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O enigma Chelsea: como os ingleses eram vistos no Mundial em 2012

Há quase dez anos o Chelsea chegava com novo técnico, mudanças no elenco e cercado por questionamentos para a final. O filme se repete agora?

Por Da redação Atualizado em 9 fev 2022, 17h57 - Publicado em 10 fev 2022, 08h00

O Chelsea estreou nesta quarta-feira, 9, com vitória por 1 a 0 sobre o Al Hilal no Mundial de Clubes, em partida no estádio Mohammed Bin Zayed, em Abu Dhabi. A confirmação da aguardada presença na decisão da atual edição da competição traz à memória a surpreendente derrota de quase dez anos atrás, quando a equipe dirigida pelo espanhol Rafa Benítez acabou sendo superada pelo Corinthians, em Yokohama, no Japão, em 16 de dezembro de 2012. Muitas dúvidas pairavam sobre os ingleses na ocasião.

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Na edição de PLACAR naquele mês, uma reportagem trazia um questionamento: o enigma Chelsea. Como chegaria o time que trocou de técnico, mudou jogadores… eles se importavam para valer com a competição? A reportagem assinada pelo repórter Jonas Oliveira esmiuçou detalhes sobre a preparação inglesa.

Na ocasião, para chegar até a decisão com o Corinthians, os Blues superaram por 3 a 1 o Monterrey na semifinal. Curiosamente, os mexicanos ficaram pelo caminho de forma precoce nesta edição. A final entre Chelsea e Palmeiras acontece no sábado, 12, às 13h30 (de Brasília), no estádio Mohammed Bin Zayed.

O enigma Chelsea

O Chelsea é o oposto do Corinthians no Mundial. Mudou o time, trocou o técnico, o futebol ficou mais vistoso. Até a pergunta em Londres é outra: os azuis vão jogar pra valer no torneio do Japão?

Jonas Oliveira, de Londres

Drogba toma pouca distância, chuta no canto direito de Neuer e corre para abraçar Peter Cech, enquanto se benze. Era de esperar que o pênalti convertido em gol em Munique fizesse com que Londres, a quase 1000 km de distância, irrompesse em uma festa sem fim. Afinal, era a primeira vez que um clube da cidade vencia a Liga dos Campeões.

Mas, exceto pelos pubs ao redor do estádio Stamford Bridge, região onde está concentrada a torcida do Chelsea, Londres teve uma noite comum naquele sábado, 19 de maio. Algum desavisado poderia perfeitamente ignorar o fato de que um clube da cidade havia vencido o maior torneio de futebol da Europa. Poucas semanas depois, um acontecimento semelhante – o primeiro título do Corinthians na Libertadores da América – teve efeito completamente diverso, com multidões tomando as ruas de São Paulo.

Na PLACAR, matéria sobre o Chelsea de 2012 -
Na PLACAR, matéria sobre o Chelsea de 2012 – Reprodução/Placar

Como de costume, os corintianos argumentarão que o Corinthians é diferente dos demais clubes brasileiros. Mas, nesse caso, pode-se dizer que o Chelsea, seu possível adversário numa eventual final do Mundial de Clubes, em dezembro, é também uma espécie de ponto fora da curva do futebol inglês. É difícil imaginar que uma torcida que comemorou de maneira comedida o maior título de sua história seja capaz de pressionar diretoria e jogadores por um troféu no Japão.

A esse cenário, some-se o fato de que o Mundial de Clubes da Fifa não é valorizado na Europa como no Brasil. “É preciso lembrar que o Mundial de Clubes é geralmente disputado o mais longe possível da Inglaterra, e em uma época do ano imediatamente antes do período mais intenso do calendário do futebol aqui – vários jogos durante Natal e Ano-Novo e jogos das Copas em janeiro. Isso sempre estará na cabeça de jogadores e técnicos”, diz James Maw, editor do site da revista inglesa FourFourTwo.

