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O Comentarista do Futuro Ele volta no tempo para dar aos torcedores (alerta de!) spoilers do que ainda vai acontecer

Qual o verdadeiro ‘time da virada’?

Comentarista vai a 2000, no épico Vasco 4 x 3 Palmeiras dar ‘spoilers’ sobre os altos e baixos na vida e no Futebol

Por Claudio Henrique @comentaristadofuturo Atualizado em 3 Maio 2022, 15h07 - Publicado em 3 Maio 2022, 14h51

A Infância é tão maravilhosa e inocente que até quando somos vítimas do chamado Castigo da Gangorra, nossos ‘inimigos’ – esses seres que vêm ao mundo com um ‘chip da maldade’, só pode ser … – nos mantêm lá no alto, acima de todos. Na vida adulta, vocês sabem, os que nos querem mal fazem tudo para jogar a gente pra baixo – e ficarmos lá. Mas sempre vem o Tempo, que nos permite se reerguer. O capítulo ‘Altos e Baixos da Vida’ é lição obrigatória às crianças, o mais cedo possível. Trata-se de inexorável ‘Lei Natural das Coisas’, onipresente, em qualquer escaninho de nossa existência, inclusive o Futebol. Posso garantir a vocês, caros leitores e leitoras de 2000, que daqui a 22 anos, de ‘quando’ venho, estaremos testemunhando momentos bem distintos de Vasco e Palmeiras – campeão e derrotado na épica final da Copa Mercosul, ontem no Parque Antártica. Nada demais, quando observamos o mesmo ‘pra cima’ e ‘pra baixo’ que os dois clubes viveram neste ano de mudança de Século: ora em festa; ora às lágrimas. O placar do jogo nos ensina que ‘viradas’ sempre vão acontecer. Algum dia, ou mais rápido do que possamos acreditar. Como nesta noite de quarta, quando o Vasco marcou quatro gols nos 45 minutos finais, após ir para o intervalo perdendo por 3 x 0. O que vocês não podem saber é o quanto ainda vai oscilar esta gangorra …

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Vou dar logo alguns ‘spoilers’: em 2022, a partida ainda será entronada, já aderido o epíteto de ‘Virada do Século’ e encabeçando as listas de maiores reversões de placares do futebol brasileiro e mundial. O Vasco, sinto informar, vascaínos, estará penando na 2ª Divisão (pasmem: a quinta temporada na Segundona); o Palmeiras, colecionando títulos e favorito na disputa pela unanimidade como ‘Melhor time do Brasil’. Por conta disso, os dois estarão há 1 ano e 3 meses sem se enfrentar. Restará tornarem-se adversários num embate curioso, sobre quem é (e será) de fato o ‘time da virada’. Não vou estender o tema porque ainda batuca na minha cabeça o grito da torcida cruzmaltina empurrando ontem Romário & Cia com o cântico “O Vasco é o time do amor/ O Vasco é o time da virada” – adaptação do samba-enredo “A criação do mundo na tradição Nagô” (1978), de Neguinho da Beija-Flor, entoada no Maraca desde 1970 e blau. Mas na celeuma de 2022, historiadores e sociólogos serão convocados a dar pitacos e a mídia esportiva abrirá espaço para o debate. Tudo depois de uma entrevista coletiva em que o futuro técnico do Palestra, ironicamente ‘portuga’ (estarão em alta em 2022!), enaltecer a música, mas dando autoria à torcida palmeirense. “Ela estava esquecida, talvez desde 1942”, arriscará o treinador, invocando a ‘Arrancada Heroica’. Para usar um termo deste início de Anos 2000, uma ‘abobrinha’ danada… Mas tudo dentro das melhores práticas de cordialidade, pois Palmeiras e Vasco mantêm as boas relações construídas pelas colônias italiana e portuguesa nos anos de Guerra, sendo o confronto chamado de ‘Clássico da Fraternidade’. E que jamais esse exemplo de respeito e convivência entre clubes e torcidas sofra qualquer virada!

