Agora contundido, Paulo André já ajudou bastante a defesa alvinegra nas ausências de Chicão e William. Nesta entrevista, ele fala sobre seu desempenho no Brasileirão, a ansiedade por ficar de fora e suas aspirações para 2011.

O zagueiro Paulo André sofre em só poder ajudar o Timão da arquibancada

Foto: Rodrigo Coca/FOTOARENA/Latincontent/Gettyimages

O zagueiro Paulo André, contundido, acompanha a reta final do Brasileirão da arquibancada e sofre ao não poder entrar em campo

Você foi trazido para ser o substituto imediato dos zagueiros titulares e atuou em 15 jogos no Brasileirão. Esperava jogar tanto? Como avalia seu futebol?
Eu acho que fiz um bom papel, pude contribuir um pouco com a boa campanha que a equipe vem fazendo. É claro que os zagueiros estão sujeitos a contusões e cartões, mas eu não esperava ter uma sequência tão longa.

Você tem mais facilidade para jogar com o Chicão ou com o William?
Com os dois, pois tenho facilidade pra jogar com as duas pernas. O William prefere jogar pelo lado esquerdo, o Chicão, pelo direito. Aí eu jogo pelo outro lado.

Está nervoso por acompanhar o time do lado de fora? Qual seria o sabor de, depois de contribuir em boa parte do campeonato, ser campeão na torcida?
É um sentimento difícil, é uma aflição não poder estar lá dentro para resolver o problema. Agora posso entender como o torcedor fica. Mas, se o Corinthians for campeão, eu saberei que contribuí para isso e vou me sentir campeão também, mesmo do lado de fora.

A média de gols sofridos do Corinthians no campeonato é de 1,14/jogo. Com você, a média é de 1,3 (nos seus 15 jogos, o Timão levou 20 gols). Porém, nove de seus 15 jogos foram com o Adilson, que deixou a defesa mais exposta. Acha que por isso a média com você é pior?
Acho que é uma diferença pequena para ser considerada. Com o Adilson a equipe realmente foi mais ofensiva e o sistema defensivo ficou mais exposto. Mas houve jogos nos quais nós vencemos por 3 x 0 ou 5 x 1 e saímos aplaudidos do Pacaembu. O Tite tem dado equilíbrio ao time. A defesa está mais protegida e o ataque segue eficiente.

Mano sempre deu valor à defesa. Qual a importância dele na sua evolução?
Pude aprender muito com o Mano. Ele passa muita tranquilidade e organiza bem o sistema defensivo. Acho que ele também é responsável pela nossa boa campanha. Além disso, foi ele quem pediu minha contratação e renovação.

Sonha com a seleção?
Todo atleta sonha, mas ainda falta um pouco. Quando eu for titular do Corinthians, terei uma chance maior de chegar lá.

O William vai se aposentar no fim do ano. Com isso, você deve ficar com a titularidade. Está ansioso para formar a zaga com Chicão numa possível Libertadores no ano que vem?
Sim. Eu sabia que ficaria na reserva em 2010, mas renovei pensando a longo prazo. Se o William se aposentar ano que vem, terei tudo para ser o titular e mostrar o que sei fazer.

Você é amigo do Ronaldo e é muito querido pelo grupo. Diria que se adaptou com rapidez ao ambiente?
O ambiente de trabalho aqui é fantástico — não é da boca pra fora. Aqui o pessoal é legal e não tem picuinha. Eu estava havia três anos na França, onde as relações são um pouco diferentes, e cheguei ao Corinthians aberto a novas amizades, queria conversar, contar histórias e me integrar. Graças a Deus nunca tive problema com ninguém.

*Entrevista originalmente publicada na edição 209 do Jornal PLACAR (15/11/2010)