Essam el-Erian, membro da Irmandade Muçulmana, que, por meio do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ) detém a maioria das cadeiras no parlamento do Egito e fazia oposição ao antigo governo do país, considerou que a batalha acontecida na última quarta-feira, na partida entre Al Ahly e Al Masly, que gerou pelo menos 74 mortes, foi uma ‘resposta’ aos revoltosos que derrubaram o ditador Hosni Mubarak, no ano passado.

“Os eventos em Port Said foram planejados e são uma mensagem daqueles do antigo regime”, disse el-Erian. “Essa tragédia é o resultado da negligência e da falta de exército e policiais. Aqueles que comandam o país precisam assumir a responsabilidade. Há quem, deliberadamente, quer semear o caos no país e criar obstáculos pela transferência pacífica do poder”, atacou.

Após Hosni Mubarak, ditador que passou décadas comandando o Egito, ceder aos movimentos dos civis, no início de 2011, e deixar seu cargo, uma junta militar, com simpatizantes do ex-mandatário, assumiu a direção do país, o que ainda gera incomodo na população. Por isso, novos protestos aconteceram no ano passado, pedindo a antecipação das eleições egípcias, fato que ainda não ocorreu.

Nesta quarta-feira, após a vitória do Al Masry diante do Al Ahly, por 3 a 1, torcedores da equipe vitoriosa invadiram o campo, e tentaram agredir jogadores e comissão técnico do clube rival. Com o início da batalha, os atletas seguiram para os vestiários, assustados com a situação. Atacante do Al Ahly, o brasileiro Fábio Júnior contou que o estádio da partida sofria com a falta de segurança, e o futuro do esporte no país pode correr riscos, na visão do avante.

Em meio ao grande número de mortos, além das centenas de feridos, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, demonstrou tristeza com o acontecimento, passando seus sentimentos às famílias dos que sofreram com a violência. A Federação Egípcia, por sua vez, suspendeu por tempo indeterminado o campeonato nacional.