Dia de Fúria

Dia de Fúria

Por Diego Canha

Após dois anos na Espanha, Diego Canha analisa o que rola no país e evita torcer pelo melhor time do mundo

 

A eterna discussão sobre os direitos televisivos

Por Diego Canha 24/02/2011 - 15h50 22 comentários

O assunto é denso, mas aproveitando a onda da discussão que começou esta semana e promete durar por ainda um bom tempo, acredito que vale mostrar como é a distribuição dos direitos televisivos na Espanha. Já que é este modelo que alguns dos dissidentes do Clube dos 13 gostariam de ver no Brasil, principalmente o Corinthians.

Atualmente na Espanha, os contratos de vendas dos direitos já estão negociados até a temporada 14/15. E a forma como foi negociado para 15/16 em diante já causa muita polêmica por lá.

Hoje Barcelona e Real Madrid ganham 140 milhões de euros cada, Atlético de Madrid e Valência 42 mi. E os demais clubes variam entre 25 e 12 milhões de euros. É nítida a desigualdade da divisão nos direitos televisivos. Em 2014 a diferença diminuirá: 150 milhões para Barça e Real, 40 mi para Atlético e Valência e os outros clubes ficarão com 27 milhões de euros cada. Ficou com dúvidas? Analise comparando com outras principais ligas européias (no quadro abaixo):

Fonte: ABC

Os dois gigantes chegam a ganhar 11 vezes mais que os clubes pequenos, na Inglaterra, França e Alemanha essa diferença chega apenas ao dobro ou triplo. Há de se ressaltar que há uma diferença do quanto arrecada cada liga na venda total de direitos. Segundo dados da Sport+Markt, a Premier League arrecada cerca de 1 bilhão e 200 milhões de euros; a Seria A italiana, 950; campeonato francês, 693; Liga BBVA, 710 e a Bundesliga, 457 mi. Para tentar atrair mais compradores, inclusive no mercado asiático, Florentino Peréz já sugeriu que houvessem partidas realizadas ao meio-dia, horário que cairia justamente no prime time do continente asiático.

A última reunião sobre como será a divisão de cotas para 2015/16 acabou com um acordo assinado por 31 dos 42 clubes da primeira e segunda divisão. Nele ficou estabelecido que 34% da cota é de Real e Barça (antes tinham 50%), 11 % Atlético de Madrid e Valência, outras equipes da Primeira 45% e 22% para times da Segunda. O um por cento restante serviria para diminuir o impacto econômico a cada rebaixamento. Seis clubes da 1ª divisão prontamente se recusaram a assinar este acordo: Sevilla, Zaragoza, Villareal, Real Sociedad, Athletic de Bilbao e Espanyol. Segundo Del Nido, presidente do Sevilla, com esta divisão o título da liga está vendido de antemão aos grandes: – Os dois grande ganharam 1 bilhão e meio de euros a mais que o terceiro na última década, disse.

E toda essa diferença deixa a Liga BBVA no caminho para tornar-se uma liga escocesa (com apenas dois times disputando o título). 51 dos 79 campeonatos espanhóis foram ganhos por Barcelona ou Real Madrid, nos últimos 10 anos a dupla levou 80% dos títulos. E nas últimas cinco temporadas somente eles ganharam. Sendo que na temporada passada a face bipolar da Liga BBVA ficou ainda mais escancarada: Barcelona foi campeão com 99 pontos e o Real vice com 96, simplesmente 28 e 25 pontos a mais que o terceiro colocado Valência.

Em médio e longo prazo, o interesse pela liga espanhola diminuirá cada vez mais. Acredito que este não é o caminho que devemos percorrer no Brasil. Temos um torneio mais equiparado do que o espanhol e não apenas a audiência deveria ser levada em conta na hora de dividir as cotas (porque senão Corinthians e Flamengo ficariam com a proporção do que ganham Real e Barça). Gosto da divisão dos direitos feita na Premier inglesa:

- 50% do valor total é dividido entre os clubes.

- 25% variam pela classificação na temporada anterior.

- 25% são divididos conforme a audiência.