Mundial em segundo plano

É praticamente impensável para um clube europeu sacrificar o próprio desempenho no campeonato nacional a fim de se preparar para o Mundial de Clubes – como costumam fazer os clubes brasileiros que vencem a Libertadores. Vitórias como a do Barcelona contra o Santos no ano passado aconteceram e acontecerão mais pela superioridade dos clubes europeus que por sua motivação em se sagrar campeões mundiais. “Vencer a Champions League é visto como o topo do futebol mundial. Ganhar o Mundial de Clubes seria como um pequeno bônus”, diz Maw. “Suspeito que a maioria dos torcedores preferiria ganhar novamente a Champions League em maio a voltar do Japão com um troféu em dezembro.”

Danilo, do Corinthians, durante jogo entre as equipes em Yokohama -
Danilo, do Corinthians, durante jogo entre as equipes em Yokohama – Alexandre Battibugli/Placar

Entre todos os países europeus, talvez a Inglaterra esteja entre os que menos valorizam o título mundial de clubes. A única equipe a vencer a competição foi o Manchester United, em 1999, contra o Palmeiras, e em 2008, contra a LDU. Foi apenas no último título que os torcedores do United passaram a dar algum valor à competição. “O Mundial ganhou importância desde que se tornou uma competição regular da Fifa e não apenas um evento de um patrocinador realizado no Japão. Ainda está muito distante da Champions League e Premier League em estatura, mas os torcedores do Chelsea com certeza gostariam de dizer que são campeões do mundo”, diz o jornalista escocês Duncan Castles, que por vários anos cobriu o dia a dia do Chelsea.

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A crise que impulsiona

Mas uma crise avassaladora no Chelsea, que culminou na queda de Roberto di Matteo e na contratação de Rafa Benítez, pode mudar radicalmente o equilíbrio de forças no Mundial de Clubes. E, ao contrário do que é possível inferir, pode na verdade dificultar a vida do Corinthians.

Tudo porque, mais uma vez, o Chelsea não é um clube como outro qualquer. Assim como boa parte de sua torcida ao redor do mundo, a maioria dos grandes troféus do clube chegou a Stamford Bridge após 2003, quando o clube foi adquirido pelo bilionário russo Roman Abramovich. Em um país que conta com exemplos como Alex Ferguson e Arsène Wenger, que há anos estão à frente de seus clubes, o Chelsea tem se transformado em uma eterna ciranda de treinadores. Enquanto os troféus continuarem a chegar, é difícil imaginar que Abramovich mude seu estilo de comandar o clube.

Guerrero comemorando o gol contra o Chelsea, na final do Mundial -
Guerrero comemorando o gol contra o Chelsea, na final do Mundial – Toru Yamanaka/AFP

Sem poupar esforços para contratar ou escrúpulos para demitir, Abramovich demonstrou claramente que sua obsessão ainda é a Liga dos Campeões ao demitir Di Matteo. Uma iminente eliminação do Chelsea na próxima e derradeira rodada da Liga dos Campeões pode fazer com que o Chelsea jogue o Mundial de Clubes com uma pressão incomum para um time europeu de voltar do Japão com um troféu. Uma pressão que não virá das arquibancadas – o clube recebeu apenas 1000 ingressos da Fifa para o torneio, contra 10000 para o Corinthians -, mas da tribuna onde estará seu proprietário. “Abramovich é certamente o tipo de cara que irá querer que seu time seja oficialmente declarado campeão do mundo. Se eles forem eliminados da Liga dos Campeões, posso imaginá-los levando o torneio mais a sério. E Benítez venceu o torneio em 2010 e foi vice em 2005, já tem experiência”, diz Maw.

