Blog do Serginho
Diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier não poupa palavras para discutir os principais assuntos do mundo futebolÃstico
A calma do Barcelona
O Barcelona perdeu para o Chelsea em Londres na semifinal da Liga dos Campeões e a impressão é que o mundo ficou perplexo. Como é possÃvel o grande Barcelona perder um jogo, e ainda um jogo importante?
Do ponto de vista prático, não é uma derrota irreversÃvel. O Barcelona joga na semana que vem em Barcelona e com dois gols de diferença vai à final da Liga dos Campeões. Se vencer por 1 x 0 também, leva o confronto para os pênaltis.
É estranho mesmo vermos o Barcelona sair derrotado de campo. Não combina, é verdade. Mas acontece, o futebol é um esporte que, ao contrário do basquete e do vôlei, permite que alguém muito mais forte perca. O que não é muito normal é a maneira como o Barcelona perdeu. O time espanhol acabou a partida com mais de 70% de posse de bola. Teve inúmeras chances, bolas que bateram na trave e não quiseram entrar. De vez em quando, isso acontece. Surpreendente é a calma do Barcelona. O tempo passava, a bola não entrava e o Barcelona não se desesperava. Nada de bolas altas, chutões. Como se Messi e companhia soubessem que se a bola não quisesse entrar do jeito de sempre, no toque-toque, não seria na força que daria certo. Isso não é normal.
Quando nos deparamos com uma porta emperrada, primeiro tentamos abri-la com jeitinho. Se a fechadura não colabora, botamos força, damos pancada, nos irritamos. Isso é humano. Aos 46 do segundo tempo, o Barcelona fez uma jogada que teve até toque de calcanhar dentro da área. A bola bateu na trave, mas não por preciosismo. Faltou sorte, é verdade. Mas não faltou calma. Semana que vem tem mais, o Barcelona parece saber que afobação não traz sorte.
É simples vencer o Santos
Os principais Campeonatos Estaduais do paÃs estão abertos, por assim dizer. Sem favoritos, uma espécie de cinza coloriu o quadro geral. Está tudo muito parecido.
No Rio, embolou tudo. O Fluminense, campeão da Taça Guanabara, foi o único dos quatro grandes a espirrar na Taça Rio. O clube perdeu a chance de liquidar o campeonato antes vencendo dois turnos e agora espera o campeão do segundo turno para fazer a final. A história do Carioca mostra que quem vence a Taça Rio chega mais embalado para levar o Campeonato todo. O Flamengo tem no papel o time mais completo. Só no papel. Na prática, é essa a equipe que saiu vergonhosamente na primeira fase da Libertadores. O Vasco carrega um leve favoritismo, ainda que venha se descontrolando nas partidas maiores. E o Botafogo corre quietinho por fora. Pode dar qualquer coisa no Rio.
Em São Paulo, está tudo mais claro. O Palmeiras vem de crise e conta com a melhor bola parada do mundo. Marcos Assunção é capaz de vencer um jogo e até um campeonato sozinho com uma cobrança de falta ou escanteio. O São Paulo tem o melhor elenco, fartura de bons jogadores em todas as posições. O que não significa um conjunto confiável, como se viu nesse domingo em Lins.
O Corinthians, com jogadores de nÃvel mediano para bom, formou o melhor time do estado e do Brasil. Deveria ser apontado como grande favorito ao tÃtulo não fosse um detalhe: Neymar. O garoto é de outro planeta, tão extraterrestre que é capaz de transformar o apenas bom time do Santos em invencÃvel. Neymar em um dia inspirado faz o Santos virar Barcelona. Quem descobrir como anular Neymar tira o tÃtulo paulista do Santos.
Lusinha
Fim de semana cheio no futebol brasileiro, não faltam assuntos. Mas o jornalismo prefere sempre os fatos mais surpreendentes, as histórias mais dramáticas. PoderÃamos falar do Bangu, um clube que já teve uma certa importância no passado e ficou pequeno. Pois o Bangu, por essas maluquices do futebol brasileiro, podia cair para a segunda divisão nesse domingo ou se candidatar ao tÃtulo. Porque foi malÃssimo em um turno e bem no outro. Pois o Bangu venceu, se livrou da segundona carioca e se classificou para as semifinais da Copa Rio. Se vencer o Botafogo no sábado que vem, pode ir até a final. Vai entender.
