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Dinizismo em alta: técnico diz que evoluiu, mas sem perder a essência

Vítima de exageros (para o bem e para o mal) e elogiado até por Neymar por seu jogo ofensivo, Fernando Diniz celebra boa fase no Fluminense

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 13 jul 2022, 15h21 - Publicado em 13 jul 2022, 14h56

A premissa por um futebol em que todos constroem jogadas incluindo o goleiro é uma tendência mundial, que está presente nos times mais vitoriosos mundo afora. No Brasil ainda há certa resistência a esta ideia, muito em razão de seu principal adepto, Fernando Diniz. Amado e odiado na mesma medida, o “Dinizismo” está novamente em alta. Em sua segunda passagem pelo Fluminense, clube pelo qual também atuou como atleta, o técnico de 48 anos vive grande fase: está nas quartas de final da Copa do Brasil e briga pela ponta do Campeonato Brasileiro.

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A boa fase do treinador fez, inclusive, um ilustre admirador se revelar nesta quarta-feira, 13, um dia depois do triunfo por 3 a 0 sobre o Cruzeiro no Mineirão. Direto de Paris, Neymar publicou em seu Twitter um elogio rasgado que movimentou as redes. “Gosto muito do Diniz como treinador, uma pena que no Brasil não dão tempo suficiente”, exclamou o craque da seleção brasileira e do PSG.

Em evidência desde que levou o modesto Osasco Audax à final do Campeonato Paulista de 2016, Diniz é alçado ao céu ou ao inferno, sempre de forma rápida. O técnico que abusa de toques curtos na defesa, para assim atrair o rival e utilizar do espaço deixado, em razão da marcação alta, é, indiscutivelmente, um dos mais ofensivos do país. A aparente virtude, no entanto, em muitos de seus trabalhos, não representou equilíbrio entre as fases do jogo, tornando a equipe defensivamente frágil.

Depois da categórica vitória no Mineirão pela Copa do Brasil, Diniz respondeu em coletiva de imprensa sobre a consolidação defensiva do Tricolor. O técnico disse que, para um time ser sólido, todos precisam ajudar na recomposição. E, assim, elogiou os jogadores de ataque do atual Fluminense: Germán Cano, Paulo Henrique Ganso, Matheus Martins e John Arias.

A tentativa de mitigar a fragilidade defensiva vem funcionando nas Laranjeiras. Em 18 jogos, foram 14 gols sofridos, o que representa a melhor média de sua carreira: 0,78 gols sofridos por partida. A crescente atrás não coibiu a força de ataque e, até o momento, o Fluminense de Diniz venceu 66,6% (12) dos compromissos, o que também é o percentual mais alto da história do técnico.

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O retrospecto, porém, é motivo de receio. Em seus últimos trabalhos, Diniz começou empolgando, mas apresentou queda de aproveitamento vertiginosa na metade final. Foi assim quando treinou esteve no próprio Fluminense em 2019, no Athletico Paranaense e também no São Paulo, quando perdeu o título brasileiro de 2020 após conquistar larga vantagem, já na reta final da competição.

Fernando é querido pelos tricolores cariocas pela passagem de três anos atrás, que, apesar de não ter sido vitoriosa, deu minutagem a muitos jovens jogadores, que mais tarde renderam financeira e esportivamente, como João Pedro e Marcos Paulo. Em 2019, a campanha na Copa do Brasil terminou nas oitavas de final, após dois empates e a derrota nos pênaltis frente o Cruzeiro, rival que superou nesta semana.

Diniz, questionado sobre o que havia mudado em seu perfil para este ano, foi direto: “Essencialmente, não mudei nada. Isso aí vocês conseguem reconhecer no campo.” Na sequência, fez breve reflexão sobre o que é julgado em processos de treinadores no Brasil. “A gente tem uma dificuldade de reconhecer o que é bom e o que ganha. Não necessariamente o que ganha é bom. Eu prefiro aquilo que é bom, tem mais chance de ganhar.”

O treinador, que assume não ter abandonado o estilo ofensivo e vanguardista, no entanto, garantiu que, sim, evoluiu: “Sou o cara que mais me cobra e não é porque ganhou que está perfeito. A gente teve falhas hoje e nos últimos jogos. A gente vai pra casa e trabalha a melhora.” Ao relembrar a primeira passagem pelo clube verde, branco e grená, Diniz citou problemas que, segundo ele, impediram o sucesso e a continuidade.

“Muita gente que milita no futebol não sabe diferenciar os momentos. Acham que aquele time de 2019 tinha que produzir e ganhar como este. Mas aquele era um elenco que vivia com salários atrasados, muitos jovens e jogadores que estavam desacreditados em outros lugares. Então, se a gente tivesse mais seriedade e profundidade, era pra enaltecer aquela passagem”, disse.

“Porém, como a gente tem essa loucura, manda para a torcida e volta para a imprensa, interrompemos alguns bons trabalhos por conta da busca pelo resultado imediato. Imagina se aqueles garotos tivessem continuidade? A gente precisa pensar, porque embora o resultado seja importante, não deve ser a única análise. Isso faz mal para o futebol brasileiro”, concluiu.

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