A torcida do Santos é outra que ainda vai incorporar o cântico do Time da Virada. No futuro em que, adianto, marketing e business serão titulares absolutos do produto Futebol, um cântico, uma marca ou um ‘carimbo’ bacana terão seu valor no ataque aos torcedores/consumidores. E teremos disputas paralelas pela propriedade desses ícones e mantras. Em 2009, por exemplo, o Fluminense cumprirá típica saga de herói ao escapar do rebaixamento, emergindo do triunfo com nova alcunha: ‘Time de Guerreiros’. O inspirador epíteto não vai demorar a pipocar aqui e ali nas arquibancadas e conteúdos de outros clubes, o que apressará o tricolor carioca a trocar seu mascote oficial, saindo do secular e polido ‘Cartola’ para um sorridente e metálico ‘Guerreirinho’. Já o Corinthians, aguardem, vai marcar golaço em sua identidade em 2008, ao somar ao mito da ‘Fiel’ um novo conceito, representado na cor extravagante de seu terceiro uniforme, inspirada no torcedor apaixonado, o corintiano roxo.  

Time da virada’ é o Vasco! E tudo bem se, com o passar dos anos, o cântico venha a ser, como será, usado de forma genérica, por outras agremiações, numa forma de impulsionar um revés no placar. Que o façam, mas cientes de que trata-se de uma reverência à massa do Gigante da Colina, que ontem deu novas provas de que o Futebol é o mais improvável dos esportes. A Copa Mercosul vai para São Januário mas não é um título qualquer, pois foi conquistado após uma virada de 3 x 0 para 4 x 3, no campo do adversário e com um homem a menos em campo! O jogão vai virar livro (2009) e, em enquetes organizadas pela mídia esportiva, ser apontado como – nada mais, nada menos que – o maior jogo da história entre os grandes clubes brasileiros, com 35,82% de votos – já largou na frente, não precisou de virar o jogo nas urnas.

‘Viradas’ são a Dor e a Delícia do Futebol. Para todos nós, brasileiros, a mais triste delas, claro, deu-se na trágica final da Copa de 1950, pois até os 21’ da segunda etapa ganhávamos por 1 x 0. Mas doeram muito também as viradas que sofremos da Nigéria (4 x 3), há quatro anos, na final olímpica nos EUA (aos 33’ do segundo tempo, estava 3 x 1 pra nós, lembram?). Desilusão semelhante à sentida em 1954 pelos favoritíssimos húngaros, que abriram 2 x 0 com apenas 8 minutos da final mas permitiram a virada alemã, no chamado ‘Milagre de Berna’. ‘Cambalhotas’ no placar de decisões de título sempre ganham um epíteto bacana. Como a também clássica ‘Final de Mathews’, que deu a Copa da Inglaterra 1952/1953 ao Blackpool. Faltando menos de 20 minutos para o fim, o clube inglês perdia por 3 x 1 para o Bolton Wanderers, mas virou para 4 x 3, comandado pelo antológico ponta-direita Stanley Mathews’; ou o ‘Milagre de Istambul’, que ainda se dará numa finalíssima de Champions League entre Liverpool x Milan. Aguardem… E talvez a mais ‘espírita’ e sobrenatural de todas, numa Libertadores que será conquistada pelo Flamengo marcando os gols da virada aos 44’ e 47’ da etapa derradeira. De virar flamenguista no caixão!

Gabigol fez o gol da virada sobre na final
Gabigol fez o gol da virada sobre na final Clever Felix/Flickr

Mas nada supera o espetáculo de ontem. Depois de bater duas equipes argentinas (Rosário Central, nas quartas, e River Plate, na semifinal daquele 4 x 1 cruzmaltino em pleno Monumental de Nuñez), o Vasco disputou a final fazendo o dever de casa (2 x 0 em São Januário) e depois sofrendo derrota simples (0 x 1) no segundo jogo, neste mesmo Parque Antártica, ato final do triunfo. Nada normal e pra lá de surpreendente foi a demissão do técnico Oswaldo de Oliveira, por briga com Eurico Miranda, e a chegada de Joel Santana a poucos dias da decisão. E foi justamente o ‘Papai Joel’, a história vai registrar, que deu uns bons gritos no intervalo, sacudindo a turma da Casaca, que, alguns contarão, chupavam laranja com gosto de ‘Já perdemos’. Colaborou um bocado a bronca ter fundo sonoro: a torcida do Verdão cometendo os amaldiçoados gritos de “É, campeão!” E deu-se o impensável. Uma reviravolta que fará o jogo ser mais cultuado que a decisão que os dois clubes fizeram no Brasileiro de 1997, outra vitória vascaína. É linda a história do confronto, que teve início em 28 de setembro de 1924, quando o Palmeiras foi ao Rio e, revertendo as expectativas, venceu os cruz-maltinos por 2 x 0 e levou a Taça Vasco da Gama pra São Paulo. Até 2022, a virada nos números do confronto não se verificará: total de vitórias alviverdes: 59; alvinegras 31; e 40 empates. Mas há poucos meses, todos sabemos, o Verdão conquistou o Torneio Rio-São Paulo ao vencer o rival nas duas partidas da decisão: 2 a 1, no Rio; e 4 a 0, em São Paulo. Outro sobe-e-desce…

