Dia de Fúria

Após dois anos na Espanha, Diego Canha analisa o que rola no país e evita torcer pelo melhor time do mundo

Dia de <em>Fúria</em>

E tudo começou na 9ª rodada…

Real Madrid comemorou, em Bilbau, seu 32º título  de Campeonato Espanhol após derrotar o Athletic por 3 a 0, com gols de Higuain, Ozil e Cristiano Ronaldo. E esse título começou a tomar forma no dia 22 de novembro de 2011, na 9ª rodada, com a vitória sobre o Málaga por 4 a 0 e Messi perdendo pênalti nos acréscimos. E desde então, o Real Madrid não perdeu mais a ponta até ser campeão em San Mamés.

Mourinho mantém a promessa de pelo menos um título por temporada: Copa do Rey (10/11) e Liga BBVA (11/12). Conquista seu sétimo campeonato nacional, mas desta vez derrotando o melhor time do mundo, unanimidade nas últimas três temporadas. O português assumiu um time sem confiança…

Basta relembrar que exatamente três anos atrás, no dia 2 de maio de 2009, o Real Madrid era goleado por 6 a 2 pelo Barcelona em pleno Santiago Bernabéu. Nota-se que o português mudou a postura do clube de Madri nos últimos anos… Que acabou resultando em uma vitória no Camp Nou dias atrás, praticamente selando o título madridista.

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Eles conseguiram

Chegou o grande dia para os madridistas. Eles esperaram mais de três temporadas para isso acontecer: derrotar Barcelona e Pep Guardiola no tempo regulamentar. Soma-se isso ao fato do triunfo ser no Camp Nou e deixar o Real Madrid com as duas mãos na taça da Liga BBVA. Em jogos decisivos (e contra grandes equipes) desde que Guardiola assumiu o Barcelona houve quatro grandes derrotas: Inter de Milão (ida na semifinal da Liga dos Campeões 09/10),  Real Madrid (na prorrogação, Copa do Rei da temporada 10/11), Chelsea (nesta semana, também por uma semifinal de Liga dos Campeões) e a de hoje.

Três destes triunfos foram de Mourinho. E o português conseguiu algo inédito desta vez, conseguiu vencer no Camp Nou pela primeira vez depois de dez tentativas frustradas. E também pela primeira vez, Cristiano Ronaldo foi protagonista no Camp Nou, fazendo o gol da vitória dois minutos após o empate.

Nem Real Madrid, nem Chelsea inventaram fórmulas mágicas para derrotar o Barcelona. Na verdade, essas duas vitórias não podem ser misturadas. A tática dos ingleses contou muito mais com a sorte e um gol achado; isso dá certo uma vez a cada dez jogos. Já o time de Mourinho já havia tentado a mesma coisa que o Chelsea, sem sucesso! Tentar ter mais posse de bola também não funcionou, tanto que hoje o superclássico terminou com 66% de posse para os catalães.

Desta vez a tática foi diferente… com duas linhas de quatro homens, o Real, mesmo sem a bola, tentou e conseguiu quebrar o ritmo de jogo do Barcelona. Mas mais importante ainda (e isso pode ter sido inspirado na vitória do Chelsea), o time de Madri colocou Khedira, Xabi Alonso e Sérgio Ramos rodeando Messi. Ramos e Pepe souberam se adiantar aos últimos passes, o que impediu por muitas vezes a infiltração por dentro da defesa do Real. A defesa esteve perfeita e sem precisar apelar para violência.

Acabou o jejum, após três anos o sentimento de vingança vai ficar na boca dos catalães. Pode ser que as equipes se encontram em Munique na decisão da Liga dos Campeões. Mas para isso os espanhóis terão de reverter os placares adversos das partidas de ida. Minha aposta? Real Madrid x Barcelona, dia 19 de maio, na Alemanha.

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Um bom péssimo resultado

O Real Madrid perdeu na Alemanha por 2 a 1 para Bayern de Munique. Um placar fácil de reverter no Santiago Bernabéu e, na minha opinião, será revertido. Porém alguns fatos deixaram uma péssima imagem para o time de Mourinho.

