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A consolidação da seleção feminina de beach soccer após seu 1º título

O PFF conversou com a melhor jogadora da Copa Intercontinental, a defensora Bárbara Colodetti: “as expectativas são as melhores daqui pra frente”

Por Nielson Santos Atualizado em 23 set 2021, 14h04 - Publicado em 26 ago 2021, 13h26

Resistência e atraso são duas palavras que fazem parte da história de luta de qualquer modalidade esportiva praticada por mulheres. Não é diferente no beach soccer, o popular futebol de areia no Brasil. A seleção brasileira feminina da modalidade foi formada apenas em 2019, mas as atletas ignoram o atraso e já colecionam grandes feitos representando a “amarelinha”. No último dia 15, elas conquistaram o primeiro título da história do beach soccer feminino brasileiro.

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A seleção venceu a Copa Intercontinental de Beach Soccer Feminino, que foi apenas a terceira competição disputada pelas brasileiras na história. Antes disso, elas haviam conquistado uma expressiva medalha de bronze nos Jogos Mundiais de Praia em outubro de 2019, primeira competição disputada na história pela seleção. No mesmo ano, o Brasil ficou com o vice-campeonato no Sul-Americano. Em 2020, as brasileiras tiveram que lidar com a falta de calendário, por causa da pandemia da Covid-19.

Realizada em Moscou, na Rússia, a Copa Intercontinental vencida pelo Brasil foi disputada em formato quadrangular e, além das anfitriãs, reuniu os Estados Unidos, e a Espanha, as líderes do ranking mundial da modalidade. As brasileiras estrearam vencendo a temida Espanha por 3 a 2. No segundo confronto, o Brasil superou, de virada, as norte-americanas por 5 a 3.

Devido a combinação de resultados, a seleção brasileira já entrou para o último compromisso com o título garantido e acabaram superadas pelas donas da casa por 4 a 1. Depois do jogo, festa das brasileiras que colocaram o beach soccer brasileiro no lugar mais alto do pódio pela primeira vez na história.

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Plantel da seleção brasileira feminina de beach soccer que conquistou a Copa Intercontinental Beach Soccer Worldwide/Divulgação

As goleiras Ana Bê e Natalie; as defensoras Bárbara Colodetti, Dani Barboza, Jasna e Noele; e as atacantes Adriele, Lelê Villar, Milene, Nayara e Pintinho, sob o comando do técnico Fabrício Santos, foram as responsáveis por fazer história ao conquistar o primeiro título da seleção brasileira de beach soccer.

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Eleita a melhor jogadora da competição, a defensora Bárbara Coledetti ressalta a importância da conquista. “É a realização de um sonho pra mim e todas as meninas que estão ali e batalharam por este sonho de representar nosso país, quando estamos no pódio levantando uma taça inédita vem todo um filme na cabeça e nos mostra que estamos no caminho certo e, com certeza, esse foi o primeiro título de muitos”, projetou.  “Ser melhor jogadora de uma competição é muito prazeroso, ganhar o campeonato é sempre meu objetivo maior, mas acho que naturalmente as coisas acontecem, tive boas atuações, fui presenteada com esse prêmio e fico muito feliz também”, comemora a jogadora.

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A brasileira Barbara Colodetti, eleita a MVP do torneio, ao lado das russas Anna Cherniakova, artilheira da competição, e Anna Akylbaeva, melhor goleira – Beach Soccer Worldwide/Divulgação

Dita como uma das lideranças do grupo, Bárbara sabe, como ninguém, todas as dificuldades enfrentadas pela modalidade. Por muito tempo, a capixaba teve que conciliar o beach soccer com outras modalidades. “Eu comecei no futsal ainda na escola, depois passei por clubes do meu estado e também joguei no futebol de campo pelo Kindermann, onde cheguei a ser convocada para a seleção brasileira de base. Também fui para seleção de fut7, mas apenas em 2015 comecei a me dedicar exclusivamente ao futebol de areia, quando começaram a surgir melhores oportunidades, inclusive fora do país”, conta.

Bárbara foi uma das primeiras atletas brasileiras a atuar fora do Brasil. Em 2015, defendeu o Catanzaro, da Itália, pelo campeonato de beach soccer local. Em seguida, ela também defendeu outras equipes italianas e coleciona passagens por outros países, como Hungria, Polônia e Rússia, onde fez história atuando pelo Zvezda ao ser campeã e se tornar a primeira estrangeira a atuar no torneio local. Ela também conquistou o Mundial de Clubes na Turquia em 2019, sendo eleita a melhor jogadora e artilheira da competição.

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Bárbara Colodetti é uma das capitãs da seleção brasileira feminina de beach soccer e uma das mais experientes do plantel – Beach Soccer Worldwide/Divulgação

Com a experiência de quem acompanhou de perto a luta pelo desenvolvimento do beach soccer brasileiro, Bárbara acredita que o momento é o ideal para o crescimento da modalidade no país. “Acho que participar desse processo inicial da seleção é a realização de um sonho, tantos anos batalhando para que as coisas acontecessem e passar um pouco da minha experiência é muito prazeroso. É aproveitar os frutos dessa conquista, pois apesar da maioria das atletas já jogarem a modalidade há mais de 15 anos, a seleção só foi formada dois anos atrás”, lembra.

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“Temos meninas excepcionais, talentosas, já experientes dentro da seleção e é uma troca muito boa. Estamos orgulhosas dos resultados que conquistamos nesse período e cada vez mais o beach soccer brasileiro vem ficando forte, com mais atletas indo jogar fora do país, tendo oportunidades em outros clubes e fortalecendo também o beach soccer no Brasil”, disse. “Acho que as expectativas são as melhores daqui pra frente e a gente espera um calendário com cada vez mais competições aqui no Brasil, que é importante fortalecer e olhar para dentro, pois temos muitos talentos em cada canto do Brasil”, finaliza Bárbara.

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