NAS BANCAS

Adriano: Vim, vi, venci?

A frase é de outro imperador, mais precisamente Júlio César. Mas Adriano chegou ao São Paulo justamente para reconduzir o time à conquista continental e ganhar uma guerra particular. Aqui, ele expõe todos os seus traumas e ainda deixa a dúvida no ar: tem remédio?

Novembro de 2007. Adriano, aquele que havia arrasado a Argentina na Copa América de 2005, não saía mais de casa. Assustado com o assédio da imprensa italiana, o atacante se arrastava até a janela de seu apartamento em Milão para ver a multidão de repórteres e fotógrafos amontoados pela calçada. Desanimado, sem jogar pela Inter e com a vida pessoal devastada, desistia de colocar o pé na rua e voltava para seu quarto. E chorava...

A MORTE DO PAI
“Meu pai morreu em 2005, e eu não pude ir ao enterro. Depois de um tempo, me dei conta de que ele não estava mais comigo. E aí começou a pesar para mim.” Na verdade, seu Almir morreu em agosto de 2004. Adriano ficou tão transtornado com a perda do pai, que até hoje se confunde sobre o período em que aconteceu. A morte de seu Almir representou o início do período de trevas na vida do jogador.

O TOMBO DA COPA
“Não fiz um Italiano bom, só marquei quatro gols. Já estava em um momento ruim. Fiz de tudo para chegar bem à Copa do Mundo e não consegui.” Na temporada seguinte, a crise só aumentou: Adriano passou o ano praticamente no banco de reservas.

AS MULHERES
“Inventaram uma história com uma famosa atriz pornô italiana. Montaram uma foto dela comigo, na Sardenha. E ela foi à televisão falar que eu estava com ela... Nunca tinha visto essa mulher na minha vida! Entrei com um processo contra ela, mas até provar que não era verdade, fico manchado.”

AS BALADAS
Em outubro de 2006, o jornal sueco Aftonbladet divulgou algumas fotos do Imperador em uma festa, cercado de mulheres e com um cigarro na mão. Segundo ele, o fotógrafo tentou extorqui-lo. “Ele exigiu dinheiro e não aceitei. Eu falei que ele podia publicar, porque dinheiro meu não iria arrancar. Aí ele vendeu para os jornais. E depois foi preso por extorsão.”

A DEPRESSÃO
“Se eu falar que não temi pelo pior, estarei mentindo. Às vezes o Adriano se isolava no quarto e eu sabia que ele ficava sozinho para não me deixar vê-lo triste.” Essa é dona Rosilda, mãe de Adriano, uma das incentivadoras para que voltasse ao Brasil.

O RESGATE TRICOLOR PARA A LIBERTADORES
“Sei que perdi um ano da minha vida. Quero dar a volta por cima no São Paulo, reencontrar a alegria de ser um jogador de futebol e retornar à seleção. Agora só depende de mim.”

O MEDO DA VOLTA À INTERNAZIONALE
“Eu quero voltar e mostrar para eles [italianos] que ainda sou o Adriano. Fico um pouco com o pé atrás por tudo o que aconteceu. Eu errei, nunca neguei, mas tenho um pouco de medo, porque a imprensa de lá nunca maneirou comigo. É claro que eu tenho receio de voltar e ter aquela pressão de novo.”

Opiniões sobre o Imperador

"Não acho que a convocação dele para a Copa de 2006 tenha sido equivocada. O time inteiro foi mal, a culpa não foi dele. O Adriano é um grande atleta e goleador, sem dúvida. As pessoas que estão ao redor confiam no Adriano, agora depende só dele. Chance de defender a seleção ele já provou que tem e está no caminho certo para voltar."
Dunga, técnico da seleção

“O mal do ser humano é julgar as pessoas sem conhecê-las. O Adriano é reservado, mas muito alegre, amigo, bastante preocupado com a família, bacana e fácil de conviver. Divido o quarto com ele na concentração e é ótimo. A gente bate papo, racha o bico vendo filmes, fica no computador... Ele me mostrou fotos dos carros que tem, fiquei babando!”
Dagoberto, atacante do São Paulo

“Para um jogador do nível do Adriano, atuar no São Paulo facilita para que ele volte a ser outra vez um grande atleta. Ele tem todas as qualidades: chute, cabeceio, velocidade... Para mim, é um dos melhores do mundo.”
Roberto Carlos, lateral do Fenerbahce

Joguei contra o Adriano em uma Taça Belo Horizonte de Juniores quando era da base do Vitória, em 2002. Ele jogava pelo Flamengo, que ganhou de nós por 4 x 3 nas oitavas. Ele fez três gols e sofreu um pênalti, mas não bateu. Logo depois disso ele subiu para o profissional e aí já era, né? É um dos melhores atacantes do mundo.
Nadson, atacante do Samsung Blue Wings (COR)