Medalha de prata em Atlanta, ex-jogadora da seleção acha que nada é impossível de acontecer nos Jogos
Por Alexandre Ciszewski
Maria Paula Gonçalves da Silva, mais conhecida como Magic Paula, faturou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, ao lado de Hortência, Janeth e outras grandes atletas de uma geração vitoriosa do basquete brasileiro. Agora, a ex-jogadora da seleção acredita no potencial das meninas que vão aos Jogos de 2012, e confia em uma equipe mais experiente e preparada para Rio 2016.
Ao Abril em Londres, Magic Paula afirmou que o basquete feminino pode surpreender em Londres. "Eu acho que nada é impossível. Nos Jogos Olímpicos não dá para você conviver muito com a euforia e com a decepção. O grande diferencial em uma Olimpíada é a cabeça. A equipe precisa estar com a cabeça boa e não pode se importar às vezes com uma derrota hoje, pois amanhã já tem que estar em quadra", disse a ex-armadora.
Questionada sobre as derrotas sofridas nos amistosos, Paula não se preocupa. "Agora, na preparação, o Brasil está perdendo quando pode perder, então eu acho que faz parte. É importante jogar com as grandes equipes, não adianta ficar aqui jogando contra o Chile, tem que jogar com os times que vão fazer a diferença", explicou.
Você acredita que as meninas do basquete estão preparadas para superar a prata conquistada em 1996?
Eu não consigo fazer um prognóstico, porque eu acho que já senti a experiência na pele, de ir disputar uma Olimpíada em que ninguém acreditava na gente, e chegamos a disputar uma final. Então, eu acho que tudo tem que estar em perfeita sincronia e harmonia. Você conseguir chegar com uma equipe em que todas estejam bem fisicamente, que o time esteja entrosado e que esteja bom de cabeça, é algo que não dá para você mensurar. O Brasil pode chegar nesse momento como a gente chegou em 1996, tudo dando certo, e surpreender. Então é difícil, eu não consigo dizer, o Brasil pode ser medalhista como pode voltar lá atrás.
Como você avalia a experiência da seleção feminina de basquete?
A grande maioria das meninas nunca disputou Jogos Olímpicos, são sete jogadoras, então isso conta também, uma Olimpíada deslumbra. Quando fomos para Barcelona, a primeira Olimpíada, ficamos em sétimo. Tínhamos que ficar caçando jogadora pela Vila Olímpica, tinha gente que estava deslumbrada, gente que engordou, porque tem um restaurante que fica 24 horas aberto. Então depende muito do controle que esse time tiver, porque você tem mais da metade da equipe que nunca foi para uma Olimpíada e não tem muita "cancha" de competição internacional.
A seleção feminina de basquete está em boas mãos?
Eu acho que o Luiz Cláudio Tarallo (técnico da seleção feminina), por mais novo que seja, tem certa experiência com categorias menores, mas também nunca vivenciou uma Olimpíada. O Tarallo, na minha visão, é um técnico com investimento para 2016, e eu acho isso bacana, porque nós não temos essa cultura de falar 'não, nós vamos perder agora para lá na frente colher os resultados'. Tudo aqui tem que ser imediato. Mas isso talvez deveria estar sendo feito com uma equipe B, talvez, atrelada a uma equipe que estivesse preparada para Londres. Uma mescla. Mas eu acho que o Tarallo é um cara bem experiente, que sabe trabalhar, já trabalhou com equipes adultas. Mas é uma carga muito grande para um treinador que é convidado para assumir de cara em uma competição tão importante. Temos que ter paciência, não dá para chegar e falar que 'tem que chegar lá e ganhar a medalha'. Se ganhar, melhor.
Como você vê a seleção masculina de basquete?
O basquete masculino está em um patamar bem diferente do feminino. O Magnano tem uma equipe muito mais forte, que não depende de um ou dois jogadores, como é no feminino, um time muito mais estruturado. Mas a competição masculina também é mais difícil, é preciso ter sorte também, equilíbrio emocional, porque é uma competição longa, são quase 15 dias, você joga hoje, amanhã não joga, e volta à quadra no outro dia.
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