Atual técnico da seleção do Iraque, Zico fala sobre Copa do Mundo, o desastre de 1982, seleção brasileira e Ronaldinho Gaúcho
Por Rodolfo Rodrigues, da PLACAR
Há quase um ano no comando da seleção do Iraque, Zico vive um momento de estabilidade no futebol árabe. Sem pretensões de voltar ao Brasil, o Galinho diz que acredita na classificação de sua seleção para a Copa de 2014. Além disso, Zico crê em uma falta de sorte de Mano Menezes em relação à geração de jogadores que disputaram a última Copa do Mundo, em 2010.
O ídolo flamenguista prefere não falar sobre o clube, diz que Ronaldinho Gáucho tem como voltar a jogar bem, mas que só nome não resolve hoje dia. Em entrevista exclusiva ao site da Placar, o Galinho comentou também sobre o desastre da Copa de 1982.
Hoje se completa 30 anos da eliminação da Copa de 82. Aquele jogo ainda te trás uma frustração grande? Foi a derrota mais dura de sua carreira?
Não me trás nenhuma frustração porque no futebol aprendi a vencer e a perder. Não gostaria que tivesse acontecido, mas faz parte do jogo. Todas as derrotas são duras e o importante é você saber tirar proveito delas.
Qual o momento que mais te marcou naquele Brasil 2 x 3 Itália? O Brasil errou ao jogar pela vitória?
O momento que marcou foi quando o juiz encerrou o jogo. Nunca vi um time errar porque jogou pra vencer. Errou, porque ofereceu ao adversário alguma chance para ele ganhar o jogo. Erramos individualmente e coletivamente e não porque jogamos para vencer. É bom lembrar que quando sofremos o terceiro gol estávamos os onze dentro da nossa área ou próximo e a bola passou no meio de todos.
Aquela derrota pôs fim a uma geração do futebol ofensivo da seleção?
Acho que pôs fim ao futebol ofensivo no mundo inteiro. Todos passaram a jogar para fazer faltas, para parar as jogadas e atuar pensando no erro do adversário. Por isso, durante algum tempo, o futebol ficou feio, chato e viveu de 0 x 0, 1 x 0, pênaltis, etc.. Parece que virou pecado jogar bonito, com técnica e criatividade.
O Barcelona de hoje resgatou aquele estilo de jogo?
Está provando que pode se jogar bonito e ganhar. Não só o Barcelona, como a seleção da Espanha em 2010.
Falando sobre Copa do Mundo de 2014...O Iraque empatou seus dois primeiros jogos nessa fase final das Eliminatórias Asiáticas e está bem colocado em seu grupo. A chance de chegar à Copa no Brasil é real?
A chance e real. Se terminasse hoje, estaríamos classificados. Esperávamos vencer a seleção de Omã em casa, mas tivemos que jogar em Doha (Catar) e não no Iraque. Por isso nossos jogos são todos fora. Acho que tudo será decidido nas últimas partidas devido ao equilíbrio do grupo. (Japão, Austrália, Jordânia e Omã também estão no grupo B)
Como você avalia o seu trabalho até agora no Iraque?
Acho que estamos num bom caminho. O primeiro objetivo foi alcançado, que era a classificação para a fase final. Agora, começo a ter melhor conhecimento dos jogadores e também posso observar novos valores com os jogos do campeonato local e seleção olímpica.
O Iraque é o sexto país que você trabalha (Japão, Rússia, Uzbequistão, Grécia e Turquia foram os outros). Qual a grande dificuldade que você vê no futebol local em relação aos outros países que você passou?
O campeonato nacional, que não é competitivo e organizado. Os problemas que aconteceram no país ajudaram a destruir muita coisa e só agora o futebol começa a retomar seu espaço e a se organizar. O público prestigia e comparece, mas só vai ser forte quando o país se acalmar e a seleção voltar a jogar no Iraque.
Você já enfrentou o Brasil na Copa de 2006. Sonha em repetir o feito em 2014? Ou sua vontade maior ainda é trabalhar pela seleção brasileira?
Meu objetivo é somente classificar o Iraque para a Copa. Se isso acontecer, já considero realizado meu trabalho. Não gostaria de enfrentar o Brasil novamente e nunca tive pretensão de trabalhar na Seleção Brasileira. Se tivesse isso como objetivo, eu trabalharia no Brasil.
Pensa em trabalhar no Brasil como técnico, por algum clube ou até na seleção?
Já disse várias vezes que não quero ser técnico no Brasil.
Acha que o Mano corre o risco de perder o cargo caso perca as olimpíadas?
Isso quem tem que responder é o presidente da CBF. Mas quem está no futebol, em qualquer lugar do mundo, seja em clube ou em uma seleção, sabe que depende de resultados para seguir.
Você acredita que a seleção brasileira está caminhando bem na preparação para a Copa ou acha que poderíamos estar num estágio mais avançado?
Acho que o Mano está fazendo o que é possível. Ele sofreu um problema que poucos tiveram na seleção, já que não conseguiu resgatar a experiência de quem jogou a última Copa. Ele tem tentado alguns, mas, infelizmente, o resultado não foi o que ele esperava. Por isso, tem que ir com uma nova geração que nem eliminatórias vai ter pela frente.
O que você achou do episódio Ronaldinho Gaúcho? O Flamengo errou de alguma forma? Na contratação ou saída dele?
Eu me reservo no direito de não falar do que acontece no Flamengo e tenho meus motivos.
Você acha que ele ainda pode vingar no Atlético-MG e voltar à seleção?
Só depende dele. É um grande jogador e só tem que entender que todos esperam muito dele porque sabem que ele tem pra dar. A questão é física, técnica e profissional. Só com o nome ninguém joga mais futebol hoje em dia.
Como você analisa os pretendentes à camisa 10 da seleção hoje (Ganso e Oscar)? Quem deve ser o dono da posição?
São dois ótimos jogadores e que podem inclusive jogar juntos. Acho que eles têm características diferentes. Oscar é mais de frente, tem grande movimentação, chega perto do gol e também conclui. Já o Ganso, é mais de armar e deixar os companheiros na cara do gol. O Mano conhece bem os dois e tenho confiança que saberá usá-los da melhor forma para a seleção.
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