Placar no <em>Futebol</em>

Placar no Futebol

Por Rafael Corassa

Gerente de Conteúdo do Abril.com, Rafa Corassa discute de bico e sem dó os jogos do futebol brasileiro. Reclamou vai pro banco!

 

A primeira vez a gente nunca esquece

Por Rafael Corassa 03/07/2012 - 11h57 1 comentário

A noite de amanhã certamente será diferente de todas as outras na vida de um corintiano. Ao deitar-se, poderá ter em seus braços o troféu mais desejado da sua existência. Como se fosse a mulher mais bela do mundo, aquela que sonhava em ter desde criança e viu percorrer pelas mãos e afagos dos seus maiores inimigos, até chegar a sua vez. E nem importa se, com o decorrer dos anos, ela ficou velha, feia e usada. Agora ela é sua! Só sua!

Poderá ser também uma noite da desilusão. Sua garota de Ipanema te provocou, apresentou para as amigas, para a família, levou para as festas, fez você acreditar em você e, na hora H, mostrou que você é apenas um bom amigo, que o quer por perto, mas não para tê-la. Sem toca-la, sem marcar a história dela.

E essa decepção é eterna. É o gosto do sabor da derrota, da traição, do ´nunca vou tê-la´ ou ´por que não a mereço´ . Você terá que se conformar com o adversário rindo da sua cara, enquanto acaricia todo o corpo deste belo material. Ela não te quer. Ela te rejeita. E você terá que aprender a viver com isso.

Caso entre na vida dela, acordar na quinta-feira poderá ser diferente. Saudar de cabeça erguida o chato do porteiro são-paulino do prédio, dar um tapinha do tipo – é, eu também tenho – nas costas do mala do frentista santista, apertar com força a mão do inconveniente do colega de trabalho palmeirense, ligar para aquele tio que só lembra de você quando o coringão perde um caneco e postar centenas de fotos, mensagens e obrigados no facebook . Também vale gritar na sacada do prédio!

Se perder essa paixão, não tem como não doer. Não dá para esquecer. A vida irá continuar com uma sensação de enorme decepção. E nada, mas nada no mundo poderá suprir essa desilusão. Nem mesmo um novo amor. Nem mesmo uma nova Libertadores.

Então caro amigo corintiano, aproveite essa noite de sono como se fosse a última da vida. A partir da noite de amanhã, ela nunca mais será a mesma. E, quem sabe, a da menininha que você sempre sonhou também não. Acredite! Mesmos com seus 52 anos, bem rodada e experiente, ela também pode gostar dos seus braços e nunca mais querer sair.

Comentários1

  1. 16 Pedaladas comentou:
    É bom não esquecer mesmo que outra só daqui 100 anos!
    em 10/12/2012, às 18:53h

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