O diretor de seleções da CBF Andrés Sanchez defendeu, em sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo, maior rotatividade no poder dos clubes do que no das federações do Brasil. O assunto veio à tona quando o dirigente foi perguntado sobre a longevidade do presidente Ricardo Teixeira no poder da CBF.
“Acho que no clube, por não ter remuneração, ninguém ganha nada – apesar de alguns dizerem que rouba – teria que ser um projeto para dez anos, como a minha diretoria fez no Corinthians, quando criamos um projeto para dez anos em 2008. Então, a cada três anos, ou a cada quatro, a cada dois anos, se muda a presidência”, analisou Sanchez.
“Na federação é diferente”, seguiu. “Uma federação, ou numa confederação, acho que o prazo tem que ser um pouco maior, pois o projeto é diferente. Uma Copa do Mundo acontece de quatro em quatro anos. Mas eu acho que tem que ter um limite. Pode ser de 12, 15 ou 20 anos. Não pode passar 25, 30 anos que é um absurdo”, explicou o mandatário.
Ricardo Teixeira, que está no comando da CBF desde 1989, já ultrapassou o limite fixado por Sanchez. Mas o dirigente acredita de que o presidente deixará o poder após a Copa do Mundo de 2014. “A eleição é em 2015. Quero acreditar que ele saia em 2015″, torceu Sanchez, que diz não sonhar em substituir Teixeira.
Pouco depois, o jornalista José Henrique Mariante lembrou das denúncias que Teixeira vem enfrentando e que podem derrubá-lo antes de 2015. Ao que Sanchez rebateu que “denúncia tem há 20 anos, e ninguém nunca consegue provar nada. Eu acredito na justiça brasileira”.
À defesa do dirigente ao presidente, Mônica Bergamo lembrou de matéria divulgada pela BBC britânica em que Ricardo Teixeira é acusado de receber propina em processo que corre em segredo de justiça. A jornalista, então, perguntou se Sanchez acredita piamente que o presidente da CBF não recebeu propina. “Não ponho a mão no fogo por ninguém. Nem por mim”, disse, arrancando risos da plateia.
“As pessoas têm que saber aquilo que fazem. Eu acredito na justiça. Se você cometeu um erro e for provado isso, tem que ser punido. Agora, dele (Teixeira) eu ouço falar, ouço falar e ninguém mostra nada. Quando abrirem e mostrar que tem, aà eu vou acreditar”, finalizou o ex-presidente do Corinthians.

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