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O drible da vaca, eternizado nas páginas de PLACAR

Nos anos 1980, ninguém executava a jogada como Zé Sérgio do São Paulo. Não haveria, portanto, jogador mais afeito a entrar em cena com a bela ruminante

Por Luca Castilho 25 nov 2021, 12h36

Numa edição anterior de PLACAR, na série destinada a materializar em fotografias expressões populares do futebol, a revista pôs Sócrates, Casagrande, Zenon e Biro-­Biro para “jogar como música”, de violinos em punhos. E então, em meados de 1983, era a hora de mostrar o “drible da vaca”. O escolhido: Zé Sérgio, aos 26 anos, ponta-esquerda do São Paulo, driblador genial, ídolo da criançada. O difícil foi fazer o introvertido craque, tímido vocacional, soltar-se na sessão de fotos. “Fazer o drible em um marcador era uma coisa, agora em uma vaca foi difícil”, ri o jogador, lembrando daquela tarde de calor paulistana. A ruminante alvinegra foi para a cena por obra do fotógrafo Nico Esteves, para quem a palavra “impossível” nunca constou dos dicionários.

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Quando se mudou para São Paulo, convidado para trabalhar na redação a convite de Juca Kfouri, o gaúcho Esteves optou por comprar uma casa na Granja Viana. “Minhas duas filhas eram pequenas (Julieta, 3 anos, e Carolina, 4) e decidi que moraríamos em uma casa, e não em um apartamento, com a ideia de que elas pudessem desfrutar de um amplo espaço para brincar”, diz. Foi o que aconteceu. O fotógrafo arrendou um imóvel dentro de uma área de 8 000 metros quadrados, com direito a um gramado de futebol.

Na vizinhança, havia áreas de pasto para pequenos rebanhos, que hoje não existem mais. O profissional então solicitou ao jardineiro que conseguisse uma vaca emprestada. Formosa (e que outro nome poderia ter?) foi a escolhida. E mãos à obra. “Foi tudo combinado e cronometrado, até porque a vaca tinha hora para se recolher, assim como o Zé para voltar à concentração do São Paulo”, diz Esteves. “Uma falha, muita demora, e arrumaríamos problemas com os donos do bicho e com a diretoria do São Paulo.”

Habituado a tocar a bola de um lado, passar pelo marcador pelo outro e retomar a posse de bola, era recurso que Zé Sérgio executava à perfeição. Mas o bicho deu trabalho, e por isso ele ainda lembra da dificuldade da encenação. “A vaca ficava de frente e, quando eu tocava a bola, ela virava a cabeça para o lado que eu ia correr (risos)”, diz Zé Sérgio. “O ano de 1983 não foi um dos meus melhores por uma série de lesões que eu tive e a reportagem ajudou a elevar minha autoestima.”

Matéria publicada na edição impressa 1480 de PLACAR, de outubro de 2021 

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