Elías Perugino elege bola parada como um dos trunfos do Timão nesta Libertadores
Por Ricardo Gomes
Corinthians e Boca Juniors começam, na próxima quarta, a caminhada para ver quem é o melhor time da América do Sul. De um lado, um clube que luta contra o fantasma de nunca ter levantado a Libertadores. Do outro, a ponta inversa do iceberg. Seis títulos e uma história riquíssima no mais importante interclubes do continente.
Fora de campo, a história carrega o Boca a um sutil favoritismo ante o rival. Certo? Não para o jornalista argentino Elías Perugino, editor da revista El Gráfico. Comedido, ele rasga elogios ao time comandado por Tite e crava, solenemente: o Boca terá um caminho espinhoso se quiser a sétima taça.
"O Corinthians é o pior adversário que o Boca poderia ter. Sua forma de jogar incomodará bastante a equipe de Falcioni. Seria melhor (para o Boca) enfrentar uma equipe mais aberta defensivamente, como o Santos. O Corinthians preocupa o Boca por seu funcionamento defensivo, seu bom contra-ataque e o perigo que leva na execução de sua bola parada", diagnosticou Perugino, que faz ressalvas até para apontar o 'calcanhar de Aquiles' do time paulista. "Seu ponto fraco é o fato de atacar pouco, mas quando o faz leva muitos riscos ao seu adversário."
Praticante do decantado 'futebol coletivo', o Timão tem alguns de seus jogadores destacados individualmente por Perugino. "O goleiro Cássio está em um grande momento, assim como Paulinho, Emerson, Alex e Danilo."
Perguntado se o Corinthians leva vantagem em jogar a partida de volta no Pacaembu, onde está invicto e tomou apenas um gol, Perugino mostrou cautela, especialmente pelo ótimo retrospecto do Boca em finais decididas no Brasil. "Seguramente (é uma vantagem). Historicamente, o Boca foi muito bem no Morumbi - de onde saiu campeão em duas Libertadores e uma Recopa Sul-Americana -, mas nem tanto no Pacaembu", ilustra o jornalista, que alertou também para os perigos que o Timão terá pela frente nas próximas duas semanas. "Este Boca tem a mística e o temperamento das equipes que foram campeãs em 2000, 2001, 2003 e 2007. Talvez essa equipe não seja tão brilhante ofensivamente como as de 2003 e 2007, mas tem a experiência e a solidez coletiva de 2000 e 2001."
Por fim, Perugino desmistifica o poder de desequilíbrio da Bombonera, que tanto já vitimou equipes brasileiras nas últimas décadas. Para ele, o time comandado por Tite não deve se trancar na defesa. "Deve jogar sem medo, não defender próximo ao seu goleiro. O jogo tem que sair a partir do meio de campo. o Boca não é invencível na Bombonera. Em 2012, foram quaro derrotas, três delas lá (em seu próprio estádio)."
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