Paulo Garcia parece cada vez mais à vontade como candidato a presidente do Corinthians. Derrotado por Andrés Sanchez nas duas últimas eleições, o empresário de 57 anos deixou de lado o perfil comedido dos pleitos anteriores em uma conversa de quase duas horas na sede da Kalunga – empresa de papelaria e informática de propriedade de sua famÃlia, principal patrocinadora corintiana entre 1983 e 1995.
Em meio a goles de água e duras crÃticas à favorita chapa da situação, ele acessou o Youtube para mostrar um jogador que se destacou pelo Noroeste (time chefiado por seu pai, Damião Garcia), falou ao telefone com o filho João Paulo, recorreu a documentos para discursar e enalteceu exaustivamente o Barcelona.
Sócio do Corinthians desde os anos 1970, Paulo Garcia garante que as experiências adquiridas nas diretorias de futebol e de marketing do clube até o inÃcio da década passada servirão como alicerces para copiar o sucesso do time de Lionel Messi na formação de jogadores. O oposicionista tira proveito de Andrés Sanchez ter confessado que não deu a devida atenção à s categorias de base (mesmo com dos tÃtulos da Copa São Paulo em sua gestão) para apontar os defeitos do departamento. Também não poupa o ‘dissimulado’ Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing e candidato a vice-presidente de Mário Gobbi, ao contestar suas inovações e o aumento das dÃvidas do clube.
Para angariar votos, Paulo Garcia aliou-se a Osmar Stabile, empresário da área metalúrgica que foi seu adversário nas duas eleições passadas, e ao desembargador Celso Luiz Limongi. Os três esperam ganhar adesões entre os associados com promessas de modernizar o Parque São Jorge sem abandonar as conquistas patrimoniais dos últimos anos, apesar dos ataques a Andrés Sanchez. “Se ele pudesse tentar a reeleição, venceria tranquilamente”, reconheceu o próprio lÃder da oposição.
Como foi a transição de torcedor do Corinthians até a candidatura à presidência?
Você sabe: a minha famÃlia tem história no Corinthians. O meu pai era dono de uma gráfica próxima do Parque São Jorge, na década de 1970, e acabamos nos associando neste perÃodo. Frequentávamos muito o clube para jogar bola. Eu era centroavante. Estou desse jeito hoje [apalpa a barriga saliente], mas já fiz muitos gols. Acredita que engordei 25 kg em um ano, quando parei de fumar? Pois é. O vÃcio que não abandonei foi o Corinthians. Tive grandes Ãdolos, como Rivellino, Sócrates, Neto na década de 1990, Marcelinho Carioca [que havia declarado apoio à chapa da oposição e, depois, passou para o lado de Mário Gobbi], o cara que mais ganhou tÃtulos como corintiano, Tevez… Com o passar do tempo, além de ser torcedor, fui construindo uma história dentro do Corinthians. Meu pai sempre se envolveu nas questões polÃticas do clube. Da minha parte, estive no departamento de marketing, na vice-presidência de futebol em 1988, participei daquelas ‘conversaiadas’ todas durante a Democracia Corinthiana, da fundação da Gaviões da Fiel em 1969… Levo grandes amigos daquele tempo até hoje. Acho até difÃcil resumir tudo. A minha história no Corinthians é extensa.
Em meio à campanha, como o senhor tem acompanhado o processo de construção do estádio em Itaquera?
Sou favorável ao estádio em Itaquera, não vou parar de trabalhar um minuto sequer em cima disso e farei as melhorias que são necessárias. Mas as coisas estão um pouco obscuras, não? Falta de transparência é um absurdo. Começaram dizendo que o estádio custaria R$ 300 milhões, depois o valor foi para R$ 1 bilhão, aà caiu para R$ 800 milhões [na verdade, R$ 820 milhões]. Falaram também que a Odebrecht bancaria as obras, mas logo em seguida veio a ideia de naming rigths, então apareceram apoios dos governos estadual e municipal. Essa situação meio nebulosa é ruim e prejudica o Corinthians. Quando o Andrés Sanchez assumiu a presidência, ele prometeu ser transparente e colocar todo o tipo de informação relevante no site oficial do clube. Isso durou seis meses. Hoje, não há um balanço disponÃvel para consulta. Pode ver no meu computador [o entrevistado acessa a internet para comprovar o seu argumento]. Cadê? Se você não é transparente, fica complicado. O Andrés ainda confessou recentemente que mentiu para o Conselho Deliberativo ao dizer que já tinha um projeto de estádio em mente, sendo que não havia nada naquela época. Ou seja, ele mesmo admite que não é transparente.
