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Opinião: Liga no Brasil, a hora é agora

Alessandro Barcellos, presidente do Internacional, avalia por que é possível acreditar que desta vez a liga independente sairá, enfim, do papel

Por Alessandro Barcellos 1 ago 2022, 12h22

Há consenso de que o futebol nacional pode e precisa oferecer algo maior e melhor do que o atual Campeonato Brasileiro. É o que nossos torcedores pedem e o que nossos clubes buscam há muito tempo. A proposta de um novo produto, no entanto, exige de todos os integrantes desse ecossistema um esforço hercúleo para superar obstáculos que se colocam muitas vezes de forma individual e diferente para cada um dos atores. O consumidor, do fanático ao ocasional, deve se questionar: por que desta vez será diferente da Copa União e de todas as outras promessas de ligas independentes que fracassaram nas últimas décadas? Por que acreditar que desta vez os rivais conseguirão se unir em torno de um objetivo comum? Há, sim, razões para otimismo.

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Em julho, houve uma reunião positiva entre lideranças dos dois grupos que buscam uma solução: a Libra, formada por Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Flamengo, Vasco, Botafogo, Grêmio, Cruzeiro, Guarani, Ponte Preta, Novorizontino e Ituano e nós da Liga Forte Futebol do Brasil (LFF), Inter, América-MG, Atlético-MG. Atlético-GO, Athletico-PR, Avaí, Brusque, Ceará, Chapecoense, Coritiba, CRB, Criciúma, CSA, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário, Sampaio Côrrea, Sport, Tombense e Vila Nova. São, portanto, os 40 clubes das Séries A e B, dispostos a chegar a uma fusão e a um acordo. A CBF e as emissoras de TV também apoiam a ideia, o que nos poupa de importantes entraves.

A reunião foi ótima, histórica, a meu ver. Houve convergência importante de ideias, os princípios estão muito próximos de uma união e o objetivo é que tenhamos continuidade no processo de formação da Liga. O Inter se compromete a trabalhar coletivamente com todas as agremiações para que isso se concretize. O importante neste momento é que todos tenham a capacidade de se despir de vantagens já conquistadas, mesmo que tenham sido beneficiados em função de desigualdades em momentos distintos do que vivemos hoje. A hora é de produzir um novo campeonato à altura do que merece o público e que pode sim ser ofertado pelos nossos clubes.

É necessário um olhar diferente e profissional para o calendário, os estádios, a arbitragem, o matchday, todas as possibilidades possíveis de comercialização, enfim, para que possamos ofertar algo muito melhor. A busca por rentabilização precisa de um melhor produto para que todos possamos aumentar e diversificar receitas. Na esteira de investimentos que se inicia a partir da regulamentação das SAFs e do possível interesse de investidores no futebol brasileiro, torna-se imperioso um avanço significativo na governança dos clubes e da futura Liga.

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Existe a necessidade de uma governança forte, capaz de alcançar a profissionalização plena, além da busca permanente por novas receitas a partir da entrega de um produto organizado e atraente. No centro da lógica deve estar a comercialização coletiva de propriedades, hoje fracionadas pelos clubes, mas que conjuntamente dentro de uma organização moderna agregam valor significativo e fazem com que o resultado da arrecadação seja maior do que temos hoje.

Outra questão tão importante quanto o valor agregado na ótica coletiva deve ser a divisão desses recursos, que deve seguir os exemplos de ligas bem-sucedidas no mundo. Em outros países, a diferença entre o primeiro e último estão no máximo na casa de 3,5 vezes. Essa redução na desigualdade fará com que tenhamos um produto mais valorizado, competitivo e, portanto, com ganhos significativos para que todos os clubes façam frente às exigências necessárias para construir um produto mais forte.

Por fim, cabe à futura Liga guardar e atuar sob pilares que demonstrem seriedade, transparência, competência, leitura do momento e muito profissionalismo. Assim, poderemos avançar na busca de uma estrutura que transforme o futebol brasileiro. Tudo isso sempre considerando que o futebol é um esporte popular, feito pelo povo e para o povo. As torcidas movimentam o volume de receitas através da paixão. Precisamos ofertar algo customizado, para que o futebol brasileiro se desenvolva com ferramentas de gestão e competitividade, porém sem jamais perder aquilo que também nos diferencia: um país apaixonado pelo futebol e que faz de cada jogo uma verdadeira festa. É o torcedor que construiu ao longo de gerações o que significa hoje a grande maioria dos clubes. Ou seja, Liga e paixão devem estar sempre juntas.

Alessandro Barcellos, presidente do Inter
Alessandro Barcellos, presidente do Inter Ricardo Duarte/Internacional/Divulgação

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