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O Comentarista do Futuro

O ‘Time do Bem’

No espírito do Natal e Ano Novo, Comentarista vai ao lançamento do Jogo das Estrelas, de Zico, e descobre que 2004 é o primeiro ano do resto de nossas vidas

Por Claudio Henrique (@comentaristadofuturo) Atualizado em 21 dez 2021, 11h09 - Publicado em 21 dez 2021, 11h08

A Suderj informa: essa é, até aqui, a mais curta viagem que fiz ao passado. Sim, caros leitores e leitoras de 2004, sou um Mochileiro do Tempo, que atravessa décadas a testemunhar momentos históricos do futebol. Aproveitando o marasmo depressivo que nos invade com o recesso esportivo de fim de ano, decidi dar um pulinho ‘logo aqui’, para ver com meus olhos, mesmo sob luz precária, a ‘Pelada’ dos ‘Amigos do Zico’, novidade criada pelo craque e que teve ontem, no campo do CFZ (Centro de Futebol Zico), seu pontapé inicial.

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Deixei 2021, de “quando” venho, às vésperas da 17ª edição dessa festa, já então rebatizada de ‘Jogo das Estrelas’ e consagrada como maior evento beneficente do futebol nacional. Ao iniciar a protocolar pesquisa que faço ao refestelar-me na Máquina do Tempo, veio a constatação estarrecedora: assim como o encontro de ídolos atemporais, em 2004 estão nascendo marcas e costumes que transformarão nossas vidas nos próximos 17 anos. A Suderj informa: o mundo nunca mais será o mesmo depois de 2004.

Anote os nomes dos que estão chegando pra não mais nos deixar: ‘Facebook’ (rede social, já-já vocês vão entender); e ‘You Tube’ (canal de vídeos que revelará o Spielberg que temos em cada um de nós). Sem falar no tal ‘Orkut’ (desde janeiro por aqui, já foi convidado?), o navegador ‘Firefox’ e ‘Lost’, futuro decano dos seriados dos novos tempos. É, meus amigos, estamos em plena Gênesis do Novo Milênio. O futuro está sendo forjado diante dos nossos olhos e seguimos distraídos. Não sou Papai Noel, mas vou dar de presente outros dois nomes que, de hoje a 2021, devem merecer máxima atenção de todos: ‘Instagram’ e ‘Covid-19’ – ambos com a mesma maligna capacidade de nos isolar e manter em casulos. Boas novas nos trarão iniciativas como esta ‘pelada’ Classe A de ontem, que Zico criou a partir do incentivo de um de seus filhos, Júnior Coimbra. Uma ação ‘do bem’.

Pra dar uma ideia do sucesso que o futuro reserva ao projeto, adianto que ano que vem já veremos Maradona a contribuir com sua genialidade e provavelmente alguns quilos de alimentos não perecíveis. Em 2007, não apenas estrelas, mas também um novo palco, com a festa transferindo-se para o Maracanã, onde chegará a ter público de 70 mil pessoas (ontem eram 2 mil). Se nesta estreia o “patrocinador master” foi aquela churrascaria de boleiros em Ipanema e uma marca de cerveja (que mandou engradados), logo grandes empresas nacionais chegarão injetando combustível e crédito na ideia. Por conta do apoio, as cores dos times, azul e amarelo (numa referência à Seleção), assumirão um vermelho e branco clássico. Mais notícias do amanhã: se a largada atingiu 850 quilos de alimentos arrecadados e distribuídos a instituições de caridade, as próximas edições baterão a casa das dezenas de toneladas. Golaço do Galinho! Mais um!

Já as tais empresas gigantes nascidas este ano, em 2021, revelo a vocês, estarão no topo dos rankings de maiores negócios do planeta mas às voltas com tribunais do Primeiro Mundo, tentando explicar certos logaritmos abusivos e invasivos que virão (ou não) a desenvolver e aplicar. Alerta de ‘spoiler’: em breve, mal poderemos acessar sites de buscas e digitar, inocentemente, palavras como “tênis” sem que, imediatamente, comecem a surgir, em outras páginas que visitemos na web, seguidos anúncios da Adidas, da Nike, da Puma… ‘Cookies’ deixarão de ser apenas aqueles biscoitos amanteigados que os americanos gostam para denominar um sagaz espião do mundo digital, que vigiará e captará nossas atividades na internet, identificando preferências, atitudes e, principalmente, supostas manifestações de desejo de consumo. Daí a chuva de propagandas dos fabricantes de calçados esportivos. Mesmo que, ao digitar ‘tênis’, estejamos apenas buscando notícias de Roland Garros.