Acha possÃvel obter o contrato de naming rigths até abril? [O Corinthians venderá o nome de seu estádio a uma patrocinadora para pagar o empréstimo concedido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES]
Apesar de falarem em valores que não existem no mundo, acredito que logo conseguiremos um nome forte por causa da abertura da Copa de 2014. É um gancho forte. Há uma possibilidade grande de resolvermos isso com antecedência. A futura diretoria só não pode se apavorar. Vamos lidar com a situação com calma, à espera de um bom contrato.
O que o senhor pensa a respeito de uma cobertura para o estádio?
Como eu já disse no lançamento da minha campanha, foi um erro não ter pensado nisso na hora de planejar o estádio. O Mário Gobbi está falando que a arena viraria uma câmara quente se fosse toda coberta… Ele diz isso porque não entende nada de engenharia! O certo é fazer algo retrátil, como na maioria dos estádios modernos, mas parece que o Mário não sabe disso. Se estamos fazendo a nossa casa, vamos construir do melhor modo possÃvel. É como o mercado de jogadores: se você for comprar alguém para o seu time, pague um pouco mais e traga um cara que resolva a situação. Não adianta ficar gastando muito e picadinho e não acabar com o problema.
Caso a sua vitória na eleição seja confirmada, o Corinthians voltará a jogar no Morumbi até a inauguração da arena de Itaquera? [Andrés Sanchez deixou de alugar o estádio do rival São Paulo na última gestão]
Vamos avaliar melhor essa situação com a torcida, mas sabemos que o Morumbi comporta muito mais gente do que o Pacaembu. Se o Corinthians chega a uma final de campeonato, é justo que a maior quantidade possÃvel de torcedores possa assistir à partida. No Morumbi, temos condições de vender mais ingressos.
As obras do centro de treinamento das categorias de base, anexo ao dos profissionais, ocorrem paralelamente às do estádio. O que o senhor pensa a respeito?
Não estou tão inteirado, até porque não sou da situação, mas acho muito interessante que o CT da base seja ao lado daquele destinado ao time profissional. Eu também faria dessa forma. Em um segundo passo, quero chegar a uma estrutura de departamento amador como a do Barcelona. Não acho feio copiar. Estive em Barcelona e vi que eles dão todas as condições para os pais dos atletas: emprego, moradia, saúde… Pensei que só arrumassem um trabalho fictÃcio para conseguir levar embora um garoto da América do Sul, por exemplo. Mas, não: empregam a famÃlia de verdade, colocam as crianças nas escolas e garantem todo o suporte. Se você não se forma um jogador no Barcelona, ao menos sai de lá como um homem pronto para a vida. Queremos alcançar esse patamar, de Barcelona, em que você nota o mesmo estilo de jogo do time chupetinha ao profissional. Para andar 100 km, precisamos dar os primeiros passos. O que não pode mais acontecer é aquele conhecido jogo de interesses, que deixa nas equipes de base só os filhos de diretores e os apadrinhados por empresários ou técnicos. Isso tem que acabar. Falta vontade polÃtica para varrer esse problema do Corinthians. Quando há uma diretriz, é possÃvel resolver. Na minha empresa, não fico com as chaves das lojas, mas coloco gente capacitada para cuidar de cada setor. Precisamos tirar do clube quem não serve. Sei que há uma pressão violenta de empresários. No primeiro ano de mandato, será uma porrada enfrentá-los. Se for o caso, até vou à Federação Paulista e aviso que não vamos disputar os campeonatos de base enquanto não reorganizarmos as coisas.
