CLIQUE E RECEBA EM CASA A PARTIR DE R$ 14,90/MÊS
Planeta Futebol Feminino na PLACAR

Isabelly Morais: uma das vozes femininas nos Jogos Olímpicos de Tóquio

O Planeta Futebol Feminino conversou com a narradora que participou da cobertura do BandSports nas Olimpíadas

Por Nielson Santos Atualizado em 23 set 2021, 14h07 - Publicado em 12 ago 2021, 10h08

Os Jogos Olímpicos de Tóquio marcaram a melhor participação feminina da história do Brasil, com nove medalhas conquistadas por mulheres. Mas o brilho feminino não ficou apenas no desempenho das atletas. Nas telinhas, as mulheres fizeram história ao comandar os microfones. Na narração, Isabelly Morais, no BandSports; Renata Silveira e Natália Lara, nos canais SporTV, se destacaram e foram as vozes das diversas modalidades nas Olimpíadas.

Assine a revista digital no app por apenas R$ 8,90/mês

Para a narradora do Grupo Bandeirantes Isabelly Morais, essa edição das Olimpíadas deu mais visibilidade para a narração de mulheres e, segundo ela, este é o momento mais especial para o movimento. “A narração feminina é um caminho sem volta desde que a primeira mulher narrou e o que temos feito ao longo dos anos é alimentado esse movimento e, com certeza, agora é o momento mais especial para a narração de mulheres porque a gente tem tido mais espaço, mais oportunidades, mais visibilidade”, conta. “Eu acho que esta edição foi muito importante porque a gente pôde mostrar ainda mais a nossa capacidade, como a gente pode se preparar, se dedicar, fazer grandes transmissões com qualidade, informação, respeito às modalidades e também as histórias. Todo profissional quando se prepara para algo pode desempenhar um bom papel e não é diferente com as mulheres”, destaca a narradora.

.
Isabelly Morais, quando era narradora da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais América-MG/Divulgação

Isabelly admite que a profissão não era um sonho, mas que se viu fascinada pela narração e logo fez disso seu grande objetivo profissional. “Eu não comecei a narrar futebol porque eu sonhava com isso, mas sim foi muito do destino, pois partiu de um convite que recebi de um chefe em uma rádio que eu trabalhava como estagiária. Eu aceitei o convite, narrei, depois surgiu outras oportunidades e quando eu vi estava totalmente mergulhada na narração, comecei a me preparar mais e fiz disso minha vida, a minha profissão”, fala.

Para a narradora, meninas crescerem com o sonho de serem narradoras é difícil e isso tem um porquê: “A gente sempre cresceu ouvindo homens narrando futebol, mas eu penso que cada vez que, nós mulheres, ligamos o microfone e vamos para o ar plantamos uma sementinha no movimento da narração de mulheres, podendo mostrar para outras meninas que elas podem narrar e fazer o mesmo. A referência é criada em cada grito de gol, em cada modalidade que a gente narra, em cada vez que a gente está no ar”, pontua. “Muitas mulheres trabalharam para que a gente estivesse aqui hoje, então temos que seguir batalhando para que outras possam estar aqui no futuro e é isso que faz com que não só o movimento de mulheres na narração, mas que o movimento de mulheres seja tão contínuo e tão especial porque as mulheres lutam por outras”, completa Isabelly.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Durante os Jogos Olímpicos, Isabelly narrou os jogos da seleção brasileira feminina no BandSports, uma oportunidade muito aguardada e que foi abraçada com carinho pela profissional. “Eu cubro futebol feminino desde 2016, transmito desde 2019 e tive a chance de narrar a seleção feminina no BandSports vindo de toda uma trajetória, de estudar e conhecer as atletas. Fiquei super feliz e tranquila em narrar a seleção, pois já conhecia todas as atletas muito bem, as histórias delas e vinha narrando jogos da grande maioria ao longo das últimas temporadas. É muito gratificante narrar uma seleção que você conhece tão bem e foi lindo, fiz os três jogos da primeira fase e foram especialíssimos pra mim porque estava esperando muito para ter essa oportunidade”, disse.

Acesse o site do Planeta Futebol Feminino e confira o trabalho mais de perto

Narrar futebol não foi o único desafio encarado por Isabelly nos Jogos Olímpicos. Até então, ela não tinha narrado nenhuma outra modalidade a não ser o futebol, mas acumulou outros 11 esportes narrados durante os Jogo de Tóquio: polo aquático, triatlo misto, tiro com arco, vôlei de praia, luta olímpica, tênis de mesa, saltos ornamentais, vela, ginástica rítmica, marcha atlética e nado artístico.

“Em cada uma das modalidades narradas descobri uma vertente da minha narração e da profissional que eu sou. Me dediquei muito para todas e antes dos Jogos tinha estudado sobre todas as modalidades e me aprofundado sobre todo o Time Brasil. Cada vez que chegava uma modalidade nova me dava um frio na barriga e eu pensava: ‘nossa, que legal!’. Saio dos Jogos Olímpicos com 12 modalidades narradas e muito realizada porque sempre foi meu maior sonho de carreira e cobrir com a narração de tantos esportes me fez descobrir muito sobre mim e fico muito feliz por ter descoberto através da narração. Foi muito especial”, relata.

Isabelly acredita que o movimento de mulheres na narração sai fortalecido dos Jogos Olímpicos e que os preconceitos pouco a pouco vão perdendo força.  “Muitas pessoas chegam com um pé atrás quando vê que é uma mulher que está narrando, mas vai percebendo como podemos entregar um material de qualidade tanto quanto qualquer outro profissional. É só entender que esses passos podem ser dados e o bom é que nesses grandes eventos e momentos as pessoas veem que têm veículos confiando na gente e isso vai alimentando o movimento”, finaliza.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Publicidade