Blog do Serginho

Diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier não poupa palavras para discutir os principais assuntos do mundo futebolístico

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E o Gaúcho seguirá enganando…

Foi ruim, de novo. Mesmo quando vence, a Seleção Brasileira expõe suas fragilidades e sua inoperância. Os 2 x 1 contra o México não deveriam tapear a torcida. Com mais de um ano de trabalho, Mano evoluiu muito pouco. Na verdade, até teve involução. A defesa não é tão segura quanto nos primeiros jogos. O pior de tudo é a sensação de perda de tempo. Os meses se passaram, mais de 70 jogadores foram convocados e as dúvidas ganham de goleadas das certezas. Vamos conferir?

Mano ainda não formou uma defesa titular. O lateral direito Daniel Alves talvez seja a maior decepção desse ano de trabalho. Sempre que pôde, Daniel deixou Mano na mão com presepadas ou uma expulsão como a de terça-feira. Na zaga, o técnico não sabe se fica com o ímpeto juvenil de David Luis ou com a segurança do veterano Lúcio. Marcelo chegou a ser cortado definitivamente do caderno de Mano, e só agora voltou. O meio-campo tem apenas Lucas Leiva como uma certeza. Quem são os outros? Ramires, Sandro, Hernanes, Fernandinho, Jadson, Ganso, Elano, muitos foram os testados.

Após o gol salvador de falta contra o México, Ronaldinho ganhou o direito de enganar por mais alguns meses. Ele ficará por ali, carimbando a bola para cá, para lá. O treinador deveria saber que Ronaldinho funciona como aqueles meninos que botam terra nos buracos das estradas Brasil afora e depois ganham uma moeda. O problema não é resolvido, o buraco logo reaparece. Mano precisava reasfaltar seu meio campo. E não sabe como.

Mais para frente, há Neymar e Leandro Damião, que foi até bem substituído pelo incrível Hulk. Uma boa dupla, que ainda não sabe como jogar. Aliás, a seleção toda não sabe como jogar. Mano já testou vários esquemas, nenhum serve para o Brasil atuar de maneira convincente. E o tempo passa. Os 15 minutos finais contra o México ao menos mostraram um poder de indignação do time que reagiu fora de casa e com um homem a menos. Pode ser o início de uma nova era? Pode. O futebol tem dessas coisas. É o que Mano espera. Nós também, chega de se aborrecer vendo essa Seleção Brasileira.

O zumbi verde

O Campeonato Brasileiro de 2011 está pra lá de interessante. Os sete primeiros colocados estão separados por sete pontos e ainda faltam 10 rodadas. Corinthians e Vasco estão um passo a frente, mas São Paulo, Flamengo, Botafogo, Fluminense e até o Internacional ainda podem chegar.

No andar de baixo, apenas o América-MG foi tatuado com no braço com o carimbo da Segunda Divisão. Atléticos Mineiro e Paranaense, Avaí, Cruzeiro, Ceará e até o Bahia ainda se preocupam com o assunto. Na parte intermediária da tabela, Coritiba e Grêmio sonham com Libertadores, o Santos está ocupado em treinar para o Mundial em dezembro, enquanto Atlético-GO e Figueirense querem se garantir na Copa Sul-Americana. De alguma forma, todo mundo tem o que fazer no Brasileiro faltando 10 rodadas para o final.  

Menos um.

O Palmeiras.

O Palmeiras está numa espécie de purgatório esportivo. Já se livrou do rebaixamento, teria até pontos suficientes para brigar por Libertadores. Mas não tem energia. Ela foi toda consumida em brigas internas e externas. Na tarde dessa terça-feira, chegamos ao cúmulo quando o volante João Vítor foi selvagemente agredido pelos torcedores.

O Palmeiras parece um zumbi esperando o fim do ano. Ninguém empatou tantas vezes na competição, foram 13 igualdades até agora. O resultado, de certa forma, resume o ano palmeirense. Nem pra lá nem pra cá. O fato é que diretoria, jogadores e torcida torcem para que chegue logo dezembro e o zumbi possa descansar em paz.

Flamengo ou Corinthians?

