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1ª final entre Flamengo e Palmeiras teve brilho de Caio e boicote da Globo

Em 1999, o título da Mercosul ficou com a equipe rubro-negra após um festival de gols no Maracanã e no Palestra Itália

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 30 set 2021, 12h00 - Publicado em 30 set 2021, 11h54

Flamengo e Palmeiras farão em 27 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, uma das finais mais aguardadas da história do futebol nacional. Dominantes nos últimos anos, cariocas e paulistas elevarão esta nova rivalidade interestadual a seu ápice na grande decisão da Libertadores, que vale o tricampeonato para ambos. Há 22 anos, os clubes também decidiram uma final continental menos badalada, mas repleta de gols: 13, somando o jogo de ida no Maracanã e o de volta no velho Palestra Itália.

O jogo valia o título da Copa Mercosul de 1999, então o segundo torneio mais importante do continente, atrás da Libertadores (seria o equivalente a atual Sul-Americana). Organizado pela Conmebol, em parceria com a empresa brasileira Traffic, o campeonato não prosperaria – durou de 1998 a 2001 -, mas registrou duas finais espetaculares naquele ano. O Palmeiras de Luiz Felipe Scolari vinha abalado pela derrota para o Manchester United na final do Mundial de Clubes, enquanto o time rubro-negro ainda se recuperava da saída conturbada de Romário, que ainda assim terminaria como artilheiro da Mercosul.

No Maracanã, o Flamengo venceu o primeiro jogo de virada, por 4 a 3, com um gol de Reinaldo aos 44 minutos do segundo tempo; antes, Caio Ribeiro (duas vezes) e Juan marcaram para os mandantes, enquanto Júnior Baiano, Faustino Asprilla e Paulo Nunes marcaram pelo Palmeiras. A decisão ficaria para São Paulo. Na época, não havia a regra do gol fora de casa e qualquer vitória simples do Palmeiras levaria o jogo para as penalidades (o que, para quem tinha Marcos no gol, não seria mau negócio).

  • Em 20 de dezembro de 1999, houve novo festival de gols. Arce, de pênalti, abriu o placar para o Palmeiras. Caio, novamente decisivo, empatou para os visitantes, que depois virariam com um belo gol de Rodrigo Mendes. Arce, de novo, de falta, aproveitando falha do goleiro Clemer, e Paulo Nunes, de cabeça, incendiaram o jogo, mas, já perto do fim, o jovem Lê recebeu em velocidade e tocou na saída de Marcos para selar o 3 a 3 e o primeiro título internacional do Flamengo desde os títulos da Libertadores e do Mundial de 1981.

    A edição de janeiro de 2000 de PLACAR destacou o duelo, chamando a atenção para um fato inusitado: o boicote da Globo à competição, que era transmitida com exclusividade pela Band, parceira da Traffic. A emissora carioca “escondeu” a Mercosul de sua programação e o mesmo ocorreria na sequência, na organização do Mundial de 2000, vencido pelo Corinthians sobre o Vasco. Assim narrou PLACAR:

    “A Copa Mercosul – vencida pelo Flamengo em 20 de dezembro – fez dois anos sem ainda ter conquistado o povão. J. Hawilla, manda-chuva da Traffic (organizadora do torneio), não esconde a intenção de suplantar a Libertadores em importância. Para isso, tem que corrigir problemas. O primeiro é que hoje os participantes entram por convite, não por mérito. Hawilla promete que este ano três dos sete brasileiros e dois dos seus argentinos entrarão por critério esportivo, a ser definido pelas respectivas federações (CBF e AFA). Em 2001, ele espera que alguns campeões nacionais ganhem vaga na Mercosul, passo decisivo para competir com a Libertadores. “Uma competição tem um prazo de cinco anos para atingir a maturação”, avalia o empresário. Outro obstáculo é o boicote mal disfarçado da Globo, que quase não cita a competição em seus noticiários. A ordem é silenciar. O motivo é que ela passa na concorrente Bandeirantes, cuja programação esportiva é controlada pela Traffic. Os gols da final foram exibidas no “Globo Esporte” no Rio, mas só porque era o Flamengo – e depois de bastante debate na emissora.”

    PLACAR de janeiro de 2000 destacou título do Flamengo e boicote da Globo à Mercosul
    PLACAR de janeiro de 2000 destacou título do Flamengo e boicote da Globo à Mercosul Reprodução/Placar

    Muitos anos depois, as ligações de Hawilla com a Conmebol resultariam na sua prisão. Ele, aliás, foi um dos principais delatores do escândalo de corrupção da Fifa, que prendeu dezenas de dirigentes ao redor do mundo, a partir de 2015. Ele morreu em 2018, aos 74 anos.

    Curiosamente, a Libertadores de 2021 tampouco será transmitida pela Globo, que perdeu a concorrência para o SBT. Desta vez, porém, não haverá como a emissora ignorar um dos jogos mais badalados do país.

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