente, o auxiliar técnico da seleção deixou no passado a sua função de espião, e admite que gosta da visibilidade e da valorização que está ganhando. Mas, assim como Tite, prefere destacar que apenas o trabalho em grupo pode levar a bons resultados.

“Não tem como negar que fico feliz com a valorização do meu trabalho, o que valoriza a equipe de trabalho. De repente, os outros são mais tímidos, não têm a desenvoltura que tenho para falar e acabam não indo para as entrevistas. Eu me sinto feliz, e valorizando também o grupo de trabalho.”

Fábio Mahseredjian, Renato Augusto, Cléber Xavier, Paulinho e Gil no CT do Palmeiras Ricardo Stuckert/CBF/Divulgação
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