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Leonardo: “A relação do Milan com a CBF é muito boa”

Por Bruno Roberti, da Placar

15/Maio/2008

No Milan, Leonardo tem a função, juntamente com a diretoria, indicar novos reforços para o clube. Pelo ex-jogador já foram negociados nomes como Kaká e Pato, destaques do Milan.

Em entrevista à Placar, Leonardo fala sobre o atual momento do Milan, de Kaká, Ronaldo e ainda comenta a relação da diretoria com os clubes brasileiros, que melhorou nos últimos anos.

Confira a entrevista:

Qual o seu dia-a-dia no Milan como diretor da área técnica?
É uma função nova, que foi criada dentro de um organograma que funciona há 21 anos. Tenho um contato direto com o marketing, médicos, administração e diretoria. A decisão de contratações e renovações sempre é conjunta e com harmonia entre o vice-presidente [Adriano Galliani] e comigo.

Como é a relação do Milan com os brasileiros?
Quando eu cheguei ao clube, em 97, o último brasileiro a estar aqui em Milão foi o Sormani, em 1970. A relação do Milan com os brasileiros, não só jogadores, mas também clubes, é a melhor possível. No caso do Pato, por exemplo, tínhamos uma ótima relação com toda a diretoria do Inter.

Na Itália, os jovens jogadores são mascarados? Os clubes precisam proteger suas promessas com multas milionárias antes mesmo de eles estrearem?
O problema é que o Brasil exporta demais. É um mercado ativo e a venda para vários lugares, não só para os principais campeonatos da Europa, mas também Ásia, Leste Europeu, entre outros, faz com que, infelizmente, os jogadores se sujeitem a essa supervalorização. A questão se resolveria se os clubes brasileiros se fortalecessem. Não só no aspecto de contratos com jogadores, mas de forma estrutural. Há um enfraquecimento muito grande nisso.

O Pato, que parece ser um cara diferente, que não se deslumbrou ou o Milan tem de falar “menos, Pato...”, para o garoto?
O Pato é tranqüilo. Começou bem no Milan e na Seleção Brasileira. Já vinha bem no Internacional. Ele tem carisma, o que é importante, e sabe que tem muito que melhorar ainda.

É verdade que você não queria Kaká em 2002, mas para 2003, já que o Milan tinha Rui Costa e Rivaldo?
Eu sempre quis o Kaká no Milan. Mas tínhamos que facilitar a transação. Ele vinha superando os degraus. Naquele momento, Kaká não era pra ser o principal jogador, já que tinha Rivaldo e Rui Costa. Era para ele chegar devagar. Mas surpreendeu a todos e já começou muito bem na equipe.

Há uma dependência do time em relação a Kaká?
Kaká é o melhor do Milan. Falar em dependência é ser muito fatal. Mas ele participa de todas as jogadas, criações, tem poder, talento, visão de jogo e existem poucos como ele hoje no futebol mundial.

O Milan vai liberá-lo para a Olimpíada?
Tem que haver um bom-senso. Nossa relação com a CBF e com o Ricardo Teixeira é muito boa. Hoje existe uma aproximação muito melhor do que há alguns anos atrás. Mas, não depende de liberação. Existe um regulamento que define isso. Há algo escrito, acordado com a situação. Kaká tem de cumprir os compromissos com o Milan e a Seleção. Mas precisa haver bom-senso por parte de todos.

Para Arrigo Sacchi, a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Milan seria um grande erro, já que “vai contra a filosofia do clube, que sempre fez sua história com jogadores que cresceram no San Siro”. Você concorda com essa afirmação?
Não. Tivemos vários jogadores que brilharam aqui no Milan e não foram formados no San Siro. Ronaldinho Gaúcho tem um grande talento, mas existe uma série de empecilhos na negociação.

Qual é a aposta do Milan na próxima temporada? Uma renovação no elenco ou manter alguns jogadores mais experientes?
Não temos que pensar dessa maneira brusca, em uma renovação. Mas algo tem que ser feito. Existem jogadores no grupo que ainda tem o que mostrar, caso de Pirlo, Gattuso, Ambrosini, Gourcuff...

A média de idade do Milan é alta...
Sim, mas existe uma preparação, os jogadores se cuidam e têm uma carreira mais longa. Mas tem que olhar para trás e ver o que já ganharam. Não se pode falar de rendimento hoje. Tem que ver as conquistas. Nos últimos seis anos, o Milan chegou a três finais de Liga, ganhamos duas, um Mundial, um Calcio...

Até que ponto o Milan Lab contribui para isso? Na Europa existe algo parecido?
Não existe nada parecido com o Milan Lab. É um banco de dados enorme. Ele nos fornece índices que aprimora o conhecimento dos atletas e ajuda na recuperação. Os testes individuais permitem uma intervenção na continuidade de determinado tratamento. O Milan Lab contribuiu demais para chegarmos até aqui.

Berlusconi deu uma entrevista ao Gazzetta Dello Sport dizendo que Ronaldo pode ter um contrato por rendimento. Existe mesmo essa possibilidade?
O Ronaldo tem uma grande relação com o Milan. As portas estão sempre abertas e ele considera aqui a segunda casa. Não existe isso de contrato de rendimento. Foi só uma idéia que foi ventilado por algumas pessoas. Ele que vai decidir o que quer fazer em relação ao futuro.

Como amigo do atacante, você sabe o que aconteceu para ele ter duas lesões raras? Houve erro médico ou precipitação em sua volta em algum momento?
Não houve nenhum tipo de volta antecipada de Ronaldo. Toda vez que ele voltou de lesão, ele estava se sentindo bem e apto a estar no jogo. Não sei dizer qual o motivo das lesões raras, mas posso garantir que não houve erro médico do Milan.

Por fim, Dunga é amigo ou inimigo?
Por quê? Falaram alguma coisa? Jogamos juntos na Seleção e hoje em dia vamos a alguns jogos e em encontros, mas não existe nada de polêmicas entre a gente.

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