O equilíbrio que o técnico Tite tanto enfatiza não bastou para o Corinthians avançar à final do Campeonato Paulista em 90 minutos, no Pacaembu. A decisão do classificado para a final foi dramática. Mesmo com o Palmeiras nervoso em campo e com o zagueiro Danilo expulso no começo da partida, os visitantes precisaram das cobranças de pênalti para conseguir a classificação: 6 x 5, após empate por 1 x 1 no tempo regulamentar.

Corintianos fazem festa após classificação

Foto: Gazeta Press

Classificação para a final foi bastante festejada pelos atletas corintianos

Desde o início do clássico, o Palmeiras demonstrou mais vontade de buscar a vitória do que o Corinthians. Até exagerou, com jogadas ríspidas (que levaram à expulsão de Danilo) e reclamações (motivo para a expulsão de Felipão). Para piorar, perdeu os lesionados meia Valdívia – pouco depois de seu polêmico ‘chute no vazio’ – e lateral direito Cicinho.

Ainda assim, os palmeirenses conseguiram abrir o placar no início do segundo tempo, com uma cabeçada certeira do zagueiro Leandro Amaro. Com a paciência de Tite, o Corinthians contou com um gol de Willian (também pelo alto) para chegar à igualdade. Nas cobranças de pênalti, todos os cinco primeiros cobradores de cada time converteram. João Vítor errou na disputa alternada, e o peruano Cachito Ramírez conferiu.

O Corinthians agora se prepara para disputar a decisão do Estadual contra o Santos, nos próximos dois finais de semana. Já o Palmeiras irá se concentrar apenas na Copa do Brasil. Na quinta-feira, iniciará o confronto de quartas de final contra o Avaí, na Ressacada.

O jogo - O Palmeiras levou para o Pacaembu toda a sua irritação com a escolha de Paulo César de Oliveira para apitar o clássico. O nome do árbitro foi anunciado vagarosamente pelo locutor do estádio municipal, permitindo que ele ouvisse as primeiras vaias na tarde. Os insultos se intensificaram quando a partida começou.

No gramado, minutos depois de as duas equipes se cumprimentarem em ato pela paz durante a execução do Hino Nacional Brasileiro, logo surgiram as primeiras confusões. O polêmico Valdívia foi repreendido por ameaçar agredir o corintiano Chicão com a bola, após a marcação de uma falta. Torcedores palmeirenses gargalharam com o lance.

As risadas se transformaram em novas ofensas para Paulo César de Oliveira em menos de dois minutos. O habitualmente nervoso atacante Kleber recebeu um cartão amarelo por empurrar o zagueiro Leandro Castán e jogou-se na área para pedir pênalti em seguida. Sentado nas cadeiras cobertas do Pacaembu, o diretor de futebol palmeirense Roberto Frizzo (que havia criticado a arbitragem de véspera) fumava tranquilamente naquele momento.

O dirigente parecia ser o único representante do Palmeiras calmo no dérbi. Os demais torcedores só pararam de atacar o árbitro porque o time de Luiz Felipe Scolari passou a dominar a partida. O volante Marcos Assunção assustou os corintianos através de sua especialidade, a cobrança de falta, e o Valdívia deu dois bons chutes fortes. O goleiro Julio Cesar, não muito seguro, espalmou as tentativas do chileno.

A próxima aparição de Valdívia foi festejada e lamentada. Aos 20 minutos, o meia deu o seu controverso chute no vazio em um contra-ataque rápido e fez a alegria da torcida alviverde. Mas também se machucou. Sentiu lesão muscular na coxa esquerda e fez sinal para ser substituído. Lincoln começou a fazer aquecimento à beira do campo.

A substituição que Felipão tinha em mente, no entanto, não foi feita. Aos 23, o zagueiro Danilo avançou ao ataque e cometeu falta dura no artilheiro Liedson. Paulo César de Oliveira não perdoou: cartão vermelho para o defensor. Felipão interrompeu a partida para prevalecer a sua vontade de colocar Leandro Amaro no lugar de Valdívia, e não mais Leandro Amaro.

