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Aplausos, vaias e triunfo: o reencontro do ídolo Fábio com o Cruzeiro

Dispensado por Ronaldo, goleiro de 41 anos voltou ao Mineirão e foi importante na classificação do Fluminense às quartas da Copa do Brasil

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 13 jul 2022, 10h09 - Publicado em 13 jul 2022, 08h27

BELO HORIZONTE – Quando a CBF sorteou os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil, em 7 de junho, entre tantos clássicos, um jogo tinha um apelo especial. O duelo entre Cruzeiro e Fluminense gerou ansiedade pelo reencontro do goleiro Fábio com a torcida cruzeirense. O “casamento” de 17 anos e 976 partidas chegou ao fim no início deste ano por empecilhos contratuais, contra a vontade do veterano, que nesta terça-feira, 13, viveu uma doce vingança na classificação do tricolor com triunfo por 3 a 0.

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No estádio em que mais foi ovacionado durante a carreira, Fábio saiu classificado, mas desta vez com outra camisa. Ouviu reações diferentes das arquibancadas. Entre vaias e aplausos, justificou em campo que, aos 41 anos, ainda tem lenha para queimar, seja onde for.

Fim de uma longa relação

Fábio Deivson Lopes Maciel chegou ao Cruzeiro em 2005, vindo do Vasco. Desde então, venceu sete campeonatos mineiros, duas Copas do Brasil e dois Brasileiros. Ainda esteve no gol do time mineiro na final da Libertadores de 2009, amargou o rebaixamento em 2019 e os dois anos seguintes na Série B.

No final de 2021, o goleiro chegou a firmar renovação contratual com o Cruzeiro, mas a transição da gestão anterior para a SAF, em que Ronaldo Fenômeno é sócio majoritário, culminou no fim de uma longa história, em janeiro deste ano.

Fábio se manifestou com mágoa após a decisão. “Tentei com todo meu coração permanecer no Cruzeiro. Sempre fui transparente e vocês saberão a verdade agora.” O arqueiro ainda afirmou que aceitaria reduzir o salário para seguir e completou. “Com coração apertado, com lágrimas e dor, preciso aceitar que não contam comigo.”

Fábio deixou o Cruzeiro após 17 anos -
Fábio deixou o Cruzeiro após 17 anos – Bruno Haddad/Cruzeiro/Divulgação

Dias após o pronunciamento do goleiro, Ronaldo respondeu e expôs a versão do clube: “Todo esforço que a gente podia ter feito para manter o Fábio e oferecer a ele um período para ele se despedir da torcida, despedir da casa que foi sua, foi feito. Uma pena que não chegamos a esse acordo.” A lenda da seleção brasileira ainda afirmou que nenhum jogador é maior que o Cruzeiro.

Ele voltou, mas não estava de volta

Fora do Cruzeiro, o jogador se negou a pendurar as luvas e foi em busca de novos desafios. O destino foi o Fluminense, clube em que recebeu espaço e disputou as principais competições do cenário sul-americano. Com a camisa Tricolor, já fez 35 partidas, duas dela com gosto especial.

No Maracanã, em 23 de junho, foi a vez de Fábio defender o gol contra o Cruzeiro, pela primeira vez em 19 anos. O goleiro não enfrentava o time azul de Belo Horizonte desde 2003, quando estava no Vasco.

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A partida, que contou com maioria da torcida do Fluminense, terminou em 2 a 1 para os cariocas. A primeira parte do reencontro terminou com vantagem para o goleiro, mas a grande parte do episódio ficou justamente para o Mineirão, no jogo decisivo, que definiu o classificado para as quartas de final.

Roteiro de (anti) herói

Fábio reencontrou Mineirão, mas desta vez contra o Cruzeiro -
Fábio reencontrou Mineirão, mas desta vez contra o Cruzeiro – Marcelo Gonçalves / Fluminense/Divulgação

Mais de 58.000 pessoas estiveram no Mineirão para a partida e as arquibancadas acinzentadas foram pintadas por camisetas azuis. Mas antes mesmo de grande parte deste público chegar, Fábio subiu as escadas dos vestiários e pisou no gramado do estádio para trabalho de aquecimento.

A reação foi mista. Pequenas vaias, alguns aplausos, postos como coadjuvantes quando a torcida do Fluminense, provocativa, elegeu o goleiro como o “melhor do Brasil.” Bastou o ímpeto dos cariocas diminuir que a parte mandante do Mineirão homenageou Fábio com uma salva de palmas e o mesmo cântico dos tricolores.

Todo esse carinho durou pouco. Bastou Rafael Cabral, atual dono da meta cruzeirense, entrar para aquecer. Logo o nome de Fábio foi substituído e, para os cruzeirenses, o melhor goleiro do país passou a ser o que, hoje, defende as cores azul e branca. Entretanto, a maior mudança no tom das reações aconteceu quando o goleiro do Fluminense dominou a bola pela primeira vez. Naquele momento, só se ouviu vaia. E a situação se repetiu, até o apito final.

Mas, como o assunto central é o futebol, o mais importante aconteceu durante os 90 minutos. Ainda na primeira etapa, o Cruzeiro chegou com perigo ao gol Tricolor e só não abriu o marcador em razão de Fábio. O lance que podia mudar a lógica da partida parou no goleiro. Outras cinco finalizações cruzeirenses foram defendidas pelo camisa 12.

Quando o árbitro Raphael Claus assoprou o apito para encerrar o jogo e oficializar a classificação do Fluminense, o goleiro Fábio conseguiu mais uma noite de sucesso no Mineirão. Desta vez, no entanto, o símbolo não era o do Cruzeiro e o público não o ovacionava. Um dos últimos passos do goleiro nesta passagem terminou, inclusive, com uma atitude lamentável: um copo que voou na direção do ídolo. O experiente jogador imediatamente demonstrou insatisfação e gesticulou negativamente.

Fábio virou herói para o lado grená, verde e branco do Rio de Janeiro, mas foi anti-herói para aqueles que o acompanharam durante esmagadora parte da carreira. A análise da importância foi de Fernando Diniz, treinador do Fluminense, que, na coletiva de imprensa pós-jogo, exaltou seu líder: “Se foi vaiado, uma pena. Mas era um jogo simbólico e ele foi importante: fez defesas difíceis. Ele é gigante, um dos maiores goleiros da história do país. Merecia a classificação, o simbolismo do jogo.”

Capitão, ídolo, defensor de pênaltis e decisivo em 17 anos de Cruzeiro, Fábio pode nunca mais reencontrar o clube em que fez história. Aos 41 anos, o atleta tem contrato apenas até o fim deste ano, o que aumenta ainda mais o peso do duelo da última terça-feira.

A noite terminou com uma brincadeira do Fluminense nas redes social. “Obrigado, fenômeno! Paredão tricolor”, escreveu o clube, em uma mensagem com duplo sentido, como se agradecesse a Ronaldo por ter dispensado o novo goleiro.

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