Mas nada supera o drama da Portuguesa. Campeã da Série B nacional, jogando bonito e até encantando, a Lusa entrou forte no Paulistão. Em um amistoso em janeiro, chegou a vencer o Corinthians, uma das duas únicas derrotas do campeão brasileiro no ano. Pois a Lusa murchou e foi empilhando maus resultados. A confiança do ano passado se inverteu. A cada derrota, os jogadores ficavam mais inseguros e erráticos. Há umas cinco rodadas, ficou claro que não daria para se classificar entre os oito. Na rodada passada, se cogitou a hipótese absurda de ser rebaixada. Que ficou menos absurda nesse domingo. Seria preciso uma improvável combinação de resultados. Que aconteceu. A Lusinha é o segundo time de muita gente. Agora jogará também na segunda divisão estadual. Ora, pois.
O Emelec e os Aflitos
Foi a noite do ano no futebol, de longe. O Flamengo precisava vencer em casa o Lanus e torcer para um único resultado na partida entre OlÃmpia x Emelec. As chances do Flamengo eram pequenas, os matemáticos calculavam em 6%. Para seguir adiante na Libertadores, só um empate no jogo do OlÃmpia salvaria o Flamengo. E o futebol quase desmoralizou os estatÃsticos. Quase deu Flamengo. O rubro-negro ganhou por 3 x 0 no Engenhão e até os 48 do segundo tempo estava se classificando com o empate no Paraguai. O gol no apagar das luzes do Emelec tirou o Flamengo da competição. O drama foi impressionante. Em quatro minutos, tivemos três gols que iam mudando a sorte dos classificados.
 O interessante dessa história é que só vimos o sofrimento do Flamengo. Claro, somos brasileiros, os clubes daqui nos chamam mais a atenção. Só que a história do Emelec é do ponto de vista dramático infinitamente mais interessante. Os equatorianos foram o que o Grêmio foi na Batalha dos Aflitos. Cuspiram na lógica, desafiaram as leis da probabilidade. O Emelec, há duas rodadas, estava virtualmente eliminado. Perdia do Flamengo e conseguiu uma vitória dramática nos últimos segundos. Depois, venceu o OlÃmpia no Paraguai em uma virada no finalzinho. Inacreditável, essa é a palavra correta para definir o que aconteceu.
E o mais louco de tudo isso, é que o Emelec é um time pra lá de fraquinho. Desmoralizou a lógica com o coração. Os jogadores do Flamengo fizeram o contrário. Com um time bem melhor que os adversários, conseguiu ser eliminado na primeira fase. Podemos discutir esquema tático, falar de detalhes técnicos. Mas no Flamengo faltou vontade. Sem querer muito um resultado não se vai longe no futebol.
Ufa!
Demorou, demorou, mas os estaduais finalmente estão chegando a fase que mais interessa, a do “vamos verâ€. Muito jogo para pouca decisão até agora. O Paulistão até terá bons jogos no fim de semana, o Ponte Preta x Corinthians em Campinas é o melhor deles. Todos os jogos acontecem ao mesmo tempo, à s quatro da tarde do domingo, as partidas pouco decidem. Os oito classificados para as oitavas estão já definidos, o domingo dirá apenas a ordem dos classificados. É um alÃvio irmos logo para os jogos eliminatórios na outra semana.
No carioca, última rodada para confirmar o que já sabÃamos desde o inÃcio. Flamengo, Vasco e Botafogo estão indo para as semifinais da Taça Rio. O Bangu pode ser o quarto semifinalista, mas isso só acontece porque o Fluminense tirou o pé por já ter vencido a Taça Guanabara e estar garantido na final do campeonato.
No Gauchão, as quartas já começam nesse fim de semana. Mas só no próximo teremos a final do turno, provavelmente um Grenal. Mas nada mais inacreditável que o Campeonato Baiano que tem um turno único de 21 rodadas para apontar os semifinalistas. O Bahia já tem incrÃveis 49 pontos e joga por jogar essa primeira fase que acaba nesse domingo. Precisava demorar tanto?