Jeitinho brasileiro

Há, no entanto, outro fator que pode jogar a favor do Chelsea: para Ramires, o fato de o elenco ter uma legião de brasileiros aumenta a motivação do clube. “Sempre sonhei em disputar o Mundial. Aquela derrota que tive com o Cruzeiro na final da Libertadores em 2009 frustrou esse sonho, mas o título da Liga dos Campeões me deu essa tão esperada oportunidade. Quero encerrar a carreira e poder falar que, além da inesquecível vitória na Liga dos Campeões, ganhei a maior competição de clubes do mundo. Tenho certeza de que esse é o sentimento de todos aqui no Chelsea”, diz o jogador, que faz questão de afastar a hipótese de que o clube não jogará com força total no Japão. “Todos vão fazer o máximo possível para conquistar o título. É uma taça que está em jogo e sabemos disso. Não vamos para o Japão fazer turismo, vamos para disputar a maior competição de clubes do mundo e estamos cientes disso”, diz.

Ramires enquanto jogadores do Chelsea -
Ramires enquanto jogadores do Chelsea – Clive Mason/Getty Images

Uma das peças mais importantes da equipe na última temporada, Ramires acredita que o clube ainda está se adaptando à chegada de novos jogadores – como o brasileiro Oscar e o belga Hazard. “Nossa equipe se modificou um pouco nesta temporada. Independentemente do resultado nos jogos, ainda estamos buscando a melhor forma de atuar com as novas peças. Nossa equipe tem muito potencial. Sabemos que a expectativa em cima do nosso desempenho aumentou após o título da Liga dos Campeões e estamos trabalhando para chegar ao nível que todos esperam”, diz.

Melhor que na Champions?

Com um time renovado e mais leve na atual temporada, o Chelsea deu a impressão de ter se tornado um time mais ofensivo e perigoso que o do título da Liga dos Campeões. A grande diferença talvez esteja na ausência do grande herói da última temporada, o letal Didier Drogba, que se transferiu para o futebol chinês. Ainda é cedo para dizer como o Chelsea reagirá às mudanças no comando. Na temporada passada, a troca do português André Villas-Boas pelo interino Roberto Di Matteo foi o ponto de mudança na trajetória da equipe. Benítez não é um treinador dos mais queridos pelos torcedores do Chelsea, por seu passado vinculado ao Liverpool, mas tem bom currículo e pode ajudar a recuperar seu compatriota e ex-comandado Fernando Torres.

Rafa Benítez em conversa com David Luiz e Fernando Torres -
Rafa Benítez em conversa com David Luiz e Fernando Torres – Kazuhiro Nogi/AFP

Caso Benítez consiga motivar seus jogadores e resolver as deficiências táticas dos últimos jogos, o Corinthians pode encarar um europeu bem mais motivado que a média no Japão. Um confronto que pode dar início a uma festa inédita – seja nas ruas de São Paulo, seja no camarote de Roman Abramovich.

“Vencer a Champions é o topo. Ganhar o Mundial seria um pequeno bônus”
James Maw, editor do site da revista britânica FourFourTwo.

Antes de encontrar o Chelsea, o Corinthians tem três adversários em potencial: o inexpressivo Auckland City, da Nova Zelândia, o campeão africano (o Al Ahly, do Egito) e o campeão japonês – o Sanfrecce Hiroshima, que conquistou o título com uma rodada de antecipação. O Al Ahly já está nas quartas de final. Disputará uma vaga na semifinal contra o Corinthians com o vencedor do duelo entre japoneses e neozelandeses.

O clube, no entanto, já enfrentou sua maior batalha no ano. Em fevereiro, jogadores do time foram perseguidos por torcedores do Al-Masry, em Port Said, em jogo válido pelo Campeonato Egípcio. No episódio, 79 torcedores foram mortos. O torneio local foi suspenso.
Desde então, o Al Ahly se dedicou exclusivamente à Liga dos Campeões da África. “Tínhamos uma motivação extra, que era voltar a disputar o Mundial, mas estávamos famintos para vencer o torneio [africano] e homenagear quem morreu na tragédia. Chamamos a liga de `campeonato dos mártires””, disse o zagueiro Wael Gomaa. A estrela do time é o veterano Aboutrika. Nem sempre entra em campo como titular, mas, mesmo assim, é o artilheiro do time egípcio na temporada.

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