A lógica do dirigente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, que desdenhou dezenas de milhões de euros por Neymar, inverteu a lógica do mercado e agora pretende surfar na onda criada pela permanência do craque no país
Refestelado em sua cadeira de presidente do Santos na Vila Belmiro, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro foi logo disparando:
— E aí? O que você achou?
— Acho que o senhor surpreendeu muita gente.
— E os caras nem para admitirem que estavam errados, pô! O que teve de gente “vendendo” o menino… Senta aí.
O anúncio da permanência de Neymar no Santos até 2014 ainda não havia completado 24 horas, e a sala da presidência do clube vibrava numa atmosfera elétrica naquela quinta-feira de novembro. As telas de computador estavam, todas elas, iluminadas por notícias do feito da tarde anterior. Na antessala, uma equipe de televisão japonesa aguardava ansiosa com seu equipamento. As ligações precisavam ser barradas pelas secretárias. Um ou outro conseguia furar o bloqueio telefônico, como o senador Eduardo Suplicy, colega de escola. “Muito obrigado, Eduardo. Resgatamos o orgulho brasileiro!”, respondia Luis Alvaro deste lado da linha, entre goles de café, que ele sugava com os lábios retesados por um sorriso persistente. Àquela noite Laor (ele é conhecido pelas iniciais do nome completo) ainda aproveitaria para se lançar candidato à reeleição. E sabia que seria uma barbada.
Há pouco mais de dois anos, seu nome não costumava frequentar o noticiário esportivo. Era um bemsucedido homem de negócios que havia sido conselheiro e candidato derrotado à presidência do Santos em 2003. Chegou ao poder na segunda tentativa, em 2009. Quando se senta à mesa de presidente, um retrato do avô pendurado na parede o observa por cima do ombro direito. Alvaro, o avô sergipano, foi o primeiro na família a assumir a presidência do clube, entre 1914 e 1917, época em que comprou o terreno da Vila Belmiro. Morreu na véspera da inauguração do estádio. Agora, o neto homônimo completa o primeiro mandato com uma Libertadores na conta. A três semanas do pleito santista, ele descansa seu iPhone em cima da mesa: “Era o [Emílio] Surita. Ele quer eu e Neymar no programa Pânico”.
Do Boqueirão à Índia
Não é exagero dizer que, com a não venda do Neymar, a gestão de Luis Alvaro inverteu a ordem do mercado da bola, alçando-o para uma popularidade espantosa. As opiniões se dividem. Uns acham que ele fez uma jogada de mestre; outros, que está rasgando dinheiro. O consenso é de que Laor não é um dirigente tradicional. A começar pela gestão descentralizada do Santos, que se assemelha ao parlamentarismo. Convidado pelo grupo de oposição (Resgate Santista) a concorrer às eleições em 2009, ele diz que condicionou sua candidatura à constituição de um “parlamento” informal. “Havia um grupo de empresários notáveis que estavam dispostos a dar parte de seu tempo para ajudar o Santos diante da situação preocupante em que o clube se encontrava.” Criou-se o grupo Guia [Gestão Unificada de Inteligência e Apoio] para ampará-lo.
Durante cafés da manhã semanais, às segundas-feiras, o grupo discutiu assuntos do clube nos primeiros dois anos de Laor. Não era raro que alguns desses empresários, como Walter Schalka (presidente do grupo Votorantim) tivessem de participar por videoconferência de lugares como Índia ou Malásia, durante viagens de trabalho ao exterior. “Assumi o Santos com uma dívida de 71 milhões a curto prazo. Sem a experiência acumulada e os contatos desses caras, seria muito difícil reposicionar as dívidas com os bancos. Antes, o poder do Santos era discutido nas mesas do Boqueirão”, diz Luis Alvaro. De fato, os partipantes do Guia (veja ao lado) são acostumados a transações que envolvem muito mais dinheiro que as vendas de jogadores. Nos cafés da manhã do grupo saiu a solução financeira para trazer Robinho em 2010 (com salários pagos por patrocinadores não revelados), a contraproposta feita a Neymar contra as investidas do Chelsea e a criação da Terceira Estrela S.A. (Teisa), empresa para investir em jogadores santistas.
