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Série A italiana vai proibir uniformes verdes a partir de 2022

Medida visa evitar confusão com a cor do gramado nas transmissões de TV

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 set 2021, 14h20 - Publicado em 15 jul 2021, 13h51

A Série A italiana anunciou nesta semana uma medida controversa em seu regulamento sobre uniformes de jogo. A partir da temporada 2022/2023, “fica proibido o uso de uniformes verdes para jogadores de campo”, diz um dos trechos. A mudança foi anunciada com um ano de antecedência para que os clubes e seu fornecedores de material esportivo possam se adaptar.

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A norma atende aos interesses das emissoras de televisão, para que se evite que o uniforme se confunda com a cor do gramado e também com as placas de publicidade digitais, dificultando a visualização da transmissão.

Já nesta sexta-feira, 16, diante da enorme polêmica, o diário La Gazzetta Dello Sport, esclareceu junto à federação que o veto se refere apenas a uniformes titulares. Ou seja, as equipes estarão proibidas de utilizar verde como uniformes 2 ou 3. Goleiros também poderão seguir atuando em verde.

O regulamento também estabelece que sempre um clube deve jogar em tom escuro e o outro em tons claros, reforçando a tendência aos uniformes monocromáticos já vista até em Copas do Mundo.

Atualmente, o Sassuolo, que veste camisa listrada em verde e preto, é o único a utilizar a cor em sua camisa principal. O recém-promovido Venezia também tem detalhes em verde no uniforme. Diversas equipes, no entanto, como Atalanta e Lazio, utilizaram uniformes alternativos verdes nas últimas temporadas.

Ainda que se restrinja aos uniformes reservas, a medida gerou controvérsia. “As instituições possuem suas cores – muitas delas centenárias – são como um pedaço do corpo. Alguns compram carros, roupas ou qualquer acessório da tonalidade que venha do clube do coração. Imagine privar uma equipe de usar a cor em sua principal vestimenta? Sinceramente, não consegui enxergar onde uma ação tão dura possa ajudar no crescimento e melhoria do nosso futebol”, opina Renê Salviano, especialista em marketing esportivo e dono da agência de publicidade Heatmap, que cuida de negócios relacionados ao esporte em geral.

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Daltonismo e a polêmica na última Copa

Especula-se também que o banimento dos uniformes verdes seja uma medida de apoio aos daltônicos. O daltonismo é um problema de visão geralmente hereditário, que acomete mais homens que mulheres, e envolve a incapacidade de diferenciar cores. A confusão mais comum ocorre entre tons de vermelho e verde.

Projeção mostrou como daltônicos assistiram a Rússia x Arábia Saudita em 2018
Projeção mostrou como daltônicos assistiram a Rússia x Arábia Saudita em 2018 Twitter/Reprodução

Na abertura da última Copa do Mundo, a Fifa não se atentou à escolha dos uniformes de Rússia e Arábia Saudita e causou controvérsia. “O daltônico só reconhece os times de longe nesse jogo pelos calções”, afirmou um torcedor nas redes, iniciando o debate. Projeções mostraram que tanto as camisas vermelhas dos russos quanto o uniforme inteiro verde dos árabes aparentavam ter a mesma tonalidade, entre marrom e cinza.

Leia mais: Destaque da Dinamarca na Euro é um ícone de apoio a daltônicos

Apesar desta falha, a Fifa está ciente do assunto e há anos vem optando por organizar suas partidas em tons monocromáticos (uma equipe com uniforme inteiramente claro e outra toda de escuro). É por isso que se tornou comum ver, por exemplo, Argentina e Alemanha abandonando seus calções pretos no uniforme titular, algo que incomodou os tradicionalistas.

Ao priorizar uniformes monocromáticos e em tonalidades bem distintas, a Fifa evita incômodos para daltônicos e também para pessoas que ainda utilizam televisão em preto e branco – são minoria, claro. Há alguns anos, a Nike chegou a cogitar (e até produzir) um calção amarelo para a seleção brasileira, o que podia obrigá-lo a jogar todo de ‘canarinho’ ao enfrentar uma seleção de azul, por exemplo. A ideia foi rejeitada após pressão da CBF.

Lance no jogo entre Alemanha e Argentina na final da Copa no Maracanã, no Rio
Alemanha x Argentina em duelo monocromático na final da Copa de 2014 Ricardo Corrêa/VEJA/VEJA
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