Blog do Serginho
Diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier não poupa palavras para discutir os principais assuntos do mundo futebolístico
Enciclopédia Barça
Justiça seja feita. Dissemos que o Santos demonstrou fragilidades na semifinal contra o Kashiwa do Japão. É verdade. A defesa vazou, o meio campo marcou pouco e o time passou até um sufoquinho. Os lampejos de Neymar, Borges e Danilo garantiram a final do domingo.
Tudo correto. Se o Barça é uma enciclopédia de futebol, nessa quinta-feira mostrou apenas algumas páginas. Mas é preciso contar também que o Barcelona fez pouquinho também em sua semifinal. Ah, mas venceu por 4 x 0 o Al Sadd, imagina se tivesse enfrentado dificuldades? Quem assistiu o jogo sabe que o Barcelona não brilhou. Ganhou nas trapalhadas do goleiro do time do Catar. Ganhou porque é infinitamente melhor, toca mais a bola, não porque tenha criado muitas chances. O Barça jogou para o gasto. Tocou para lá, para cá, a bola andou demais. Faltou apetite para atacar e fazer gols. Se jogar do mesmo jeito no domingo, o Barcelona se arrisca a um empate chatíssimo sem gols contra o Santos.
Só que domingo, em Yokohama, o jogo é outro. O Santos deve estar mais esperto do que na partida contra o Kashiwa. O Barça precisará acordar mais ligado contra o Santos. O Barcelona respeitará Neymar, o Santos correrá mais do que correu na quarta-feira. No futebol, joga-se conforme o adversário, Santos e Barcelona passaram as semifinais dando aquela sensação que entregaram menos do que o esperado. Não tem problema. Domingo, 8h30, os dois melhores times de América do Sul e Europa terão a chance de se redimir e mostrar a que vieram no Japão.
O fator Ganso
Foi bom, claro. O Santos venceu bem o Kashiwa e está na final do Mundial de Clubes para enfrentar provavelmente o Barcelona que joga às 8h30 dessa quinta-feira. Tudo mudou a partir de agora. O Santos tirou um caminhão das costas, a pressão foi toda transferida para o adversário. Contra os japoneses, a obrigação era toda de uma vitória santista. Agora não, o Peixe virou franco-atirador. O planeta todo espera uma vitória espanhola. É muito melhor jogar sem peso, isso é ótimo para Muricy Ramalho trabalhar o grupo.
A dificuldade maior será outra. E tem a ver com uma das armas santistas. É evidente que contar com o talento de Paulo Henrique Ganso é uma benção. Com um passe ele pode decidir a partida. Só que o craque santista joga em uma outra velocidade, parece que está em câmera lenta. Quando o Santos está atacando, sem grandes problemas, já que Paulo Henrique faz a bola correr. A questão é quando o Barcelona estiver com a bola. Ganso mostrou na semifinal contra o Kashiwa que está correndo pouco, ele ajuda muito pouco ou nada na marcação. Nesse aspecto, Borges e Neymar se mostraram mais úteis. E jogar sem “morder” contra o Barcelona é um suicídio.
Muricy deve estar quebrando a cabeça para o jogo de domingo. Tomar um olé de Iniesta, Xavi e Fábregas certamente não está nos seus planos. E colocar Ganso no banco de reservas também não parece ser a melhor solução. Por mais que converse com o jogador, Ganso não se tornará um melhor marcador porque o professor pediu. Que situação…
O jogo do ano é contra o Kashiwa
Barcelona, Neymar versus Messi, só se fala nisso. E faz sentido, claro. O Mundial de Clubes envolve América do Norte, Ásia, África, Oceania, mas no fundo estamos falando de outra coisa. É América do Sul contra Europa, sempre foi assim desde os tempos dos Santos x Benfica na época de Pelé.
Mas nesta quarta-feira, 8h30, teremos o jogo do ano para o Santos. Santos x Kashiwa Reysol é muito mais importante do ponto de vista de futuro do que o provável Santos x Barcelona do domingo. A explicação é simples. O clube brasileiro está crescendo a passos galopantes nos últimos anos, revelou jogadores do naipe de um Robinho e de um Neymar, venceu campeonatos brasileiros, Copa do Brasil e uma Libertadores. Mostrou-se grande, até gigante ao segurar um talento como Neymar. Por tudo isso, passar pelo Kashiwa para enfrentar o Barcelona é uma espécie de selo de qualidade. É como se fosse um carimbo estampando que o Santos é um clube enorme, internacional. Nem é necessário vencer o Barcelona, afinal o clube espanhol é disparado o melhor conjunto do planeta. Fazer um confronto contra os espanhóis, colocar Neymar frente a frente com Messi já é o prêmio em si.