Não é somente curioso – ou jogo de palavras – que a ‘Virada do Século’ tenha se dado justamente no cabalístico ano 2000, portal de entrada e saída entre a Antiga e a Nova Era. Ano do Dragão, na China, do bug do ‘Y2K’, no Vale do Silício, a temporada parece aguçar o padrão ‘altos e baixos’ da vida. Já tivemos a beleza dos Jogos de Sydney e o triste sequestro do ônibus 174; no Futebol, o Vasco da Gama, ontem campeão, esteva em baixa nas derrotas para Corinthians (campeão Mundial de Clubes da Fifa, em janeiro) e na final do Rio-São Paulo, março; e Palmeiras também oscilando entre Olimpos (como a conquista, em julho, da Copa dos Campeões, ao vencer o Sport) e Infernos (na derrota para Boca Juniors na Libertadores da América, em junho, no Morumbi). Foi mesmo um ano recheado de fatos importantes, alguns só aparentemente inofensivos, Antes de retornar ao futuro, preciso recomendar que, desde já, seja alvo de impeachment um dos dirigentes mundiais que acaba de ser eleito: Vladimir Putin, desde março no comando da Rússia. Em 2022, acreditem, ele vai estar dando sinais de também querer dar uma virada. Na Paz Mundial.

PARA VER OS LANCES E GOLS DA VIRADA DO VASCO

PARA VER O JOGO TODO

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 3 X 4 VASCO

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Competição: Copa Mercosul (final, 3º Jogo)

Local: Parque Antártica, em São Paulo (SP)

Data: 20 de dezembro de 2000 (Quarta-feira)

Horário: 21h45min

Público: 29.993 pagantes

Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)

Assistentes: Jorge Paulo Oliveira Gomes (DF) e José Carlos Silva Oliveira (RS)

PALMEIRAS: Sérgio, Arce, Galeano, Gilmar e Thiago Silva; Fernando, Magrão, Flávio e Rodrigo Taddei; Juninho e Tuta (depois Basílio, aos 31′ do 2ºT)

Técnico: Marco Aurélio

VASCO: Hélton, Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa (Viola, no intervalo), Jorginho (depois Paulo Miranda, aos 31′ do 2ºT), Juninho e Juninho Paulista; Euller (Mauro Galvão, as 42′ do 2ºT) e Romário

Técnico: Joel Santana

Gols: Arce (em pênalti de Júnior Baiano, aos 36′); Magrão (aos 37′); e Tuta (aos 45′), 1º Tempo, fazendo Palmeiras 3 x 0; Romário (pênalti sofrido por Juninho Paulista, aos 14′); Romário (pênalti sofrido por Juninho Paulista aos 23′); Juninho Paulista (rebote após chute de Viola, aos 41′); e Romário (rebote após chute de Juninho Paulista, aos 48′), do 2º Tempo, finalizando em Vasco 4 x 3.Cartões Amarelos (8): Nasa (aos 19′), Odvan (21′), Flávio (30′), Júnior Baiano (34′) e Juninho (43′) do 1ºT; Fernando (14′), Jorginho Paulista (15’) e Hélton (46′) do 2ºT

Cartões Vermelhos (1): Júnior Baiano, aos 32′ do 2ºT (Vasco)

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Escreva para o colunista: ocomentaristadofuturo@gmail.com

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