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Não parece mesmo ser fácil gerir positivamente uma história de muito sucesso. Para empresas ou pessoas. Vejamos a lista dos craques que ainda vão dar show nas próximas edições do ‘Amigos do Zico’. Sugiro que, você, caro leitor ou leitora de 2004, anote os nomes e daqui a 17 anos verifique como cada um lidou com o porvir: Maradona; Romário; Ronaldinho Fenômeno; Adriano; Edmundo; Júnior… Uns bem; outros nem tanto. Ontem era só gente boa em campo, ídolos como Roberto Dinamite e Renato Gaúcho marcaram presença. O placar – 5 x 5, empate arrancado pelo time dos ‘Amigos do Zico’, após estar perdendo de 5 x 0 – será um dos mais ‘magros’ da história da festa. O comum será algo mais na linha 9 x 8, 11 x 5, alegria geral! Na preliminar, o jogo entre artistas também vai se consolidar como parte do show. Ontem, Thiago Lacerda e Eduardo Galvão foram uns dos que puderam amortizar as frustrações de criança, quando sonhavam em ser jogador de futebol.

Emerson comemora gol no Jogo das Estrelas, que terminou empatado em 4 a 4 no Morumbi -
Emerson comemora gol no Jogo das Estrelas, que terminou empatado em 4 a 4 no Morumbi – Ale Cabral/Estadão Conteúdo/VEJA

Virando o jogo para as tais megaorganizações recém-nascidas, não haverá como contestar a qualidade e seus predicados, pelo tanto que trarão de inovação ao nosso cotidiano. Lembro bem que, justo em 2004, descobri e vivi os prazeres de, graças ao Orkut, encontrar amigos de tempos idos, da antiga escola, da rua da infância… A propósito, sugiro que, desde já, façam ‘back up’ de fotos e qualquer memória que insiram em suas páginas pessoais da ‘rede social’, pois, sinto informar, ela será engolida pelo, digamos, mercado. Outro que vai desaparecer até 2021 será o nosso querido Maraca. Sim, ele mesmo, o ‘Maior do Mundo’, que em outro evento beneficente, chegou a receber 250 mil pessoas para a chegada de Papai Noel. Daqui a 10 anos, empresários e políticos mal intencionados vão enganar a todos mantendo a ‘casca’ (estrutura externa) para esconder um crime: a destruição de um patrimônio nacional. Depois do “maracanicídio”, será de menos de 80 mil a capacidade máxima de público no estádio. ‘Dingo Bell’…

Outros gramados, como o Morumbi, em São Paulo, e o Engenhão (que ainda será inaugurado, no Rio, em 2007), vão receber o ‘All-Star Game’ do Zico, formato que inspirará filhotes (eventos semelhantes) organizados por outros atletas e em vários estados da Federação. Em 2020, sinto informar, a exemplar iniciativa beneficente, já marcada no calendário esportivo nacional, terá sua sequência interrompida – obra do perverso Covid-19 que já citei aqui. Na volta, em 2021, por falta de sensibilidade ou empatia, o evento – mesmo Zico tendo reservado o campo meses antes – será impedido de acontecer no seu palco maior, o Maracanã. Por conta de obras, o ‘Jogo das Estrelas’ será escanteado para o Estádio Luso Brasileiro, da Portuguesa-RJ. Sem maiores explicações. A notícia me levará a misturar esse monte de assunto na resenha de hoje. Parecem díspares, mas não são. Têm tudo a ver com o que todos nós, pessoas e empresas, precisamos fazer para construir um Século 21 melhor. É simples, né Galinho? Jogar no time do bem! A camisa 10 já tem dono.

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FICHA TÉCNICA
‘AMIGOS DO ZICO’ 5 X 5 ‘ESTRELAS DO BRASIL’

Local: Campo do CFZ, Rio
Data: dezembro de 2004 (Sempre entre natal e réveillon)
Renda: 850 quilos de alimentos não perecíveis
Público: 2.000 pagantes
Estiveram em campo (com camisa Amarela ou Azul): Zico (claro!), Roberto Dinamite, Renato Gaúcho (segundo Zico, o mais assíduo nesses no evento), Julio César “Uri Geller”, Aílton, Gonçalves, entre outros

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