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Paulo Cezar Caju

Viva o coletivo! Hoje dependemos de Neymar e não tem dado resultado

Esse negócio de ser o salvador da pátria é algo que está por fora. No futebol coletivo tudo flui e o torcedor ganha porque vê uma orquestra entrosada

Por Paulo Cezar Caju 3 jan 2022, 18h22

Na primeira coluna do ano reitero para que a população siga se protegendo, usando máscara e tomando os cuidados necessários, pois esse vírus maldito segue contaminando muita gente. Tomem a terceira dose, enfim, cuidem-se, pois a esperança é de um 2022 menos traumático e com mais aproximação, abraços e encontros. Torço para que o futebol também nos traga boas surpresas.

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Pelo menos Guardiola segue mantendo sua coerência, seu Manchester City continua me agradando e segue na liderança da Premier League, com 10 pontos a frente do Chelsea, do alemão Thomas Tuchel, adepto do futebol defensivo. Um retranqueiro, em bom português! Guardiola sabe montar times porque seus jogadores tem as mesmas características e o mesmo peso. Quem é o craque do City? Não sei dizer, mas sei que sai jogador, entra jogador e o rendimento é exatamente o mesmo. Isso é futebol coletivo de altíssima qualidade e deve ser valorizado!

O Brasil já dependeu de Romário e dos Ronaldinhos. Amo o termo “coletivo” porque ele consegue nos levar adiante com mais segurança, em tudo, na vida, inclusive. Hoje, dependemos de Neymar e não tem dado resultado. A Argentina há tempos vem dependendo de Messi e Portugal, de Cristiano Ronaldo. Isso atrapalha um bocado. “Dá que ele resolve…”. Essa história de melhor jogador do planeta complica demais porque o escolhido vira um salvador da pátria e não tem bagagem para tanto!

Vinicius Junior vem passando por isso. Li que ele, hoje, recebe, o maior salário do mundo. Ou seja, deve entregar o melhor futebol do mundo e não entregará, óbvio. Gosto dele, mas essa responsabilidade é danosa. No futebol coletivo tudo flui, a entrega é melhor o torcedor sai ganhando porque ao invés de assistir uma apresentação solo ele verá uma orquestra bem entrosada.

Guardiola segue sendo esse grande condutor, um maestro exemplar. Por conta disso, me lembrei quando Carlos Alberto Torres treinava o Flamengo e falou que o time era Bigu e mais 10! Bigu é meu amigo, uma figuraça, e admite que a declaração foi uma bigorna em sua carreira.

A tentativa de criar ídolos pode ser o início do fim. Viva o coletivo! Sobre as pérolas dos analistas de computadores, já ouvi uma boa em 2022: “Time que propõe o jogo com um meia que fatia a jogada por dentro, tentando, à base da intensidade, quebrar a segunda linha de quatro”.

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