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Apesar de flexibilização, COI reafirma que pódio não é lugar de política

Presidente da entidade, Thomas Bach, alertou que atletas podem ser punidos por gestos ou declarações que contrariem a chamada Regra 50 em Tóquio

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 18h47 - Publicado em 16 jul 2021, 16h23

Os Jogos Olímpicos de Tóquio começam daqui uma semana, com um ano de atraso e sem presença de público em razão da pandemia do novo coronavírus. Haverá outra mudança, uma flexibilização na chamada Regra 50 da Carta Olímpica, que proibia qualquer manifestação política. O afrouxamento, no entanto, é ligeiro. Nesta sexta-feira, 16, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, reafirmou que atletas não devem expressar opiniões ou fazer gestos políticos durante os eventos, especialmente nas premiações no pódio.

Após meses de consultas a sua Comissão de Atletas, o COI decidiu permitir que atletas façam possam se manifestar politicamente em suas redes sociais e entrevistas coletivas, além de pequenos gestos durante as provas, que não atrasem o andamento das disputas ou desrespeite algum adversário (algo bastante subjetivo). No entanto, ainda há enormes restrições e risco de sanções.

“O pódio e as cerimônias de medalha não são feitas para uma manifestação política ou outra. Ele é feito para homenagear os atletas e os vencedores de medalhas por conquistas esportivas e não por suas visões particulares”, afirmou Bach, ex-medalhista de esgrima pela Alemanha, ao jornal Financial Times. 

“A missão é ter o mundo inteiro junto em um lugar e competindo pacificamente um com o outro. Isto você nunca conseguiria se os Jogos se tornassem polarizadores”, completou o dirigente. A missão de coibir manifestações se torna especialmente desafiadora no cenário atual. Atletas de diversos esportes têm demonstrando apoio a causas como o Black Lives Matter, que combate o racismo.

Na Eurocopa de futebol, diversos times e até árbitros ajoelharam antes das partidas, com o apoio da Uefa. Uma das estrelas dos Jogos de Tóquio, a tenista japonesa Naomi Osaka é uma das esportistas mais ativas no combate ao preconceito. No ano passado, ela vestiu máscaras com nomes de vítimas de violência policial durante o US Open, do qual foi campeão. Gestos do tipo não serão tolerados na Olimpíada.

ETERNO - O punho cerrado em 1968 (no centro) e agora: o reconhecimento depois de cinco décadas -
O punho cerrado de Smith em 1968 (no centro) e agora Divulgação/PUMA; Bettmann/Getty Images

A história dos Jogos registra diversas infrações à Regra 50. A mais memorável delas ocorreu nos Jogos do México de 1968, quando os velocistas negros americanos Tommie Smith e John Carlos abaixaram a cabeça e ergueram os punhos direitos durante o hino nacional, em protesto contra a desigualdade racial, um gesto ligado ao movimento Panteras Negras. A dupla acabou expulsa do evento. Em recente entrevista a VEJA, Smith relembrou o episódio.

Minha vida inteira depois daquela noite foi lutar contra o engano das pessoas que consideraram o gesto como militância”, disse Smith, de 76 anos. “A cabeça baixa não era um desrespeito à bandeira dos Estados Unidos, mas um pedido de proteção. Foi um apelo por união e liberdade.” Na Rio-2016, também houve manifestação: o maratonista etíope Feyisa Lilesa ergueu os braços e cruzou os pulsos ao atravessar a linha de chegada para mostrar apoio aos protestos de sua tribo oromo contra planos do governo para realocar terras de cultivo. Acabou perdoado tanto pelo COI quando pela federação local. Os Jogos de Tóquio vão de 23 de julho a 8 de agosto.

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