Existe uma meta de contar com determinado porcentual de atletas vindos da base na equipe profissional?
Precisamos ter 100% de atletas da base no time de cima. O Corinthians deve ser uma fábrica de jogadores. Enquanto um atleta trazido de fora chega pensando em disputar uma ou duas partidas e ir para a Europa, o garoto que é formado no clube se identifica e pega amor. Por que o Ronaldo, o goleiro, gosta tanto do Corinthians? Ele é da casa. Com um trabalho profissional, podemos voltar a revelar jogadores assim. O que aconteceu na última gestão foi desastroso. A nossa base ficou jogada ao relento, sem lugar para treinar. O Miguel Marques [e Silva, diretor afastado do departamento amador] diz que temos atletas muito bons, mas eles não são aproveitados. Veja: quase todos os campeões da Copinha estão indo para o Olaria! Não dá para entender uma situação dessas. Por que não aproveitam os meninos? Eu não agi assim quando fui vice-presidente de futebol, em 1988. TÃnhamos três goleiros com nÃvel de seleção brasileira – Carlos, Waldir Peres e Solito – e dispensamos todos para subir o Ronaldo. Aliás, quero aproveitar quem jogou e foi importante para o Corinthians de um jeito mais correto. Vamos tornar o time de masters do clube oficial, dando planos de saúde e todo o amparo necessário. A situação de muitos dos nossos Ãdolos do passado é uma judiação. Alguns estão mal de vida, como o Ezequiel. Sabe o que percebo? Eles vão ao clube, e todo mundo foge deles. Parece até… Sei lá. Muitos ex-jogadores não tiveram oportunidades após o futebol e desestruturaram-se. A carreira deles é curta. Então, vamos fazer uma equipe de masters organizada, administrada por profissionais. Dá até para matar dois coelhos com uma cajadada só. Quando os masters jogarem em outras cidades, eles podem promover peneiras, descobrir novos talentos. Não foi o Giovanni quem trouxe o Paulo Henrique Ganso para o Santos? Queremos fazer isso de forma oficial no Corinthians. E, principalmente, manter as revelações no clube.
Se não revelou tantos jogadores nos últimos anos, o Corinthians se notabilizou por sempre contar com uma estrela internacional no elenco, como Ronaldo e Adriano. Essa caracterÃstica continuará em uma eventual gestão sua?
Concordo que a gente precisa ter um jogador de destaque, alguém que represente uma boa mercadoria. O marketing é válido neste aspecto. Mas o atleta consagrado também precisa jogar. Não adianta viver só de marketing. A propaganda não funciona se o jogador não cumpre o seu papel em campo. Com essa mentalidade, corremos o risco de ter um novo problema, como o que deixaram acontecer com o Adriano. Estrelas são importantes, desde que bem gerenciadas.
A estrela internacional do futuro pode ser o Tevez?
O Tevez é um grande jogador, um Ãdolo, sem dúvida nenhuma. Precisamos ver se as finanças do clube permitem esse tipo de contratação. Há outros atletas de ponta no mercado. O Corinthians necessita, sim, de jogadores de nÃvel. Só não podemos contratar muitos para o mesmo setor. O ideal seria fazer como o Barcelona, que tem uma verdadeira escola de jogar futebol. O Carlos Alberto Parreira, na época em que dirigiu o Corinthians, já nos dizia: ‘O cara não precisa ser um craque para estar aqui, mas se adequar à filosofia do time’. Resguardadas as diferenças, o Parreira estava impondo o seu próprio Barcelona ao Corinthians. O time dele tocava a bola de um lado a outro, como se fosse futsal, e a torcida respeitava pacientemente. SofrÃamos um gol e não nos importávamos. Virávamos o jogo com a mesma postura, com frieza.
O senhor reforçaria ainda mais o elenco do Corinthians para a Copa Libertadores da América? Falou-se muito na possÃvel contratação do Montillo nos últimos meses.
