Zagueiro do penta conta como aguentou o baque da falha que originou o gol de Owen, contra a Inglaterra, e como foi levantar a Copa do Mundo
Por Marcos Sergio Silva, da PLACAR
Quando você começou na seleção, a zaga ainda era vista como um ponto fraco. Isso mudou após a era Lúcio e Juan. Por que os brasileiros melhoraram tanto nesse setor?
Naquele momento foi fundamental para ganhar a confiança. Ganhar um título mundial, em 2002, mesmo contestado... Desde aquele momento, o futebol dos defensores brasileiros foi valorizado bastante. Sempre foi normal o Brasil se destacar com atacantes ou meias. A gente fica feliz de, nesses anos para cá, os zagueiros e os laterais terem tido um crescimento muito grande. Antigamente, você não via tantos zagueiros brasileiros jogando na Europa.
Falando em penta, o que você mais lembra da conquista?
Lembro do apito final, no jogo contra a Alemanha. Todo o banco de reservas, os preparadores, todos correram para o campo, se abraçando. O sofrimento, a dedicação de todos aqueles anos. Ali, era a coroação daquele trabalho. Foi um momento especial.
Aquele lance contra o Owen, nas quartas, contra a Inglaterra, doeu?
Com certeza foi difícil. No momento pensei: "Eu errei, e o time está perdendo. Se eu deixar me abater, só vai piorar". O que deu mais conforto foi quando a gente voltou para o vestiário e o treinador não falou tanto sobre o lance. Antes de voltar para o segundo tempo, ele disse só para mim aquele foi um lance isolado e que em nada abalaria a confiança que ele tinha. Era inevitável de todos pensarem sobre o lance. Mas a conversa me deixou bastante confiante.
Qual Copa foi mais frustrante: 2006 ou 2010?
O mais duro foi 2010. O grupo estava muito confiante e era muito disciplinado. A gente sonhava com aquela Copa. Infelizmente, isso é coisa do futebol, e temos de ter o equilíbrio de entender que o futebol às vezes você joga melhor e não consegue ter o resultado da vitória. A confiança era muito grande, e isso alimentou nossa esperança. Isso machucou bastante.
Faltou trabalhar melhor o elenco como em 2002, e não apenas o time titular, como em 2010?
Ali foi um detalhe do futebol. O treinador e os jogadores estavam bem entrosados, com um relacionamento muito bom. Havia um respeito mútuo entre todos. De fora, podia ter essa aparência, mas dentro não. O nervosismo de querer ganhar pode ter influenciado um pouco.
Você tem mais de 100 jogos pela seleção, é o terceiro com mais partidas. Sonha com uma despedida ainda? Cafu, Roberto Carlos e Taffarel não tiveram...
Claro que sonho. Se não for pela seleção, volto para jogar no Internacional, clube que me projetou, e encerrar minha carreira por lá.
Leia mais trechos da entrevista com Lúcio na edição de julho da revista PLACAR, já nas bancas
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