Cantora Shakira (na foto ao lado de Blatter) brilhou em mais uma festa promovida pela Fifa

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Cantora Shakira brilhou em mais uma festa promovida pela Fifa

A algumas horas do início da cerimônia da Bola de Ouro da Fifa, em Zurique, repousam sobre as mesas os aparelhos de transmissão simultânea, com canais em inglês, francês, espanhol, alemão, português e japonês. Como de praxe, eles estão ali para tornar mais cômoda a comunicação entre os cerca de 150 jornalistas e fotógrafos presentes e os indicados ao prêmio, que concedem uma entrevista coletiva. Ao anunciar que a pergunta seguinte será a última, o mediador quebra o protocolo e permite que ela seja feita – e respondida – em um sétimo idioma: o catalão.

A pequena concessão não se deu por acaso. De forma previsível, o Barcelona dominou a premiação, com nada menos que cinco de seus jogadores premiados – entre eles Lionel Messi, Bola de Ouro pela terceira vez consecutiva, e Pep Guardiola, eleito o melhor treinador de 2011. Daniel Alves, Gerard Piqué, Andrés Iniesta e Xavi Hernandez também foram selecionados entre os melhores de 2011.

Os clubes representados na festa, aliás, poderiam ser contados nos dedos de uma única mão: além da equipe catalã, estavam presentes jogadores de Manchester United, com Wayne Rooney, Nemanja Vidic e o técnico Alex Ferguson, e Santos, com Neymar.

O Real Madrid, que teve quatro jogadores na seleção de 2011 – Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Iker Casillas e Xabi Alonso –, além do técnico José Mourinho entre osindicados, causou uma saia-justa à Fifa ao ausentar-se da premiação devido a um jogo pela Copa do Rei, amanhã. O desfalque na festa não tira o brilho do futebol espanhol em 2011 – não por acaso, a imprensa espanhola era visível e atipicamente presente em maior número.

Sawa, melhor do mundo entre as mulheres, e Messi, o melhor do mundo entre os homens, posam para fotos lado a lado

Foto: Reuters

Sawa, melhor do mundo entre as mulheres, e Messi, o melhor do mundo entre os homens, posam para foto

Igualmente atípica foi a representação japonesa na festa, atraída pelas indicações de Homare Sawa à Bola de Ouro feminina e do técnico Norio Sasaki ao prêmio de melhor treinador. A confirmação do prêmio a ambos foi a coroação de um ano em que o Japão surpreendeu o mundo, ao ganhar a Copa do Mundo feminina.

Para o Brasil, a cerimônia foi de certa forma melancólica. Marta ainda goza de prestígio, mas depois de cinco anos eleita como a melhor do mundo deixou o prêmio escapar. Na entrevista coletiva antes da premiação, era nítido seu constrangimento por mais ter que justificar, ano após ano, por que o futebol feminino brasileiro não decola.

Entre os homens, é ainda mais constrangedor o fato de que mais uma vez o Brasil não teve nenhum representante entre os indicados – o último foi Kaká, em 2007. Os melhores momentos do Brasil na festa foram o carisma de Pelé, que parece ter intimidade com qualquer jogador deste planeta, e Ronaldo, cujos quilos a mais parecem ter surpreendido parte da platéia. E claro, Neymar, cujo gol marcado contra o Santos na Vila Belmiro foi eleito o mais bonito de 2011.

Nitidamente acuado pelos holofotes, o garoto não demonstrou no palco a mesma desenvoltura que mostrou em campo em 2011. Ao receber o prêmio, disse estar feliz por participar da festa, honrado em ter vencido um prêmio entre tantos gols bonitos e esboçou um tímido agradecimento a deus. Após a premiação, disse não ter tido coragem de puxar papo com os demais jogadores. “Fiquei mais quietinho. Só de estar sentado do lado do Rooney, do Vidic, Iniesta, já fiquei feliz demais”.

Neymar é sem dúvida o talento mais promissor do Brasil, aquele que tem mais chances de em breve voltar a Zurique para receber a maior premiação individual do futebol. Provavelmente ele só o fará quando jogar por algum clube europeu – talvez o próprio Barcelona – mas o mais importante é que ele não pare de desenvolver seu futebol. Afinal, aí estão Lionel Messi e seus tímidos discursos para provar que, para ser o melhor domundo, não é necessário desenvoltura com o microfone, e sim com a bola.