Como Scolari não se contentou com a alteração e aumentou as críticas à arbitragem, Tite decidiu reagir. O técnico Corinthians, ressentido com o seu colega desde o primeiro turno do Paulistão, contra-atacou com gestos e berros para o adversário: ‘Você está falando muito!’. Paulo César de Oliveira concordou com a análise do corintiano. Felipão acabou expulso.

Revoltado, o técnico do Palmeiras queria que Tite também saísse de campo. Luiz Felipe Scolari só deixou a sua área técnica quando policiais militares apareceram para escoltá-lo até a sala de imprensa do Pacaembu, onde uma televisão estava à sua espera. A irritação e a tristeza dos palmeirenses com o ocorrido foi tamanha que houve silêncio no estádio por alguns minutos.

A situação piorou ainda mais para o Palmeiras porque, no final do primeiro tempo, o lateral direito Cicinho sentiu contusão na virilha. Foi substituído pelo improvisado João Vitor. Todo esse clima favorável para o Corinthians não era aproveitado pelos comandados de Tite, que trocaram passes pacíficos até o intervalo.

No início do segundo tempo, o Corinthians manteve a sua postura inofensiva. O Palmeiras se inflamou outra vez, mas agora com a bola nos pés. Mais uma falta batida por Marcos Assunção levou perigo ao rival e levantou o público da casa. Aos sete minutos, o gol: Leandro Amaro cabeceou para as redes após cobrança de escanteio do volante.

Era o que faltava para o Corinthians enfim esboçar uma reação. Tite tentou animar seu time com o peruano Cachito Ramírez e o atacante Willian nos lugares de Alessandro e Dentinho. Mas tamanha era a apatia visitante que o lateral esquerdo Fábio Santos cobrou um lateral de forma errada, e o árbitro assinalou reversão.

O mesmo atacante que deu a vitória ao Corinthians nas quartas de final, contra o Oeste, entrou em ação para motivar a equipe de Tite – e, como se já não bastassem as confusões anteriores, com uma jogada polêmica. Aos 19 minutos, depois de cobrança de escanteio de Jorge Henrique, Willian cabeceou firme. Leandro Amaro tirou a bola de dentro do gol, segundo o assistente Alex Alexandrino.

O empate alcançado pelo Corinthians fez com que o Palmeiras voltasse ao ataque. E de forma incisiva: Kleber e Márcio Araújo incomodaram bastante Julio Cesar em lances rápidos. Para aumentar a pressão, Felipão ordenou que seu auxiliar Flávio Teixeira, o Murtosa, trocasse Tinga por Patrik. A última ficha de Tite foi Morais no lugar de Bruno César, com dores no ombro. O placar do tempo normal, contudo, não mudou.

Nas penalidades, palmeirenses e corintianos estavam com os pés calibrados. Kleber, Marcos Assunção, Márcio Araújo, Luan e Thiago Heleno converteram para o time da casa. Chicão, Willian, Fábio Santos, Leandro Castán e Morais fizeram para os visitantes. Nas cobranças alternadas, Julio Cesar defendeu o chute de João Vitor. Já Cachito Ramírez definiu para o finalista Corinthians.

FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 1 (5) X (6) 1 CORINTHIANS

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Data: 1º de maio de 2011, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Paulo César de Oliveira (SP)
Assistentes: Vicente Romano Neto e Alex Alexandrino (ambos de SP)
Público: 33.861 pagantes (total de 35.874)
Renda: R$ 949.236,00
Cartões amarelos: Kleber (Palmeiras); Alessandro, Fábio Santos, Bruno César, Ralf, Leandro Castán (Corinthians)
Cartão vermelho: Danilo (Palmeiras)
Gols: PALMEIRAS: Leandro Amaro, aos 7 minutos do segundo tempo; CORINTHIANS: Willian, aos 19 minutos do segundo tempo

PALMEIRAS: Deola; Cicinho (João Vitor), Thiago Heleno, Danilo e Rivaldo; Marcos Assunção, Márcio Araújo, Tinga (Patrik) e Valdívia (Leandro Amaro); Luan e Kleber
Técnico: Luiz Felipe Scolari

CORINTHIANS: Julio Cesar; Alessandro (Cachito Ramírez), Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Bruno César (Morais) e Jorge Henrique; Dentinho (Willian) e Liedson
Técnico: Tite