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Com contas em dia, América-MG quer se consolidar como grande do Brasil

Clube mineiro diz que recusou proposta de investidores por não estar desesperado e deseja ser o "mais chato" de se enfrentar

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 19 jun 2022, 12h06 - Publicado em 19 jun 2022, 04h00

Fundado há 110 anos, o América dominou o futebol mineiro entre 1916 e 1925, mas viu a consolidação do Atlético Mineiro e o surgimento do Cruzeiro engolirem o protagonismo. Pouco vencedor desde então, chegou a disputar a segunda divisão do campeonato estadual e ficar sem série nacional, em 2008. Entretanto, de uma década para cá, o clube passou por uma reconstrução e colhe valiosos frutos.

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Com as contas em dia, estádio para jogar e continuidade na gestão, o Coelho fez do ano passado, 2021, o mais importante de sua história recente. Mesmo com orçamento baixo, conseguiu se manter na Série A, pela primeira vez no Brasileirão de pontos corridos. De quebra, conseguiu se classificar a uma inédita Libertadores.

O reflexo da temporada foi a mudança de patamar. Se antes o América estava acostumado a “bater e voltar”, emprestar atletas e fazer contratos curtos, o elenco passou a ter estabilidade e compras foram feitas, como os casos de Éder, Lucas Kal e Marlon. Premiando o planejamento, a campanha na Libertadores foi um sucesso e o time alcançou a fase de grupos.

Visando investimentos, o América se transformou em SAF (sociedade anônima do futebol), pois apesar de dívidas relativamente baixas, a diretoria entende que as receitas precisam aumentar. Ainda sem um parceiro financeiro, o clube segue com gestão consciente e surpreendendo dentro de campo.

Aloísio é destaque do América -
Aloísio é destaque do América – João Zebral / América/Divulgação

Para entender este processo de consolidação americana, PLACAR visitou o clube, assistiu a treinamentos, conversou com presidentes, diretores e o treinador Vagner Mancini. Confira a seguir.

Dinheiro, SAF e dívidas

Atualmente, o América tem dois presidentes. O da SAF, Marcus Salum, e o do conselho administrativo, Alencar da Silveira Júnior. Segundo os mesmos, apesar de terem como princípio dois campos de atuação distintos, integram todo o trabalho.

Alencar da Silveira Junior, presidente do conselho administrativo do América -
Alencar da Silveira Junior, presidente do conselho administrativo do América – Guilherme Azevedo/Placar

Deputado estadual (PDT), Alencar abriu as portas de seu gabinete na Assembleia Legislativa para PLACAR. E de cara, ao ser questionado sobre a saúde financeira do clube em que preside, respondeu: “Nossa dívida hoje gira entre 85 e 90 milhões, mas 40% disso é com imposto. Nós não estamos apertados. O planejamento é conseguir a parceria de investimentos para a SAF e se manter na Série A. Aí zeramos tudo isso em três anos.”

Entre os clubes brasileiros que devem quantias multimilionárias, é verdade, a situação do Coelho é boa. Ainda assim, pela pouca torcida e falta de títulos expressivos, a capacidade de arrecadação é baixa. O orçamento, claro, caminha na mesma tendência.

Tendo em vista o desejo de se tornar um grande do Brasil, Marcus Salum, presidente da SAF, diz que o Coelho busca por investidores para seguir crescendo e se estabilizar como um grande de Série A. Ainda assim, o dirigente afirma que, mesmo com as “contas curtas”, investimentos conseguem ser feitos e os salários são pagos rigorosamente em dia.

Mesmo buscando por parcerias financeiras, o América não deseja perder o controle do clube, segundo a diretoria. Responsável pelo conselho administrativo, Alencar foi taxativo ao falar sobre a maneira de investimento que deseja na SAF.