No campo, muito por causa do próprio Mourinho, o time foi extremamente defensivo e ficou satisfeito com o 1 a 1. Sofreu pressão e deixou o adversário dominar a partida diversas vezes. Sergio Ramos está cada vez mais semelhante a Pepe e deu três entradas merecedoras de cartão amarelo. Violência que foi coroada com um lance criminoso de Marcelo no jovem Müller já no finzinho da partida, onde o cartão vermelho seria no mínimo justo, para não dizer que seria pouco.

Mas quem tem a maior parcela de culpa nisso é o próprio árbitro: Sr. Webb. O mesmo que apitou a final da Copa do Mundo de 2010 e para quem não se lembra, deixou de expulsar o holandês De Jong que quase arrancou o coração de Xabi Alonso (não tenho certeza se era o Alonso mesmo). Pelo jeito o cartão vermelho só sai do bolso de Webb em caso de amputação ou morte.

Mourinho e o Real Madrid devem ser mais corajosos no jogo de volta e aproveitar um pouco da insegurança da defesa dos alemães (basta ver no único gol madridista, onde a defesa do Bayern se esforçou para levar o gol). Mas precisarão ficar atentos aos contra-ataques com Ribery e o finalizador Mario Gómez.

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Pepe não perdoa nem o companheiro

No empate entre Valencia e Real Madrid, Pepe sofreu uma falta do argentino Pablo Piatti. No meio de toda encenação, Arbeloa foi apressar o companheiro, para que ele levantasse e o Real desse continuidade ao jogo. Mas Pepe deve ter pensado que era o adversário e retribuiu o favor com uma patada, do jeito que melhor se comunica…

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Um ataque nota 100

Real Madrid enfrentou o Osasuna no Reino de Navarra, uma partida que tinha tudo para ser muito complicada, mas que ficou fácil com um gol de Benzema logo aos 6 minutos. E terminou com a goleada por 5 a 1, com mais dois de Cristiano Ronaldo e dois de Higuaín. A exibição foi completa! E Mourinho ainda pode fazer boas avaliações de Albiol e Granero. Mas a marca mais importante da partida foi alcançada no quinto gol: centésimo tento marcado pelo Real Madrid na Liga BBVA, 14 a mais que o segundo melhor ataque (Barcelona).

Mas outro número é ainda mais impressionante! Com os gols de hoje, Cristiano Ronaldo, Benzema e Higuaín juntos marcaram 99 gols nesta temporada, somando todas as competições do ano. Número de gols superior ao de muitos times em uma temporada inteira…

Barcelona segue firme

A alegria só não foi completa em Madri porque o Barcelona fez prevalecer o mando de campo e derrotou o Athletic de Bilbao por 2 a 0 no Camp Nou e manteve a distância de 6 pontos entre os rivais. Os bascos, destaque na Liga Europa, não exibiram o futebol inspirado das últimas partidas, mas não fugiram da ideia de jogo que implantou Marcelo Bielsa. E como reconhecimento disso, saíram do Camp Nou com a maior posse de bola que um adversário teve no estádio dos catalães: 44,4 % , pode parecer só um número, mas significa muito quando analisamos a média de posse do Barcelona (tanto em casa, quanto fora).

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O silêncio madridista

Comissão técnica e jogadores do Real Madrid estão fazendo a lei do silêncio. Ninguém fala com a imprensa depois das partidas e durante a semana. Entrevistas, apenas as obrigatórias. Como foi a de hoje, um dia antes do confronto com APOEL na Liga dos Campeões. Mas mesmo assim, Mourinho e Khedira abandonaram a coletiva de imprensa quando rolou a esperada pergunta se os jogadores falariam após a partida. Confira o que rolou…

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Real Madrid perdeu a linha

Tudo estava muito bom para o Real Madrid até o minuto 35 do 2º tempo, mas depois disso o time de Casillas viveu 20 minutos infernais. O brasileiro Marcos Senna empatou a partida e o Real viu Özil e Sérgio Ramos serem expulsos, além de Mourinho.

Mas acima de tudo, o time perdeu completamente a linha e saiu reclamando muito da arbitragem de Paradas Romero. E todas as reclamações foram equivocadas. A falta que originou o gol do Villarreal existiu, a expulsão de Ramos foi mais do que justa e mesmo que exagerada, a expulsão de Özil foi correta. Isso que os madridistas, convenientemente, esqueceram de um pênalti (NÃO APITADO) de Arbeloa sobre Nilmar.