Para quem gosta de números, o Flamengo é “o time do momento”. Foram três vitórias consecutivas, duas delas pra lá de complicadas. Ganhar do São Paulo com um Morumbi lotado é feito de campeão. Vencer o Fluminense nos últimos minutos com um Botinelli recebendo a alma de Petkovic é outra façanha.

 O Flamengo sobe feito foguete ao mesmo tempo em que Vasco e Botafogo dão uma rateada nas duas últimas rodadas. Tendência ou acidente? Cristóvão e Caio Júnior devem estar atrás das respostas.

 Para quem analisa números e também o que acontece no gramado, o Corinthians surpreende mais. Não empilhou, como os rubro-negros, três vitórias em carreirinha, é verdade, o Corinthians empatou no domingo retrasado com o Vasco. Só que vem jogando bem. Em São Januário, voltou a jogar como gente grande. No Pacaembu, contra o Atlético-GO, se comportou como no início do Brasileiro, marcando forte com seus atacantes.

O Corinthians, no momento, parece o time com mais apetite em uma competição que ninguém parece querer de verdade a taça.

Jogos do terror

Rodadinha danada do Campeonato Brasileiro. Os principais clubes entram desfalcados em função dos relevantes amistosos da Seleção Brasileira. No andar de baixo, dois jogos de arrepiar. Avaí contra Atlético-PR e América-MG contra o Atlético-MG. Vejam que coincidência, os quatro da zona de rebaixamento se enfrentando. Imaginem que tragédia se as partidas empatarem, todos indo abraçadinhos para o abismo?

A partida da rodada é o Fla-Flu do domingo no Engenhão. O quinto colocado contra o sexto, quem vencer segue vivo na briga pelo título. O Flamengo sem Ronaldinho Gaúcho, o Fluminense, sem Fred. Duro dizer quem perde mais. Inter x Vasco no Beira-Rio é outro jogo divisor de águas. O Inter sem Oscar está na beiradinha das vagas para a Libertadores. Precisa vencer para não sair do pelotão. O Vasco, que não terá o zagueiro Dedé Eterno, é o líder. Jogão.

Se o Vasco bobear, o Corinthians pode reassumir a liderança. No papel, um compromisso fácil. O Atlético-GO não era um dos favoritos ao rebaixamento antes de o Campeonato começar? Na vida real, pedreira. Os goianos só perderam um dos últimos 12 jogos.  É verdade que o técnico do Atlético Hélio dos Anjos aparenta estar com o ego inflado, anda falando demais. Isso costuma dar zica. E deve ter estreia corintiana de Adriano Imperador. É jogo para encher o Pacaembu. E jogo para escutar aqui na Bandnews. Até domingo e um abraço a todos.

Programa de índio

O programa é quase aborígine. Noite de sexta-feira, 11 da noite, casais apaixonados e… você liga a televisão. E nem é o especial de Eric Clapton. É Brasil x Costa Rica, amistoso que não vale nada além de alguns trocados. Sem dúvida, o povo brasileiro já teve melhores opções de programa na sexta à noite.

Mas vamos lá: Brasil x Costa Rica, jogo que parece até uma provocação quando lembramos que a rodada do Brasileirão foi destroçada pela convocação. Neymar, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Jefferson, Oscar, o estrago nos clubes não foi pequeno. Nesse caso, os clubes têm sua parcela de culpa. É data Fifa, todo mundo sabia que haveria do jogo do Brasileirão nesse período. E todos assinaram o regulamento do Brasileiro.

Mas será que há algo a observar num Brasil x Costa Rica numa noite vadia de sexta-feira? O pior é que tem. Mano Menezes deve usar David Luiz e Thiago Silva na zaga, talvez experimente os laterais Fábio, do Manchester, e Adriano, do Barcelona. O volante canhoto Luiz Gustavo, que joga na Alemanha, deve ter sua chance. E será mais uma oportunidade para Ronaldinho Gaúcho mostrar que não é apenas um carimbador de bola no meio-campo. É programa de índio, mas, se a gente estiver de bobeira, quem sabe não vale dar uma olhadinha no jogo…

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