“Não sou contra esse tipo de aporte. O que não pode existir é favorecimento a amigos”, diz Marcelo Teixeira, presidente anterior, sobre o fato de que alguns dos sócios da Teisa também participam do Guia. “Estávamos precisando de dinheiro para contratar jogadores e acertar fluxo de caixa. A Teisa tem 30 cotistas e apenas cinco deles pertencem ao conselho. Se santistas não podem botar dinheiro, vou contar com quem? Com corintianos?”, diz. A Teisa comprou parte dos direitos de Arouca, Elano e Jonathan, além de 5% de Neymar.
O escritório de advocacia Pinheiro Neto foi contratado para redigir um novo estatuto do Santos, que vale a partir de janeiro de 2012. Nele, o Guia dá lugar a um comitê de gestão formal. A Teisa deixará de existir, e um fundo fechado para investidores santistas com mais de 300 000 reais aplicados terá a mesma função.
Quatro paradas cardíacas
Laor nasceu em Santos, há 68 anos, mas cresceu no elegante bairro do Jardim América, em São Paulo. Estudou no colégio São Luís (quando foi colega do também santista Eduardo Suplicy), frequentou o aristocrático clube Harmonia e sempre teve bons contatos com a alta roda paulistana. Aos 16 anos, virou presidente da União dos Estudantes Secundaristas Paulistanos e começou a praticar sua oratória. Aos 20 anos, foi a Brasília ser oficial de gabinete do Ministério da Educação. Dividia apartamento com Betinho de Souza, era amigo de José Serra e da chamada esquerda católica. Com o golpe de 1964, largou a faculdade de Ciências Sociais da USP para montar seu escritório de publicidade. Aos 22 anos, estava casado e era pai.
Antes dos 30 anos, deixou a publicidade para trabalhar com avaliação imobiliária. Foi diretor de patrimônio do Banespa — quando foi convidado pelo ex-jogador Zito a virar conselheiro do Santos na gestão de Milton Teixeira (pai de Marcelo), em 1985. Tornou-se chefe de gabinete do Ministério da Fazenda na gestão de Bresser Pereira durante o governo Sarney e depois foi diretor do Banco Central. Voltou a São Paulo para abrir sua consultoria imobiliária, a Adviser, que mantém até hoje. Depois de três casamentos e seis filhas (elas têm entre 15 e 46 anos), o solteiro Laor vive entre São Paulo e Santos. Aos domingos, costuma reunir filhas e netos para um grande almoço em família, em que faz questão de cozinhar.
Foi conselheiro do Santos entre 1985 e 2002, quando pediu demissão por não concordar com um balanço fiscal. “A gestão do Marcelo Teixeira contabilizava como ativo realizável as multas de contratos de jogadores. Um absurdo.” O ex-presidente santistadiz ter estranhado a postura de Laor. “O Luis Alvaro sempre foi um aliado. Se ele achava que algo não estava certo, aquele era o momento certo para ele exercer o direito de conselheiro.”
Na mesma época em que deixou o conselho, foi vítima de um infarto em casa. No hospital Albert Einstein, teve quatro paradas cardíacas. “Quebraram-me uma costela fazendo massagem cardíaca”, lembra Laor. Hoje ele toma 13 remédios diariamente. Por causa das despesas com medicamentos, diz que já ganhou dois televisores em sorteios de farmácia.
Dois meses após estar entre a vida e a morte, aceitou o primeiro convite para ser candidato a presidente do Santos. “Por sorte perdi, ou estaria morto.” O nome de Laor voltaria à pauta da oposição nos dois pleitos seguintes, mas ele diz ter negado as candidaturas para ter contato mais próximo com as duas filhas mais novas. Em 2009, decidiu concorrer outra vez. “Tudo que poderia ter querido, em termos de destaque profissional, eu tive. Agora é paixão.”