Mas o pior vem depois da partida com Cristiano Ronaldo fazendo os típicos gestos de roubo e Pepe completamente descontrolado no túnel para vestiário falando palavrões indigitáveis.

Sabe o que é pior para o Real Madrid? Com este segundo empate consecutivo, o Barcelona já aparece bem mais próximo no retrovisor, com seis pontos atrás do Real.

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Cazorla cala o Real

Santiago Bernabéu lotado e aos 46 minutos do segundo tempo, Granero fez uma falta na entrada da área. Aos 47, Santi Cazorla cobrou com perfeição e arrancou um empate para Málaga contra Real Madrid em 1 a 1. Resultado que diminui a distância entre Barcelona e o líder, Real Madrid, para 8 pontos.

Obviamente que a matemática diz que é muito mais do que possível o título do Barça, mas ainda fico com minha aposta de um mês atrás, o título ficará em Madri. Este empate pode ser interpretado como aquele resultado que serve para dar o último alerta ao Real, para que o grupo madridista reúna suas forças e ganhe seis nas próximas seis partidas. Para chegar tranquilo no embate com Barcelona, no Camp Nou.

O catalão mais otimista irá dizer que o caminho nestas seis partidas é mais fácil para o Barcelona, e realmente é. Os catalães enfrentam Granada(c), Mallorca(f), Athletic(c), Zaragoza(f), Getafe(c) e Levante (f). Enquanto o Real Madrid pega Villarreal(f), Real Sociedad(c), Osasuna(f), Valencia(c), Atlético de Madri(f) e Sporting Gijón(c). Será que depois desta sequência a distância ainda estará em 8 pontos? Deixe sua opinião nos comentários.

E se você ainda não viu, veja o golaço de Messi na vitória do Barcelona sobre Sevilla por 2 a 0:

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Cristiano Ronaldo: Nota 10 !

E mais uma vez o Real Madrid começou levando um susto na partida contra Levante neste domingo… E por outra vez mais, o time de José Mourinho conseguiu a virada no Santiago Bernabéu. Com três gols de Cristiano Ronaldo e um belo tento de Benzema.

A atuação do time em si não foi das melhores, principalmente na parte defensiva. Com Pepe sendo Pepe e Sergio Ramos sendo Pepe! Aí não tem defesa que aguente. Mas a superioridade técnica do time branco prevaleceu e virada aconteceu nos pés de Cristiano Ronaldo. Vitória que fez a distância entre o líder Real e o Barça aumentar para 10 pontos. E se ainda não está decidida, a Liga está muito bem encaminhada para a equipe de Kaká.

Do lado catalão, todos juram que nada está perdido e que o Barcelona não vai desistir do Campeonato Espanhol. Eu não acredito nisso e já vejo um Barcelona completamente focado na Liga dos Campeões e na final da Copa do Rei.

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7 pontos é muito?

É quase uma unanimidade que a Liga BBVA é bipolar. Hoje existe um campeonato disputado por Real Madrid e Barcelona que vale o título espanhol. E outro, pelos demais clubes que vale as vagas na Liga dos Campeões e UEFA. E neste sábado a briga que vale o título ganhou um capítulo interessante.

Fora de casa, o Barcelona empatou em 0 a 0 com Villarreal. O Real Madrid derrotou o lanterna Zaragoza no Santiago Bernabéu por 3 a 1, de virada, e abriu 7 pontos de distância na liderança. Com 20 jogos disputados (e faltando 18 partidas), no Brasil jamais arriscariam dizer que o título estaria nas mãos do líder, mas na Espanha a bipolaridade antes comentada já deixa o Real Madrid perto de quebrar a hegemonia catalã.

Mais que isso, em Madri a equipe de Mourinho mostrou que o segundo tempo do último clássico fez muito bem ao time. O Real Madrid mostrou um meio de campo com Xabi Alonso, Granero, Kaká e Özil. E sem um volante de contenção fixo, o time ficou mais leve e criativo e deixou uma ótima impressão no Bernabéu. Mourinho ganhou uma nova formação para enfrentar times mais fracos e que não exigem uma defesa tão rígida. E os madridistas, mais ânimo para um possível futuro encontro com o Barcelona na Liga dos Campeões.

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