O diretor da CBF Andrés Sanchez acabou de lançar sua biografia. O mais louco do bando fala sobre Lula, Ronaldo, Caetano e preconceito
Por Felipe Zylbersztajn da PLACAR
Quer dizer que você é um fã apaixonado do Caetano Veloso?
É... Gosto muito de MPB e de samba. O Caetano, eu era um grande fã na minha adolescência. Um cara que sempre gostei de ouvir.
Alguma música em especial?
"Vaca Profana"! [com letra que diz "Dona das divinas tetas, derrama o leite bom na minha cara e o leite mau na cara dos caretas"]
Você nunca fez o papel politicamente correto. Já se sentiu patrulhado por isso?
Senti grande preconceito por não ter curso universitário e por não falar o português correto. Falo como 90% da população brasileira e tenho orgulho disso. É um país preconceituoso.
No livro, você bota panos quentes sobre sua relação com o Juvenal Juvêncio [que já o chamou de analfabeto]. Afinal, como vocês se dão?
Exageramos algumas vezes, tanto eu quanto ele. Mas cada um estava defendendo seu clube. Agora ele é um grande amigo. É um cara que me falou muitas coisas do futebol que eu levei à frente e sempre o visitei para saber mais - principalmente quando ganhei a eleição.
As trocas de farpas entre vocês foram só de fachada?
Fachada não. Às vezes nós exageramos, e talvez essa tenha sido uma das passagens mais tristes que eu tenho [na administração do clube].
Apesar da imagem de durão, você conta no livro que depois de fechar o acordo com o Ronaldo [fumando escondidos no banheiro, eles fecharam as bases salariais num guardanapo de papel], sentou-se no lobby do hotel e começou a chorar "feito bebê, soluçando mesmo"...
Era uma coisa inacreditável contratar o Ronaldo para jogar no Corinthians! Quando ele deu o OK, eu chorava e ao mesmo tempo me sentia amargurado porque não tínhamos contrato, nada. Só o guardanapo. E jogador de futebol sempre pode mudar de ideia... Mas o Ronaldo se mostrou um grande profissional e se apresentou mesmo sem contrato assinado.
Onde está esse guardanapo?
Não acho. Não sei onde está. Mas vou achar.
No livro você diz que "tem lugar no joelho dele que você põe o dedo e sai do outro lado"...
[Interrompendo] Não é isso, de atravessar um dedo. [O que acontece é que] você quase consegue juntar os dois dedos se os colocar nas laterais [do joelho].
Você se assustou com isso?
O cara é um fenômeno. Nem era pra andar, quase.
O Lula é outro personagem no seu livro. Há uma passagem, num hotel em Comandatuba (BA), em que ele ajuda a destravar o financiamento do estádio do Corinthians...
[Interrompendo] Ali não foi destravado o financiamento. É que no planejamento dos engenheiros da Odebrecht, nos moldes que a Fifa exigia, o estádio passaria de 1 bilhão de reais. Eu pedi ajuda ao Lula para a gente discutir aquilo, e o estádio não custar mais que 800 milhões. A reunião foi em cima disso e ele ajudou, corintiano que é.
Foi uma passagem decisiva?
O estádio já estava andando. Foi decisiva para ele brigar junto comigo, me dar força junto à Odebrecht, para a gente não pôr tudo que a Fifa exigia. Coisas absurdas que deixariam o estádio custando mais de 1 bilhão.
O que ele disse ao pessoal da Odebrecht?
Ele falou que, a partir do estádio, a zona leste - a mais populosa de São Paulo - seria outra.
O que a gente pode esperar da seleção no futuro próximo?
Os torcedores vão saber os jogadores, o esqueleto, a base da seleção brasileira. E vão ter certeza de que todos que estão aqui vão querer jogar, vir com prazer para a seleção. Vai acabar a "nhaca-nhaca" que sempre, ou algumas vezes, houve. Hoje só vem pra seleção quem tem vontade.
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