Foto: Alexandre Battibugli
Luis Alvaro comemora a Libertadores 2011 ao lado do lateral Léo, no Pacaembu
A engenharia do Fico
No dia 9 de novembro de 2011, o Santos convocou a imprensa para um pronunciamento. Laor abriu a coletiva com uma pergunta: “Vocês querem ouvir uma boa notícia com enrolação ou sem enrolação?” Atendendo aos pedidos dos jornalistas para ser direto, Laor fez um discurso de 4 minutos e 57 segundos antes de anunciar: “Neymar continua conosco até a Copa do Mundo de 2014”. O acordo dava fim a uma novela que se arrastou por cerca de quatro meses, com Barcelona e Real Madrid cobrindo as propostas do concorrente para contar com Neymar. Os valores ultrapassavam a multa de 45 milhões de euros e vinham acompanhadas de outras compensações, como luvas ao pai e amistosos com o Santos.
Por várias vezes, Neymar esteve perto de assinar com um dos gigantes espanhóis. Mas Laor diz que tinha algumas cartas na manga. “Havia um contrato até 2015, e eu sabia que a Fifa não permite rescisão unilateral nos primeiros três anos de contrato. Os clubes poderiam ter dado o dinheiro para ele pagar a multa, mas o Fisco espanhol costuma taxar esse tipo de transação com um custo elevadíssimo. Então, eles tinham de fazer uma negociação livre com o Santos. Só que os valores foram subindo tanto que uma hora a gente teve de ceder.” O Santos, então, fez uma proposta que Laor considera “financeiro-afetiva”: a multa rescisória aumentou para prendê-lo ao clube (especula-se que para 70 milhões de euros), a participação de Neymar nas verbas de publicidade em que é garoto-propaganda subiu (calcula-se que para 90%) e a duração do contrato diminuiu em cerca de um ano. Após a Copa, ele estará livre para fechar com outros times. Santos e investidores não ganharão nada.
Em sua cadeira de presidente na Vila Belmiro, ele conta a “sacada”, orgulhoso. “Ninguém entendeu que, desde a Lei Pelé, o jogador de futebol foi igualado aos outros trabalhadores do Brasil. É livre após o cumprimento do contrato de trabalho. Empresários forçavam a saída antes para que o clube recebesse a multa rescisória e eles ganhassem comissão. Só que encontraram um adversário dessa prática, que sou eu. O Wagner Ribeiro [agente de Neymar] iria ganhar uma bolada se ele fosse para o Real — e ficava martelando que era uma oportunidade única. Foi mais um adversário que tive de enfrentar.” O empresário não demonstra mágoas com as palavras do presidente. “Não foi o desfecho que eu esperava, admito. O Laor acha que fez o melhor negócio do mundo para o Santos, e talvez tenha feito mesmo. O clube só tinha 55% do jogador, e vai ganhar muito com ele na Vila até 2014.”


Boa noite !! Laor você pra mim é o melhor Presidente do Santos ,do tempo que me conheço por gente …. Pois admiro muito seu trabalho , e o modo como o senhor lidar com a situações que aparecem no Santos ..Gosto do trabalho que o senhor faz no Santos , tenho certeza e acredito que o senhor é uma excelente pessoa , tem um otmo carater , o que o senhor esta fazendo para poder manter grandes jogadores no Santos como Neymar
e o meia Paulo Henrique Ganso … O senhor merece e muito ser abeçoado por Deus ,eu acredito muito no seu trabalho e nas coisas que o senhor faz e corre atras para o clube .. Quero lhe agradecer por fazer do nosso Santos um time vecendor e guerreiro novamnete , o Santos tem que estar em alta , pois é o time do Rei , lhe agradeço do mundo do meu coração ,obrigado por tudo que esta fazendo pelo o Santos … Admiro muito seu trabalho…
Sr. Laor fico agradecido por fazer parte da história do Santos
o Santos sempre vai lembrar do LAOR como Presidente que mudou a
história do Santos
Seu caráter é digno de respeito
A nação Santista está no mar branco de felicidade
tenho orgulho de ser Santista e ter raizes em Santos
LAOR, o trabalho árduo que o sr tem desempenhado a frente do Santos frutificou rapidamente mostrando que alem da competência, soube aproveitar e bem os alores e talentos que estavam no clube e que na administra ao anterior só foram usados quando nao havia mais o que fazer ou o que gastar. Parabéns.