Precisamos analisar a situação quando assumirmos o cargo, conversando com a comissão técnica. O Montillo é um atleta de ponta, sem dúvida. Devemos contratar os melhores jogadores, mas de acordo com as necessidades do clube. Não adianta trazermos alguém para tapar um buraco. Se for assim, é melhor usar a base. Até porque um atleta formado dentro do Corinthians está acostumado com a pressão, com a torcida, com tudo. O Júlio César é um exemplo disso. As pessoas o criticam, dizem que não tem estatura de goleiro, mas ele foi um dos melhores jogadores do Corinthians no ano passado e mostrou personalidade. Atualmente, é o único vindo da base no nosso time titular. O único.
Ainda acredita que o Adriano possa ser um dos destaques do Corinthians na Libertadores?
Considero o Adriano um excelente jogador, mas existe alguma coisa nebulosa aÃ. A situação dele foi mal administrada. Contrataram um monte de gente para o ataque e ainda apareceram algumas indefinições. Tudo isso gera transtorno. Além disso, o Adriano se lesionou.
Como o senhor lidaria com problemas de indisciplina do Adriano?
Ganhando a eleição, conversarei com o Adriano para saber o que está acontecendo. E preciso ler o contrato dele! Antes, diziam que era um compromisso de risco, o que já deixa qualquer um com a autoestima baixa. Agora, o Roberto de Andrade [presidente em exercÃcio do Corinthians] falou que existe uma multa alta para se desfazer do atleta. Não havia multa antes, ué!
Torcedores organizados do Corinthians protestaram contra o Adriano, assim como já pediram as saÃdas dos técnicos Tite e Mano Menezes nos últimos anos. Como seria a sua relação com as uniformizadas na condição de presidente?
Quero um relacionamento civilizado. Os torcedores são o maior patrimônio do clube, que não existiria sem eles. Vamos conversar para saber os interesses deles, respeitando bastante as organizadas, que estão o dia inteiro atrás do time.
As organizadas eram contrárias à instituição de um terceiro uniforme para o Corinthians, como o roxo e o grená. Qual é a sua opinião sobre essas inovações?
Para momentos especiais, eu gosto. São camisas comemorativas. Sempre fui a favor disso. Sei que muitos torcedores discordam, mas é algo legal. Estou me espelhando bastante no Barcelona, como você está notando, e eles aproveitam as terceiras camisas de formas bem elaboradas. Comercialmente, é um ótimo artigo para colecionadores. O terceiro uniforme gera receita para o clube.
Os uniformes do Corinthians estão visualmente poluÃdos com propagandas. O presidente Andrés Sanchez sonhava em limpar as camisas em um futuro distante. Considera viável?
Se for para pagar as contas, infelizmente precisaremos manter assim.
Após essas inovações, o departamento de marketing ficou obcecado em atingir o mercado chinês, inclusive com a contratação de jogadores orientais. O senhor concorda?
O Luis Paulo Rosenberg [diretor de marketing e candidato a vice-presidente na chapa de Mário Gobbi] é um grande dissimulado com essa história. Não é assim que você vai abrir nada no mercado chinês. Para conseguir alguma coisa lá, é preciso ter um time de ponta como o Barcelona, fazendo intercâmbios. Não vai ser por causa de um jogador chinês, que nem documentação está conseguindo tirar [Chen Zhizhao enfrenta problemas burocráticos para reforçar o Corinthians], que você vai arrancar dinheiro da China. São umas bobagens… O clube não pode fazer marketing aleatoriamente. É necessário traçar um planejamento. Não vamos jogar fumaça no ar, como o Rosenberg tem feito. Trazer um atleta desconhecido como esse chinês me parece até um desrespeito ao técnico. Os treinadores precisam consentir com as contratações, indicar e dar opções para os dirigentes.
O faturamento do Corinthians aumentou nos últimos anos, mas as dÃvidas também. Como resolver essa equação?
