Lúcio: "Felipão segurou minha onda em 2002"

Zagueiro do penta conta como aguentou o baque da falha contra a Inglaterra, e como foi levantar a Copa

Por Redação PLACAR 30/06/2012, às 09h47

Lúcio não se deixou abalar por falha no gol de Owen nas quartas de final da Copa de 2002
Lúcio não se deixou abalar por falha no gol de Owen nas quartas de final da Copa de 2002 / Crédito: Foto: Ricardo Correa

Zagueiro do penta conta como aguentou o baque da falha que originou o gol de Owen, contra a Inglaterra, e como foi levantar a Copa do Mundo

Por Marcos Sergio Silva, da PLACAR

Quando você começou na seleção, a zaga ainda era vista como um ponto fraco. Isso mudou após a era Lúcio e Juan. Por que os brasileiros melhoraram tanto nesse setor?

Naquele momento foi fundamental para ganhar a confiança. Ganhar um título mundial, em 2002, mesmo contestado... Desde aquele momento, o futebol dos defensores brasileiros foi valorizado bastante. Sempre foi normal o Brasil se destacar com atacantes ou meias. A gente fica feliz de, nesses anos para cá, os zagueiros e os laterais terem tido um crescimento muito grande. Antigamente, você não via tantos zagueiros brasileiros jogando na Europa.

Falando em penta, o que você mais lembra da conquista?

Lembro do apito final, no jogo contra a Alemanha. Todo o banco de reservas, os preparadores, todos correram para o campo, se abraçando. O sofrimento, a dedicação de todos aqueles anos. Ali, era a coroação daquele trabalho. Foi um momento especial.

Aquele lance contra o Owen, nas quartas, contra a Inglaterra, doeu?

Com certeza foi difícil. No momento pensei: "Eu errei, e o time está perdendo. Se eu deixar me abater, só vai piorar". O que deu mais conforto foi quando a gente voltou para o vestiário e o treinador não falou tanto sobre o lance. Antes de voltar para o segundo tempo, ele disse só para mim aquele foi um lance isolado e que em nada abalaria a confiança que ele tinha. Era inevitável de todos pensarem sobre o lance. Mas a conversa me deixou bastante confiante.

Qual Copa foi mais frustrante: 2006 ou 2010?

O mais duro foi 2010. O grupo estava muito confiante e era muito disciplinado. A gente sonhava com aquela Copa. Infelizmente, isso é coisa do futebol, e temos de ter o equilíbrio de entender que o futebol às vezes você joga melhor e não consegue ter o resultado da vitória. A confiança era muito grande, e isso alimentou nossa esperança. Isso machucou bastante.

Faltou trabalhar melhor o elenco como em 2002, e não apenas o time titular, como em 2010?

Ali foi um detalhe do futebol. O treinador e os jogadores estavam bem entrosados, com um relacionamento muito bom. Havia um respeito mútuo entre todos. De fora, podia ter essa aparência, mas dentro não. O nervosismo de querer ganhar pode ter influenciado um pouco.

Você tem mais de 100 jogos pela seleção, é o terceiro com mais partidas. Sonha com uma despedida ainda? Cafu, Roberto Carlos e Taffarel não tiveram...

Claro que sonho. Se não for pela seleção, volto para jogar no Internacional, clube que me projetou, e encerrar minha carreira por lá.

Leia mais trechos da entrevista com Lúcio na edição de julho da revista PLACAR, já nas bancas

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