Chegou até o final do texto sem pular nenhuma linha? Parabéns! Fique com seu prêmio, um vídeo com os 10 gols mais bonitos do 1º turno da temporada 10/11 da Liga BBVA:

http://www.youtube.com/watch?v=h4T9pIGX9dk

Comentários22

  1. Sergio Freese comentou:
    Que eu saiba o futebol é profissional, não é para ser justo. Se os times que dão maior audiência faturam mais, é porque são maiores o número de torcedores que pagam por seus serviços e produtos.
    em 23/05/2011, às 11:49h
  2. Rubens Soler comentou:
    Pra mim não existe eixo do mal, eixo do bem e nem tão pouco a plebe o que ocorre mesmo é a burrice total. A verdade é que os clubes brasileiros estão a mercê das TVs seja ela a Globo, a Record ou a Bandeirantes. Os grandes do futebol brasileiro que têm as maiores torcidas são Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco devem ter uma vantagem mesmo, pois esses representam 90% do torcedor brasileiro, o restante que se acham grandes se engalfinham entre os 10% restantes.
    em 26/02/2011, às 18:37h
  3. Elton Almeida Panzeri comentou:
    Gostei d+ dos seus comentários... Só acho que a divisão deveria ser: 60% divididos entre os clubes igualmente (essa deve ser a maior fatia do bolo, pois manteria a igualdade entre os clubes e tbm valorizaria os times pequenos e médios, já que os grandes tbm dependem deles). 25% de acordo com a classificação do último campeonato (talvez até em relãção aos últimos 5 campeonatos ou coisa assim que premiaria tbm a regularidade dos clubes). e o restante de acordo com o ibope de cada clube... pois os times de maior expressçao tbm deveria ganhar mais, pois são o maior atrativo dos campeonatos.
    em 26/02/2011, às 12:13h
  4. Arlindo comentou:
    chega de flamengo e corithias.eu já não aguento mais ver esses dois time .
    em 25/02/2011, às 23:05h
  5. ROBSON SOUZA DE MARCO comentou:
    Toda crise gera uma oportunidade, pelo menos um sonho, pra nós simples e renegados torcedores fora do poderoso eixo (do mal) Rio-São Paulo o racha do clube dos 13 nos permite sonhar. Estou falando em sonho e não em alucinação que seria a criação de Ligas, isso esquece, fora de cogitação Juca, nem nos melhores sonhos a CBF/FIFA permitiriam; portanto vamos sonhar com coisas quase que impossíveis, não totalmente impossíveis. Vejamos então: Seria possível ou quase impossível que a separação dos clubes brasileiros pudesse gerar um rateio televisivo? Pra nós plebeus, torcedores fora do eixo, seria a glória. Imaginem só: Os maravilhosos e poderosos clubes do eixo, todos contratando com a não menos poderosa Rede Globo, por outro lado, “o resto”, que não é pouco (Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Bahia, etc...) fechando com a Record, que maravilha seria, a Globo continuaria com o filão maior e teria a exclusividade dos jogos entre os maiorais do eixo, o que na prática para nós plebeus é o que sempre acontece, pois sempre prioriza a transmissão dos jogos do eixo; já para Record seria um grande salto na audiência já que os plebeus não são tão poucos assim, talvez mais fiéis e apaixonados ainda, pelo menos são os que mais vão aos estádios. Por outro lado, para nós, os plebeus, os renegados da Rede Globo, seria uma maravilha, pois teríamos, finalmente, a oportunidade de vermos com mais regularidade nossos times na TV aberta. A coisa ficaria assim: a poderosa Rede Globo transmitindo com exclusividade os jogos entre os poderosos do eixo e a Record os jogos entre os plebeus e os jogos entre os poderosos e os plebeus teriam transmissão simultânea da Globo e da Record, seria o melhor dos mundos para nós apaixonados torcedores fora do eixo. Imaginem só uma coisa tão democrática no futebol! Será que a Globo iria permitir essa liberdade de escolha, deixaria de contratar com todos pra só transmitir o que eles cariocas e paulistas quisessem e deixar a plebe de molho? Só em sonho mesmo. Pensando bem, esse meu sonho é tão impossível quanto o do Juca. Um abraço.
    em 24/02/2011, às 21:07h

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