Sabe por que não posso te responder? Não tenho acesso à caixa-preta! Eles não colocam nada mais no site. Tiraram tudo de lá por minha causa, depois que mandei uma empresa de auditoria avaliar o tamanho do estrago. Onde está a transparência? O que posso te mostrar é a proposta orçamentária de 2012 do clube [ele retira um papel timbrado do Corinthians de sua gaveta e recorre a uma régua para ler os números]. Veja aqui, que absurdo. Planejaram ganhar R$ 50 milhões de direitos de televisão em 2011 e realizaram mais de R$ 100 milhões. Ótimo. Mas por que esse orçamento cai para R$ 90 milhões em 2012? Vamos à s receitas da marca. Orçaram mais de R$ 32 milhões e só obtiveram R$ 14 milhões. Seguro de capitalização. De R$ 3,5 milhões, só conseguiram R$ 400 mil! Esse é o marketing do Corinthians! Arrecadação de Fiel Torcedor, então, eles nem falam quanto foi. Cadê o valor das propagandas de camisa? Tiraram daqui? Filhos da mãe… Ah, aqui está. Não falam que temos um patrocÃnio de R$ 45 milhões? Por que só lucraram R$ 21 milhões, então, até outubro? Agora, vamos ao problema mais feio. Projetaram R$ 19 milhões de despesas em 2011. Até outubro, já haviam gastado quase três vezes mais: R$ 62 milhões. Mais um absurdo: falavam em R$ 3 milhões com outras despesas, mas já ultrapassamos R$ 47 milhões! A diretoria atual gosta de propagar o faturamento. Mas quanto eles gastaram? São receitas mentirosas. Esse Rosenberg é um dissimulado. Estão dando um prejuÃzo violento para o clube. Talvez seja por isso que o Mário Gobbi não queira fazer um debate comigo. [O candidato da situação se disse disposto a debater, mas a ideia dos oposicionistas não foi posta em prática]
O presidente Andrés Sanchez sempre defendeu que o fim das dÃvidas do Corinthians não deveria ser prioridade, uma vez que ‘todas as grandes empresas devem’. O clube será eternamente devedor?
Nunca ouvi algo assim em lugar nenhum do mundo! Isso não existe. Como a receita fica alta e a dÃvida não é compatÃvel? O que mostrei aqui [aponta para o papel] são dados concretos do Corinthians, e não meus.
Com altos investimentos em estádio, centro de treinamento e contratações de atletas, sobra dinheiro para gastar com a sede social do clube?
A sede social deve ser valorizada. Precisamos resgatar as famÃlias de associados e encher o Parque São Jorge de gente. O Corinthians é um clube de velhos hoje. Eu já estou velho. Você não vê mais garotada lá. Quando a gente liga para os sócios remidos para fazer campanha, eles falam que não vão mais ao clube e nem querem ir. A diretoria abandonou o Parque São Jorge. Não criou nenhuma novidade. Eles querem acabar com o clube social. A verdade é essa. Como um André Negão [André Luiz de Oliveira, diretor administrativo], um ex-bicheiro, pode ser administrador e engenheiro dentro do Corinthians? Não adianta alguém como ele, que não tem formação nenhuma, sair falando que a reforma será assim, aqui ou acolá. Se for desse jeito, ninguém precisa se formar mais para p… nenhuma. Necessitamos de pessoas profissionais, de engenheiros, de arquitetos. Temos uma série de projetos para gente capacitada executar. Queremos criar algo especial para as mulheres, um centro de beleza. Assim, o cara vai ao clube e deixa a mulher livre para também aproveitar o dia, sem ninguém enchendo o saco, com os filhos brincando. A mãe, o pai, as crianças e o pessoal da terceira idade terão espaços para si. Precisamos também fazer os custos serem atrativos. Sabia que você paga R$ 50 se quiser conhecer o Corinthians? Que alguns convites para festa no clube custam R$ 100, fora o dinheiro da consumação? Cerveja a R$ 15, e antes era de uma marca só, não dá. Para piorar, o sócio acaba preterido pelo Fiel Torcedor na compra de ingressos. O sócio tem que automaticamente fazer parte do Fiel Torcedor e vice-versa. É o certo. O Corinthians é um clube com mais 200.000 m subutilizados. Não foi feito um plano diretor para o Parque São Jorge. Nos últimos 20 anos, com Nesi Curi [falecido ex-vice-presidente de Alberto Dualib] e André Negão, que é cria dele, passaram a fazer só puxadinhos. Queremos um clube vertical, com esportes noturnos como o boliche, praça de alimentação e muitas outras coisas.
