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A decolagem de Mbappé

Em jogo nas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia, o atacante rasgou o gramado a 37 quilômetros por hora. Depois do lance, alçou voo rumo ao estrelato

Por Alexandre Senechal 21 dez 2018, 07h00

Para bater o recorde mundial dos 100 metros rasos, em 2009, o jamaicano Usain Bolt percorreu a pista do Estádio Olímpico de Berlim em 9 segundos e 58 centésimos. No ápice de sua corrida, Bolt atingiu impressionantes 44 quilômetros por hora. Aposentado das pistas desde o ano passado, o jamaicano tenta agora a sorte no futebol. Correndo com uma bola nos pés, Bolt ainda não conseguiu repetir um pique tão veloz quanto aquele que lhe rendeu o título de homem mais rápido do planeta. Nessa “modalidade” particular, o recordista é outro: Kylian Mbappé, de 20 anos recém-completados. No jogo contra a Argentina, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia, o atacante francês rasgou o gramado da arena em Kazan a impressionantes 37 quilômetros horários. Só foi freado com falta, pelo zagueiro Marcos Rojo, o que originou o pênalti que abriu o placar para os franceses na vitória por 4 a 3. Depois desse lance, Mbappé alçou voo rumo ao estrelato.

O menino da periferia parisiense que sonhava ser Cristiano Ronaldo alcançou um feito que o craque português não conseguiu: levantar a taça de campeão do mundo. Fez isso mal saído da adolescência, o que levou muita gente a compará-lo a Pelé. Na pragmática seleção da França comandada pelo técnico Didier Deschamps, Mbappé foi o grande astro. O protagonismo lhe rendeu ainda a quarta colocação na eleição organizada pela Federação Internacional de Futebol para premiar o melhor jogador do mundo de 2018, deixando para trás nomes consagrados, como Neymar, companheiro do Paris Saint-Germain. O vencedor do prêmio da Fifa foi o croata Luka Modric, derrotado por Mbappé na grande decisão da Copa. Não há, porém, um lance emblemático de Modric que virá à memória quando recordarmos, no futuro, o Mundial de 2018. Do craque francês, haverá vários, sempre rapidíssimos, com um sorriso no rosto.

Publicado em VEJA de 26 de dezembro de 2018, edição nº 2614

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