CLIQUE E RECEBA EM CASA A PARTIR DE R$ 14,90/MÊS
#TBT Placar Toda quinta-feira, um tesouro dos arquivos de nossas cinco décadas de história

Tostão, antes do penta: ‘Melhor jogar Eliminatórias fracas que amistosos’

Em edição de PLACAR de março de 2000, ex-jogador escreveu que "grandes equipes só se formam quando os jogos são para valer"

Por Da redação Atualizado em 28 abr 2022, 20h05 - Publicado em 14 abr 2022, 07h00

A seleção brasileira deitou e rolou nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2022 e garantiu vaga no Catar com antecedência, invencibilidade e com recorde de pontos (45) neste formato. A facilidade encontrada pela equipe dirigida por Tite somada ao fato de seleções europeias terem vencido os últimos quatro mundiais , levantou questionamentos sobre a necessidade de o Brasil realizar amistosos contra equipes mais fortes. Há 22 anos, o craque Tostão, então colaborador de PLACAR, tratou do assunto e deixou claro: para ele, é melhor disputar Eliminatórias fracas a realizar jogos sem qualquer valor, mesmo contra adversários fortes.

Assine #PLACAR digital no app por apenas R$ 6,90/mês. Não perca!

A coluna de Tostão, publicada em março de 2000, foi escrita em um momento de turbulência para a seleção, então dirigida por Vanderlei Luxemburgo. Ele perderia o emprego meses depois, após derrota nas Olimpíadas de Sidney (e outras confusões em sua vida pessoal). O time ainda seria dirigido por Emerson Leão até finalmente entrar nos trilhos com Luiz Felipe Scolari e, enfim, conquistar o pentacampeonato na Coreia do Sul e no Japão.

Tostão, campeão mundial em 1970, considerava que o fato de o Brasil não ter disputado as Eliminatórias de 1974 e 1998 (na época, o último campeão se garantia no Mundial seguinte) prejudicou a preparação e fez falta no momento em que a bola rolou para valer. Nas Eliminatórias para 2002, o Brasil sofreu seis derrotas, terminou na terceira colocação e só se garantiu na Copa na última rodada, com vitória sobre a Venezuela, com dois gols de Luizão.

Leia abaixo, na íntegra, a coluna do ídolo do Cruzeiro e da seleção brasileira:

A prova de fogo

Eliminatórias, mesmo contra equipes fracas, são sempre melhores do que amistosos contra as potências. Grandes equipes só se formam quando os jogos são para valer

Continua após a publicidade

Depois de uma vitória brilhante no Pré-Olímpico, o Brasil corre atrás da classificação à próxima Copa do Mundo. São quatro vagas para dez equipes, mais uma quinta que será disputada em uma repescagem com o representante da Oceania. Somente se houver uma catástrofe o Brasil não irá ao Mundial.

A importância das Eliminatórias é formar um conjunto, consolidar uma filosofia e aumentar a experiência de alguns jovens. A ansiedade e a responsabilidade de jogar uma partida oficial, mesmo contra fracas equipes, é maior que enfrentar um bom adversário num amistoso. Um atleta somente amadurece quando enfrenta adversidades em competições oficiais.

Na Copa de 94, o Brasil começou mal as Eliminatórias. Parreira mudou o time, colocou dois volantes (Mauro Silva e Dunga), retirou Paulo Sérgio do meio-campo e liberou os laterais para o apoio. A equipe melhorou muito, mas somente se definiu com a presença de Romário no último jogo. Ele fez os dois gols contra o Uruguai e antecipou sua escalação para a Copa. Romário já era o melhor atacante do planeta e apenas confirmou isso no Mundial.

Coluna de Tostão em 2000
Coluna de Tostão em 2000 Reprodução/Placar

Em 1970, a base da equipe nasceu com Saldanha nas Eliminatórias. Zagallo aproveitou a estrutura e melhorou o time. Entrou Rivelino na armação pela esquerda, ao lado de Gérson, e Piazza foi recuado para a zaga. Se eu não tivesse tido a experiência de formar uma boa dupla com Pelé, durante as Eliminatórias, provavelmente não seria escalado pelo Zagallo. Antes da Copa, o técnico sustentava a opinião de que eu não poderia jogar ao lado do Pelé, porque tínhamos as mesmas características.

A ausência do Brasil nas Eliminatórias das Copas de 74 e de 98 foi uma das causas das fracas atuações dessas Seleções. Na última Copa, a equipe tinha ótimos jogadores, só não funcionou como um conjunto. As dificuldades teriam sido menores se o país tivesse disputado as Eliminatórias.

A Seleção atual está quase escalada, com pequenas dúvidas na zaga, no meio-campo pela esquerda (Zé Roberto ou Rivaldo, entrando Alex na posição do jogador do Barcelona) e na frente, porque depende da recuperação do Ronaldinho. Amoroso, Ronaldinho Gaúcho, Élber, Jardel e Edílson são os atacantes mais cotados.

Penso que a Seleção poderia aproveitar as Eliminatórias para corrigir uma falha. Deveria jogar fora de casa da mesma maneira que atua no Brasil: marcando o adversário por pressão. É por isso que a equipe, sob o comando do Luxemburgo, não vai bem no campo adversário.

São enormes as possibilidades de se formar uma equipe superior à de 1998. Se Ronaldinho recuperar todo seu futebol teremos, do meio-campo para frente, quatro jogadores excepcionais: Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Alex. E, podem ter certeza, será difícil marcá-los!

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Impressa + Digital no App

a partir de R$ 14,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital no App

a partir de R$ 9,90/mês