A Justiça ordenou que o Corinthians devolvesse à Prefeitura o espaço atualmente utilizado como estacionamento no Parque São Jorge. Como solucionar o problema?
Isso ocorreu por desleixo, desprezo e incompetência. Ou até por maldade. Vamos tentar reverter a situação. Mas agora o sócio já começará a pagar tarifa de zona azul no Corinthians. Ou seja, o estacionamento deixou de ser um privilégio nosso. O Mário Gobbi está falando em fazer um novo estacionamento, vertical. Se o antigo não funcionou, como ele quer um vertical? É uma heresia. Eles não têm vontade de ampliar o quadro de sócios do clube.
Qual será o futuro da Fazendinha sem receber mais os treinamentos do time profissional, que foi para o CT Joaquim Grava?
Vamos criar alguma coisa para os sócios nesse espaço ocioso, e não o que está sendo feito, com a organização daquele rali na Fazendinha. Eu não estava no Brasil na época, mas me disseram que foi um fracasso de público. Depois, o campo ficou cheio de terra. Continua abandonado até hoje. É muito desleixo. Mas não quero tirar proveito e ficar mostrando essas imagens durante a campanha. Prefiro falar de mim, das minhas propostas. Só faço as comparações em cima de projetos.
Sem os jogadores de futebol no Parque São Jorge, haverá mais abertura para atletas de outras modalidades na sede social? O presidente Andrés Sanchez apostou em alguns consagrados, como o lutador Anderson Silva e o nadador Thiago Pereira, que pouco utilizam as dependências do clube.
Anderson Silva não é Corinthians. É 9ine. O Ronaldo só colocou lá dentro para divulgar o seu cliente. O atleta não ganhar nada do Corinthians nem trouxe nada. É que eu não queria ficar falando… Mas eles alugaram um ringue para fazer a academia de luta e não pagaram o que deviam. O cara entrou na Justiça para receber. Deu a maior confusão. Ele ficou p…! O acordo era para ser um empréstimo do ringue, do octógono, pelo preço de R$ 3 mil, que era o frete. Isso custa R$ 40 mil na verdade, mas o cara era corintiano e só cobrou o transporte. O problema é que o Corinthians não devolvia mais o negócio dele. Ele foi até o clube para receber o dinheiro e tirar o ringue de lá à força. Chegou a invadir a sala do Andrés. Isso é investimento em outros esportes? O Corinthians poderia estar levando o seu nome à s OlimpÃadas. A facilidade de arrumar patrocinadores é muito maior do que em outros clubes. Em qual o empresário prefere investir: Pinheiros ou Corinthians? A nossa visibilidade atrai. Mas fazer marketing para Ronaldinho, um Ãcone global, é fácil. Por que não fizeram para esportes olÃmpicos, sendo que os clubes têm apoio até dos governos para isso? Com os Jogos de 2016, os incentivos serão ainda maiores. Estamos trazendo um nadador e um lutador, mas não criamos ninguém no clube. O professor de judô do Corinthians, por exemplo, é muito bom. O pessoal do Pinheiros vem treinar com ele, mas sem representar o nosso clube. O problema é que um sócio precisa pagar mais uma parcela se quiser fazer academia, tênis, taekwondo ou o que seja. Vou cortar esse negócio. Pagando a mensalidade, você passará a ter o direito de praticar todos os esportes oferecidos pelo Corinthians.
Caso consiga concretizar todos os projetos que expôs aqui, como gostaria de ser lembrado ao final de sua gestão?
Como alguém transparente, que colocou o Corinthians nos trilhos.
E o tÃtulo da Libertadores? Não marcaria a gestão?
O Mundial é maior do que a Libertadores, mas não vamos voltar a esse assunto [risos] [o candidato havia dito que ganhar o Mundial de 2000 foi 'como entrar na faculdade sem ter feito o vestibular' e sentiu-se mal interpretado]. A Libertadores é primordial, claro. Ganhando, podemos dar o salto maior para o Mundial.


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