Por isso é tão importante passar pelo Kashiwa. Um eventual tropeço seria trágico para um Santos que só cresceu nos últimos anos. Seria péssimo para a diretoria que tenta convencer patrocinadores e o mercado em geral que um dia o Santos terá tanta torcida quanto Flamengo e Corinthians. O marketing santista aposta em glórias e em craques para fazer sua torcida crescer. O jogo dessa quarta é um divisor de águas. Se passar pelo Kashiwa, o Santos ficará um pouquinho maior.
Nadal e o Santos
O tenista espanhol Rafael Nadal, acreditem, já tem uma biografia. O moleque mal saiu das fraldas e já possui uma biografia com apenas 25 anos. O pior é que até faz sentido alguém tão jovem já ter sua história escrita. Nadal já venceu 10 Grands Slams, os torneios mais importantes do tênis mundial, já conseguiu uma medalha de ouro olímpica, já fez um bocado de coisas na vida.
No livro, escrito pelo ótimo John Carlin, Nadal mostra como consegue vencer tanto em um circuito que tem jogadores mais talentosos como Federer e Djokovic. Nadal tem cabeça de vencedor. Joga cada partida como se fosse a última. Encara adversários mais fracos como se fossem fortíssimos, por isso raramente se atrapalha nos torneios. Mesmo estando sets a frente, age como se estivesse atrás no marcador. Só pensa no ponto que está jogando, não antecipa as vitórias. E assim vence quase sempre.
O Santos deveria encarar o Kashiwa Reyson dessa forma nessa quarta-feira no Mundial de Clubes. Como se fosse a partida da vida de Neymar, Elano, Dracena, Borges. É muito difícil, mas agora é a hora de se esquecer do Barcelona e de Messi. Não tem Barcelona se o Peixe não passar pelo mediano time japonês. Muricy Ramalho poderia usar as lições do jovem Rafael Nadal para se concentrar apenas no jogo de quarta. A propósito, Nadal é Santos desde criancinha. Torcedor fanático do Real Madrid ele quer mais ver a caveira do Barcelona.
O Barça e os jogos grandes
O placar impressiona, Barcelona 3 x 1 Real Madrid, e o jogo foi no Santiago Bernabeu, casa dos madrilenhos. O placar também assusta a torcida santista, já que o Barcelona deve enfrentar o Santos no domingo que vem no Mundial de Clubes.
O clássico espanhol aconteceu na noite do sábado, pelo Campeonato Espanhol e logo depois o time do Barcelona zarpou até o Japão para o Mundial. Para quem não viu a partida contra o Real Madrid, algumas informações. A primeira é que o Barcelona fez um bom jogo, não uma atuação espetacular. Isso preocupa, claro. Se jogando para o gasto o Barcelona já humilha o rival local, imaginem então quando jogar muito?
Mas há o outro lado. A versão 2011-2012 do Barcelona ainda está sendo burilada. Há jogadores novos no elenco como o chileno Alexis Sanches e o espanhol Fábregas, por coincidência os dois marcaram gols contra o Real. Mas ambos ainda se adaptam ao estilo de jogo de Xavi, Messi e companhia.
O outro ponto importante é como o Barcelona encara cada partida. Este ano, está entrando com mais concentração nos chamados “jogos grandes”. O Barça foi bem contra o Milan e contra o Real. Em compromissos menos glamorosos, mostrou menos. Eis a questão. Para os jogadores do Barcelona, uma eventual decisão do Mundial contra o Santos será considerado “jogo grande”? É evidente que eles querem vencer o Mundial, que a competição é importante. Só que a prioridade das últimas semanas era derrotar o Real de mourinho, muita energia foi gasta aí. Bom para o Santos. Vale lembrar que o Barça perdeu para o Getafe logo após um jogo desgastante contra o Milan. As chances santistas aumentam se o Barcelona der uma leve relaxadinha.