“Para o América se consolidar entre os dez do Brasil falta esse empurrão dos investidores. Já tivemos e temos conversas para isso, mas não vamos aceitar qualquer proposta. Não estamos desesperados por dinheiro. Quando tivermos esse aporte, temos condição de brigar com os grandes”, disse o deputado estadual.

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Quando a SAF foi aprovada no clube, de cara um investidor americano buscou fechar com o clube, por valores interessantes, como disseram os dirigentes. Entretanto, uma mudança na proposta fez o América recusar e esperar melhores condições, como contou Alencar: “Estivemos perto de vender 70%, o que nos atrapalhou foi que Cruzeiro e Botafogo venderam 90% e 96%. Depois, a empresa chegou para nós e quis aumentar a porcentagem. De cara a gente recuou, o América não precisa disso.”

Marcus Salum (esq.), presidente do América SAF, e Euler (dir.) membro da diretoria -
Marcus Salum (dir.), presidente do América SAF, e Euler (esq.) membro da diretoria – Guilherme Azevedo/Placar

Atualmente, dois grupos internacionais demonstram interesse em um aporte no Coelho. Anteriormente, o Grupo City, dono do Manchester City, chegou a negociar com o América, mas os atuais presidentes enxergaram o projeto como incompatível aos desejos do clube.

Projeto de futebol

“Você pode ter certeza, quem perde aprende muito”, disse Marcus Salum logo no início da entrevista para falar sobre a administração do futebol. Membro do conselho de administração, Euler de Almeida Araújo citou o fator novidade nos desafios de planejamento para esta temporada: “Estamos pisando em lugares que nunca pisamos antes, mas temos pessoas boas na diretoria, que remam para o mesmo lado.”

CT Lanna Drummond -
CT Lanna Drumond – Guilherme Azevedo/Placar

O membro da diretoria seguiu explicando sobre as dificuldades de gerir um orçamento baixo e montar um elenco competitivo. Na mesma linha, ambos os presidentes afirmaram que não serão dados “passos maiores do que a perna”. Entretanto, há consenso dentro do clube que o próprio mercado de transferências pode ser de mudanças.

Segundo o treinador Vagner Mancini, em exclusiva a PLACAR, o plantel ideal deve ter cerca de 26 atletas, mais quatro goleiros. Atualmente, o profissional diz trabalhar com cerca de 33 jogadores de linha, o que dificulta a transição e o espaço para jogadores das categorias de base.

Durante visita ao CT Lanna Drumond, o diretor de futebol, Frederico Cascardo, especificou que o modelo de jogo ideal para o América é competir de igual para igual com todos os adversários. Questionado sobre possíveis mudanças no decorrer do trabalho, Fred respondeu: “Estamos construindo uma identidade e a ideia não é mudar.”

À frente do América desde abril, Vagner Mancini fez bom trabalho pelo Coelho em 2021 e retornou depois de meses no Grêmio. O profissional conta que atualmente os processos médico, fisiológico, físico, técnico e tático são integrados no clube e isso é um dos motivos do sucesso. “O América está evoluindo dia após dia, como um clube.”

Vágner Mancini durante treino tático -
Vágner Mancini durante treino tático – Guilherme Azevedo/Placar

Mancini afirmou ter o hábito de inserir o tema tático no cotidiano com os atletas. Além disso, citou a participação dos profissionais de análise de desempenho neste trabalho, que buscam individualizar relatos. “Eu acho importante que os meus jogadores conheçam de tática. Porque no jogo não é possível parar e indicar o que quero que façam. Esse entrosamento demora, aí que vai o tempo de trabalho.”

Alinhado ao ideal que o clube prega, Mancini busca fazer o América incomodar todos. Consciente da diferença entre orçamentos, falou: “Desde que cheguei aqui eu disse que o América deve ser o time mais chato do Brasil. Quando eu tenho um time com um dos menores investimentos da Série A, busquei que a gente causasse desconforto em todos. Time extremamente rápido, competitivo, que entregue tudo dentro de campo.”

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