NAS BANCAS
ESPECIAL DO LEITOR
Relembre a conquista da Libertadores de 1962, em cima do Peñarol, do Uruguai

O melhor desde Zico

Nome por nome, o Flamengo de 2008 pode ser inferior ao de outros elencos recentes do clube. Mas, no conjunto, o time campeão da Taça Guanabara tem potencial para ser o melhor Mengão desde os tempos do galinho

No fim do primeiro turno do último Brasileirão, quando o Flamengo ocupava o penúltimo lugar na tabela, nem o mais otimista dos torcedores apostaria que o clube terminaria o campeonato em terceiro lugar. Mas o Flamengo parece ter conseguido um feito bem mais duradouro que a vaga na Libertadores: após um longo período de trevas, o clube da Gávea parece ter entrado nos eixos. “Há muito tempo não via uma arrancada como a que o Flamengo deu, uma demonstração da cumplicidade entre torcida, camisa e clube”, diz o ex-goleiro Raul Plassman. “É um time que tem limitações, mas que está dando mais do que poderia pela força de seus jogadores e seu respeito com a torcida.”

O elenco flamenguista pode não ter estrelas como as que passaram nos últimos anos pela Gávea – basta lembrar que o clube já teve Romário, Edmundo, Sávio, Gamarra, Edílson, Júlio César, Juan, Alex... Mas não é exagero dizer que a equipe atual tem potencial para ser a melhor que já passou pelo clube desde os gloriosos tempos de Zico.

O ex-jogador Júnior credita a mudança no Flamengo à união entre jogadores, treinador e torcida: “O time passou a ser extremamente solidário. Joel soube fazer, por exemplo, Juan, Leonardo Moura e Ronaldo Angelim subirem muito de produção. Quem diria há um ano que o Léo seria convocado para a seleção?”, diz. “E pela primeira vez vi uma torcida carregar um time, e não o contrário”, completa. Quem também acredita na força desse Flamengo é o próprio Galinho de Quintino. “Se o time mantiver uma postura guerreira, com brio, certamente vai ter boa caminhada. Os atletas que chegaram precisam de tempo para se adaptar, mas o Joel é um grande treinador e sabe arrumar a casa”, diz Zico. Resta ao Flamengo converter todo esse potencial em títulos.

Compare os times

FLAMENGO DE 1981

FLAMENGO DE 2008

Parece, mas não é!
O Flamengo atual, que fez seu torcedor voltar a ter prazer quando vai ao Maracanã, lembra, de leve, bem de leve, o timaço que foi campeão brasileiro, da Libertadores e do mundo no início da década de 80. A estrutura tática do time é semelhante. Só um atacante fixo (o Souza de hoje é o Nunes de ontem), dois laterais excelentes no apoio (Leandro & Júnior x Leonardo Moura & Juan)... A diferença principal, evidente, é a qualidade dos jogadores – e, lógico, o fato de o time de 80 ter ele: Zico!

O MÁGICO
Joel Santana

Joel Santana é o único treinador que venceu estaduais pelos quatro grandes do Rio. No Flamengo, além do título estadual de 1996, salvou a equipe do rebaixamento em 2005 e no ano passado. Nos dois casos, dizem, fez mágica.

A MASSA

A Torcida rubro-negra
O amor ao clube da torcida refletiu-se em números impressionantes no Brasileirão de 2007. O clube deteve oito dos dez maiores públicos do campeonato, com mais de 80.000 pessoas em dois jogos – e média de 39.000 por partida.

OS LÍDERES
Fábio Luciano e Leonardo Moura

Logo no primeiro jogo, Fábio Luciano assumiu a braçadeira de capitão, e o papel de líder. “Não sou agressivo, não levanto o tom de voz. Mas cobro, incentivo, acerto posicionamento”, diz Fábio Luciano que, ao lado de Léo Moura, puxa a reza no vestiário.

O XODÓ
Obina

O jogador, que disputa uma vaga no ataque, é o principal ídolo da torcida e símbolo da equipe, esteja em campo ou no banco. “É uma pessoa extraordinária, não tem igual. Sempre com aquele sorrisão, passando alegria para todos”, diz Ibson.

OS CALOUROS
Kléberson, Diego Tardelli, Marcinho, Gavillán e Rodrigo

A base do time que se classificou para a Libertadores foi mantida, mas o Fla se reforçou em todos os setores do campo. Tardelli virou titular no ataque. Destaque no Galo, o meia Marcinho vem sendo usado nos jogos. E o pentacampeão Kléberson dá o toque de experiência ao time.