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As lembranças que ficam

Não vou esquecer do gol contra de Marcelo, onze minutos depois de iniciada a 20ª Copa do Mundo. Pensou-se que fosse um acidente, um acidente e nada mais, aqui nos nossos umbrais. Mas infelizmente era um presságio, como se o corvo de Edgar Allan Poe nos dissesse: “Nunca mais”. Leia também: Alemanha marca no final […]

Por Carlos Maranhão Atualizado em 6 out 2021, 14h08 - Publicado em 14 jul 2014, 09h43

Não vou esquecer do gol contra de Marcelo, onze minutos depois de iniciada a 20ª Copa do Mundo. Pensou-se que fosse um acidente, um acidente e nada mais, aqui nos nossos umbrais. Mas infelizmente era um presságio, como se o corvo de Edgar Allan Poe nos dissesse: “Nunca mais”.

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Não vou esquecer do primeiro pênalti encenado pela seleção brasileira. Foi sem dúvida – para quem acredita em futebol de resultados – o melhor momento de Fred no Mundial.

Nos jogos seguintes, alguns de seus companheiros tentariam cavar outros, como se essa fosse uma das estratégias da equipe para chegar ao gol.

Não vou esquecer que Felipão criou teorias conspiratórias, antecipando seu repertório de explicações pífias, arrogantes, toscas para o fracasso: os árbitros apitariam contra o Brasil, até porque a Fifa não queria ver nosso hexa.

Não vou esquecer do sufoco mexicano e dos sustos que os camaroneses nos deram.

Mas vou lembrar dos quatro gols de Neymar, todos marcados na fase de grupos.

Não vou esquecer do travessão que não permitiu, praticamente no fim da prorrogação contra o Chile, a eliminação já nas oitavas.

Nem do berreiro fora de hora.

Nem das duas defesas de Júlio César.

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Vou lembrar do ótimo primeiro tempo no jogo com a Colômbia, dando-nos esperanças de que o escrete evoluiria durante a competição para reencontrar o futebol perdido em algum lugar do passado. Acabou por ali e não voltou.

Não vou esquecer do 8 de julho no Mineirão, dos sete gols, aliás, dos dez gols em quatro dias, mas chega disso agora – temos o futuro inteiro pela frente para conviver com o pesadelo.

Prefiro lembrar da mordida.

Do peixinho de Van Persie.

Do Ochoa, do Neuer, do Navas, do Howard, do Romero, de todos os fantásticos goleiros que nos arrepiaram com suas defesas.

Ah, do Krul.

Além do Neuer, lembrarei de Höwedes, Hummels, Khedira, Schweinsteiger, Özil, Klose, Müller, Lahm, Kroos, Boateng, Schürrle.

E dele, Mario Götze.

Além do Romero, lembrarei de Garay, Zabaleta, Biglia, Pérez, Higuaín, Mascherano, Demichelis, Rojo, Lavezzi, Di María.

E dele, Messi.

Do Robben, de James Rodríguez.

Da Costa Rica.

Do Chile, da Colômbia.

E da lição que Alemanha e Argentina

nos deram. Seus jogadores souberam

ganhar. Souberam perder. Com dignidade, sem choradeira infantil. Como adultos que, esperamos, os atletas brasileiros também serão em 2018.

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