O goleiro Marcos anunciou, nesta quarta-feira, sua aposentadoria do futebol. O arqueiro, que defendeu o Palmeiras em 530 jogos, também foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002.
A seguir, relembre um texto sobre Marcos publicado na edição 1303 da Placar, de fevereiro de 2007.
Era o primeiro dia de Caio Júnior no Palmeiras. O técnico chamou Marcos para conversar. Disse que o goleiro deveria esquecer as seguidas lesões de 2006 e que seria seu capitão e titular. Mas a resposta de Marcos não foi bem a esperada pelo novo treinador… “Olha, professor, eu tenho nome e tudo o mais aqui dentro, mas o menino aí é muito bom. Não aceito jogar com nome. Se ele estiver melhor, tem que jogar. Essa coisa que a imprensa fala que eu não posso ficar no banco, pelo amor de Deus…” O ‘menino aí’ é Diego Cavalieri, que em 2006 substituiu Marcos na maior parte do Brasileiro e saiu-se como um dos melhores goleiros da competição — atrás apenas de Rogério Ceni na Bola de Prata.
Marcos foi eleito o maior goleiro da história do Palmeiras na edição Meu Time dos Sonhos, da Placar. Após dois anos muito ruins por causa de lesões, ele se cansou dessa história de ser patrimônio. Diz que tem ‘respeito até demais’ no clube. E tudo o que quer agora é voltar a jogar seguidamente. Ter o nome gritado por defesas que está fazendo, não pelas que já fez. Até do pênalti que defendeu de Marcelinho em 2000, na semifinal da Libertadores, ele já enjoou (o termo ‘enjoar’ é do próprio goleiro). A narração do lance, na voz de José Silvério, é tocada nos alto-falantes do Palestra Itália até hoje em intervalos de jogos. Na redação de Placar, é usada toda vez que um palmeirense quer encerrar uma discussão com um rival corintiano. Durante a pré-temporada que o Palmeiras fez em Águas de Lindóia, interior de São Paulo, lá estava um torcedor tocando a defesa no último volume do som de seu carro, enquanto via o treino.
“Eu mesmo não escuto isso, não sei o que é Youtube, nem tenho computador. Foi legal e tudo o mais, mas às vezes parece que só fiz isso na vida, né?” No Brasileiro de 2006, Marcão jogou só três dos 38 jogos. A última de suas lesões foi no músculo adutor da coxa esquerda e, segundo suas palavras, o impediam de abaixar. Foi a lesão que mais o incomodou. O músculo agüenta 2007? “É o que eu quero saber também. Tenho contrato até 2009 e penso todos os dias se vou conseguir cumpri-lo. Faz dois anos que eu paro seis meses (por ano) por lesão. Se eu repetir 2006, acho que não vai dar, né? Não tem nada mais deprê que ficar seis meses parado. Você não joga, mas também não está de férias. E fica lá recebendo salário para fazer fisioterapia”, diz. “São 70 jogos e com certeza não vou agüentar a temporada inteira.Vou tentar achar um equilíbrio.”
No meio da conversa com a Placar, um hóspede do hotel em que o Palmeiras está se aproxima, faz uma foto, ganha um autógrafo, dá um abraço e comenta: “Pô, Marcão, para mim você pode tomar 500 frangos que vai continuar sendo o maior goleiro do mundo!” Marcos vira-se para o repórter: “Tá vendo? O torcedor sempre chega falando ‘obrigado por isso e por aquilo’. Mas hoje eu tenho mais a agradecer ao Palmeiras do que o Palmeiras a mim”. A torcida aplaude Marcos até quando ele dá um chutão bisonho para a lateral, como aconteceu na estréia do Paulistão. Hostilização, ele só se lembra de uma. “Um jogo contra o Santo André (Copa do Brasil de 2004). Mas, também, falhei em dois gols, né?”
TRUCO DE ÍDOLO
Uma das cenas que mais impressionaram Caio Júnior até agora ocorreu na concentração, antes de o Paulistão começar. A maioria dos jogadores estava em seus quartos e, no salão do hotel, Marcos e Edmundo jogavam truco com hóspedes que acabavam de conhecer, torcedores. “Fico imaginando o que esse carteado não representou para aqueles torcedores”, diz o técnico.
Marcos não suporta isolamento. Gosta de concentrar quando há outros hóspedes. Fica no saguão por horas fazendo amigos. “Ele te conquista na primeira palavra. Só o que eu falo para ele é que no futebol não dá para ser tão sincero”, diz Caio, referindo-se à resposta que ouviu em seu primeiro dia de trabalho, sobre “jogar com nome” e a qualidade de Diego. Marcos nunca foi indolente, mas esse é um conselho que ele não deve seguir.
Porque ‘São Marcos’ pode até estar cansado de ‘ter nome’, mas o tem mais que Diego, Caio Júnior e toda a diretoria do Palmeiras. São 15 anos de serviços prestados ao clube (“este ano eu viro debutante de Palmeiras”, brinca). Mas ele não usa isso a seu favor. Este ano, o Palmeiras repatriou o preparador de goleiros Carlos Pracidelli, com quem Marcos viveu seus melhores momentos. Seria natural que o “reforço” tivesse sido um pedido do camisa 1. Isso acontece com vários goleiros, em vários clubes. “Comigo, não. Odeio me meter nessas coisas.”
