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O artista: Everton Ribeiro descreve genialidade do gol contra o Fla

Substituto de Montillo e herdeiro do trono deixado por Alex, Everton Ribeiro supera expectativas no Cruzeiro com a mais pura arte dos meias cerebrais

Por: Breiller Pires, da PLACAR

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Everton Ribeiro supera expectativas no Cruzeiro | Crédito: Ilustração LE Ratto sobre foto de Eugênio Sávio

Arrancada em projeção pela direita. Uma bola que parecia morta na lateral vira um lançamento perfeito. Mas o rabisco da jogada não esboça um gol iminente. Até que Everton Ribeiro breca a passada, pincela um chapéu magnífico e, sem deixar a bola cair, estufa as redes do goleiro Felipe com um chute de 94 km/h, no ângulo. “Foi um gol que mudou a minha vida”, afirma o meia celeste.

Ele assinou o golaço da vitória por 2 x 1 do Cruzeiro sobre o Flamengo, em agosto. Embora o time mineiro tenha caído no jogo de volta pelas oitavas da Copa do Brasil, o lance raro no Mineirão mudaria, de fato, o status de Everton Ribeiro na escala de ídolos do clube. “Os torcedores mostram o vídeo do gol no celular. Ficou marcado. Eu tenho o DVD da partida e sempre paro pra rever a jogada”, conta.

Gol de placa, eternizado no Mineirão pela diretoria cruzeirense duas semanas depois do feito. Everton Ribeiro, que iniciou a jogada atrás do meio-campo e, na sequência, recebeu lançamento de Ricardo Goulart, descreve os traços de genialidade da pintura. “Tudo aconteceu numa fração de segundo. Eu não tinha visto o marcador. Achei que estava sozinho. Quando olhei, vi o Luiz Antônio [volante do Flamengo] em cima de mim. O chapéu para o meio era a única opção. Depois, foi só acertar o pé.”

 

Quadro com o golaço de Éverton Ribeiro
Quadro com o golaço de Éverton Ribeiro | Crédito: LE Ratto / PLACAR

A potência da finalização deixou plantado o goleiro Felipe, que não saiu na foto nem na moldura da obra de arte. No ano passado, o meia de 24 anos já havia “acertado o pé” pelo Coritiba, com um balaço da intermediária contra o Operário, de Ponta Grossa. Até o duelo diante do Flamengo, era o gol mais bonito de sua galeria. “Eu confio muito nesse meu chute de primeira, sem pulo. Mais pela força do que pela precisão. Quando pega na veia, é praticamente indefensável.”

ESCOLAS DE ARTE

Everton Ribeiro começou no Corinthians, onde chamou atenção na Copa São Paulo de Juniores, em 2007. Apesar de ter sido formado no meio-campo, acabou improvisado como ala esquerdo, por falta de laterais no time júnior corintiano. “A meia sempre foi minha vocação, porque marcar não é o meu forte”, afirma o camisa 17 cruzeirense.

No clube que o revelou, Everton Ribeiro teve poucas chances com o técnico Mano Menezes e acabou emprestado ao São Caetano. Era seu segundo “tombo” no Timão. “Em 2005, sofri uma lesão no menisco e fiquei quase três meses parado”, conta. Na equipe do ABC Paulista, ele se firmou como meia, embora tenha vestido a camisa 6 da seleção brasileira no Sul-Americano sub-20, em 2009.

Voltou ao Corinthians em 2011. Dirigido por Tite, nada mudou. Após a eliminação na pré-Libertadores para o Tolima, foi vendido ao Coritiba por 1,5 milhão de reais. “Sou grato ao Corinthians e ao Andrés [Sanchez, ex-presidente do clube]. Muita gente não queria que eu fosse embora. Não estava jogando. O Andrés entendeu a situação e me liberou.” Longe da lateral, foi duas vezes vice-campeão da Copa do Brasil e bicampeão paranaense, sob a batuta de Marcelo Oliveira. “Eu vivi dois anos fantásticos no Coritiba. Por isso não lamentei em momento algum ter saído do Corinthians”, diz.

 

Everton Ribeiro foi contratado para a vaga de Montillo
Everton Ribeiro não sairá do Cruzeiro, ao menos por enquanto | Crédito: Eugênio Sávio

Seu nome foi o primeiro a ser indicado por Marcelo à diretoria do Cruzeiro, que desembolsou 4 milhões de reais para contratá-lo. Ele havia enchido os olhos do técnico ainda nos tempos de São Caetano, onde atuava ao lado do atacante Eduardo, genro do comandante celeste. “O Everton tem toda minha confiança”, diz Marcelo Oliveira. “É um meia clássico, faz o time jogar. Desde o Coritiba ele já mostrava esse talento.” O maestro divide os méritos de sua rápida afirmação entre as estrelas do Cruzeiro. “O Marcelo me dá liberdade para criar e vive dizendo: ‘Meia tem de entrar na área e fazer gol’.”

Contratado para a vaga do argentino Montillo, Everton Ribeiro preencheu as lacunas de armador e ídolo da torcida, dez anos depois de Alex ter regido a equipe na conquista do Brasileiro de 2003. “Alex é uma inspiração. Trabalhei com ele por três meses no Coritiba. Era excepcional. Nos treinos, ele achava jogadas que ninguém era capaz de prever”, diz.

Além de dar um novo título nacional à Raposa, o meia espera ver sua obra-prima entre os gols mais bonitos da temporada na premiação anual da Fifa. “Penso nisso, mas prefiro ser campeão brasileiro. Se o título vier com o prêmio, melhor ainda”, afirma Everton, artista precoce de dribles e gols magistrais.

 

A carreira de Everton Ribeiro
A carreira de Everton Ribeiro | Crédito: Reprodução