A diretoria é que deve ter pensado ‘vamos trazer o Carlão para ver se com ele o Marcos volta a jogar’. Além das lesões, Marcos tem uma outra preocupação. Faz tempo que o Palmeiras só perde divididas nos bastidores. Jogadores como Rodrigo Fabri, Lima, Richarlyson e Ilsinho não titubearam em jogar no São Paulo e recusar ofertas do Palestra. Carlinhos Bala, este ano, também disse não. “A preocupação é que você começa a perder nos bastidores e se sente um pouco desamparado”, diz Marcos. “E também incomoda ver que Santos, Corinthians e São Paulo ganharam os últimos Brasileiros. A Parmalat, que fazia tudo, saiu em 2000, e o Palmeiras não soube o que fazer. Desde então teve a fase do bom e barato, ou ruim e barato, como os caras falam aí. Pô, o último título que eu ganhei foi da série B. Quero ganhar outro título antes de parar de jogar.”
O goleiro começou o ano animado com Caio Júnior e os novos reforços. Diz que gosta de trabalhar com técnico detalhista (“daqueles que não sabem tudo apenas sobre o seu time, mas conhecem os adversários”). Lembra que essa é a grande característica dos melhores treinadores com quem já trabalhou: Felipão e Luxemburgo. Sobre os colegas, mais um pouco de santa sinceridade: “Apostar em novidades foi essencial. A gente vê os caras chegando com ambição! O Edmílson, por exemplo, chega a um clube grande aos 29 anos e é legal vê-lo todo orgulhoso de estar aqui. Tem que trazer jogador com vontade. Ninguém mais quer jogador com nome, mas que acha tudo um saco”.
TCHAU, SELEÇÃO!
Se quer jogar no máximo até 2009, então Marcos descarta o Mundial da África do Sul — quando terá a idade com que o alemão Lehmann jogou a última Copa. “Não vou ter condição física para jogar mais uma Copa. Para que apostar num goleiro de 33 anos?”, diz, na lata. Sua atuação em 2002 deixou marcas. Se hoje temos Gomes no PSV, Júlio César na Inter e Doni na Roma é porque um dia Marcos fechou o gol do Brasil em uma Copa. Ao menos ele acredita que seja assim. “Depois de 2002, a Europa deu moral para goleiro brasileiro. O Dida mesmo me disse que o pessoal da Fifa comentou com ele que eu fui um dos melhores goleiros que o Brasil já levou a uma Copa. Que o Taffarel tinha pegado muitos pênaltis, mas que eu tinha ido muito bem nos jogos”, afirma. “Goleiro brasileiro sempre foi muito melhor tecnicamente do que qualquer outro. Dizem que a gente sai mal do gol. Elogiam os italianos, mas lá é fácil ser goleiro. Ficam os dez jogadores do time dentro da área!”
Marcos realmente não dá muita bola para a Europa. Campeão do mundo, rejeitou uma oferta do Arsenal em 2003 para disputar a série B com o Palmeiras. “O jogador hoje chega a um clube grande pensando em ser visto na Europa. Mas sou do tempo em que jogar no Palmeiras, no Corinthians e no São Paulo era o topo. Nunca me preocupei em chegar no Bayern, Milan, essas coisas”, diz. “E acho muito mais gostoso ser lembrado por uma torcida só. O Rogério pensa a mesma coisa. Mas o Dida com certeza ficou muito mais rico, né?”, fala, brincando.
Marcos, Dida e Rogério. O Brasil teve três craques do gol na Copa de 2002. Lá, o trio construiu uma amizade que dura até hoje. Os laços com Rogério são mais fortes. “Só não conversamos mais porque ele é do São Paulo e eu, do Palmeiras.” O são-paulino já sabe o que quer ser quando virar exjogador: presidente do clube. Já Marcão… “Presidente do Palmeiras, tá louco? O Rogério é mais preparado para isso. Tá chegando a hora de eu parar e ainda não tenho idéia do que vou fazer. Olho para os lados e não encontro nada. Isso me preocupa”, diz. “Vida de técnico, nem pensar! Sei que vou ficar um bom tempo sem fazer nada. Depois, quero arrumar um carguinho aí… tipo diretor de CT.”
Não será difícil. Porque, goste ou não, fato é que o rótulo de patrimônio verde Marcos já garantiu para o resto da vida. Mesmo se tomar os 500 frangos, como disse o torcedor.




ola olha n sou palmerense, posi torso pra um time do RJ vasco da gama, é uma tristesa em saber que o brasil tenha que perder um grande goleiro que nem o Marcos por coisas que acontece na vida da gente, do itpo lesoes, contusoes, mas sempre será lembrado como um heiroi no penta do brasil na copa de 2002, ainda bem que ainda nos temos grandes goleiro a sua altura citar nome e dificil, mas mesmo assim Marcos muito obrigado pelo que vc fez pela nossa selecao, que Deus lhe de muitas glorias mesmo sem atuar na profissao de goleiro e que vc seja sempre lembrado pra todos nos brasileiros.
Como o título da matéria diz, “Marcos: eu não sou santo”, até que ponto a idolatria por um jogador de futebol mexe com a cabeça do torcedor.Tudo bem que a torcida do Palmeiras o chame de santo, agora fazer uma procissão por ele e ter um padre querendo canonizá-lo, isso já é demais!
Estou muito triste pois vamos ficar sem nosso Marcão. Eu adoro ele, pra mim ele foi um dos melhores goleiros que o Palmeiras já teve. Não queria que ele saísse de jeito nenhum, mas a sua saúde também é muito importante, temos que nos conformar. Espero que o Palmeiras consiga outro goleiro na altura do Marcos.
Esse é iluminado,é bom que um tal goleiro bambi rogerio semen entenda o que é ser um idolo de uma nação,sem arrogancia pensa que com esses golzinhos vai alcançar O SANTO jamais sera jamais seu bambi.
PARABENS MARCÃO