Blog do Serginho

Diretor de redação da revista Placar, Sérgio Xavier não poupa palavras para discutir os principais assuntos do mundo futebolístico

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Três nas quartas

A perspectiva é boa, as chances de tudo dar certo são razoáveis. O Brasil pode chegar às quartas-de-final da Libertadores com quatro representantes. A lógica sugere isso.

Nesta quarta-feira o Vasco vai a Argentina defender a classificação com um empate debaixo do braço. Os brasileiros venceram o Lanus na primeira partida, ganharam o direito de um empate. O problema foi o resultado do jogo em São Januário. 2 x 1 em casa oferece ao Lanus a possibilidade de classificação com um  1 x 0 merreca.

O Corinthians é outro que não deveria sofrer demais no Pacaembu. Empatou em 0 x 0  no Equador na semana passada e agora só precisa vencer o fraco Emelec por qualquer Placar para seguir adiante. O Santos vive situação semelhante. Perdeu para o Bolívar por 2 x 1 e depende de uma vitória simples por 1 x 0 na quinta-feira para ir para sobreviver na Libertadores. Do jeito que Neymar anda jogando, não é difícil que isso aconteça.

E o quarto brasileiro classificado está garantido. Fluminense ou Inter? De qualquer jeito, um deles já está nas quartas. O 0 x 0 na primeira partida embaralhou as cartas. O Inter vai ao Engenhão sabendo que não será eliminado automaticamente com empates. Um 0 x 0 e iremos para os pênaltis. Qualquer outro empate é do Inter. Isso equilibra um pouco as coisas, já que o Fluminense está com uma equipe mais vistosa e mais confiável.

A lógica indica que terminaremos a semana com quatro brasileiros classificados. Mas quem diz que o futebol respeita a lógica?

Meu palpite é que teremos três brasileiros nas quartas-de-final. A primeira vaga iria para Fluminense ou Internacional, grande dedução, aliás.  E um dos outros três vai se atrapalhar. Quem? Santos, Corinthians ou Vasco? Alguém arrisca um chute?

Fred, Oscar, Ramires e Neymar

Adoramos nossos clubes, desconfiamos quase sempre de nossa Seleção. Costuma ser assim, não importa a fase, sempre o técnico é burro e nossos jogadores são uns perebas. Essa nossa desconfiança impede que percebamos as boas notícias que aparecem aqui e acolá.

Mano Menezes não deve andar triste por esses dias. Está vendo toda a semana pela TV um Neymar mais maduro,  já virou um craque adulto. Não seria um exagero dizer que Neymar ganhou sozinho o Campeonato Paulista. Falta um jogo contra o Guarani, será que falta mesmo?

Outra boa notícia vem da Europa. Ramires, com aquele jeitão de maratonista etíope, é outro que resolveu ser protagonista. O Chelsea, que foi para a final da Champions League e venceu no domingo a Copa da Inglaterra, deve muito ao volante. Ramires é nome certo das próximas listas de convocados.

Mais uma boa nova? Oscar, o ótimo meia do Internacional. Ou seria do São Paulo? Pois Oscar voltou a jogar e já marcou o que talvez tenha sido o gol do título gaúcho. Garoto bom de bola, melhor ainda de cabeça. Do Rio, Mano pode tirar outra solução para os seus problemas. Fred, com assistências e até um gol de bicicleta, mostrou que quando está em forma é candidato a titular da Seleção. É verdade que foi bem ajudado no domingo por Deco, Thiago Neves e Rafael Sóbis. Só que Fred é o cara, o jogador dos jogos grandes. Nem tudo está perdido.

David x Golias

Temos clássicos de norte a sul nesse fim de semana. E, o melhor de tudo, clássicos que valem alguma coisa. Os estaduais finalmente chegaram ao fim após arrastados  meses de jogos que pouco ou nada valiam. Tem Atletiba no Paraná. Tem Bahia e Vitória em Salvador, Avaí e Figueirense em Santa Catarina, teremos um Fluminense x Botafogo no Carioca.

Até aí tudo bem, é o de sempre, estaduais terminando com os clássicos que todos esperavam. Só que as zebrinhas também deram o ar da graça em 2012. Internacional e Grêmio dormiram no ponto no primeiro turno e deixaram o Caxias garantir a primeira vaga na final. Depois, o Inter superou o rival no segundo turno e ficou com a outra vaga. Inter e Caxias virou um David contra Golias, não o Ronald, naturalmente.
O mesmo aconteceu em Minas. Cadê o Cruzeiro? Verá da Toca do Raposa o América decidir o título contra o Atlético. Em São Paulo, as torcidas dos três grandes da capital ficarão desocupadas no domingo. Guarani e Santos parecem até tirar uma onda do sempre favorito trio de ferro. Vão decidir o Paulista em dois jogos no Morumbi, na fuça dos grandes da capital.
Apesar do favoritismo no papel, surpresas são permitidas. Caxias e América jogarão contra dois clubes que não estão firmes, nem Inter nem Galo cantam com força. O Santos vai bem, sobretudo pela fase de Neymar. Só que aí é o Guarani do ótimo Vadão que merece todo o respeito.

Trairagem corporativa

O Corinthians foi eliminado no Campeonato Paulista em uma tarde infeliz do goleiro Júlio César que falhou em dois gols da Ponte Preta. O São Paulo deu adeus ao Paulistão em um dia que as coisas não deram muito certo para o zagueiro Paulo Miranda. Júlio César foi sacado do time corintiano que empatou no Equador contra o Emelec. Paulo Miranda foi afastado do elenco são-paulino que perdeu em Campinas para a mesma Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Achar o culpado e extirpar o tumor esportivo do grupo saudável. Nada mal. A impressão é que Corinthians e São Paulo agiram da mesma forma, mas não foi bem assim. Os casos são substancialmente diferentes. O goleiro corintiano Júlio César errou e acusou o golpe ainda quando estava em campo. Ao entrar no vestiário, desmoronou. Nos dias seguintes, mostrou internamente que estava arrasado com a falha. O treinador Tite confessou a amigos que queria mantê-lo no time, mas foi o próprio goleiro quem se mostrou abalado. Júlio César perdeu o lugar e o grupo de jogadores entendeu o que foi feito.

No São Paulo a história foi diferente. Paulo Miranda cometeu um pênalti duvidoso e perdeu na corrida para Neymar em uma jogada que mais gente falhou. A diretoria são-paulina queria encontrar um culpado. É mais fácil também para explicar ao torcedor o enésimo fracasso de um clube acostumado a levantar taças. Leão resolveu seguir apostando em Paulo Miranda, a diretoria arrancou o jogador da concentração no dia do jogo contra a Ponte. Leão dessa vez esperneou e defendeu o jogador que estava sendo incinerado. Nada mais triste do que a covardia de escolher um cristo para pregar na cruz. A diretoria do São Paulo tem se superado nesse quesito.

O dilema bugrino

E ficou decidido. As finais do Campeonato Paulista entre Santos e Guarani acontecerão no Morumbi, um estádio teoricamente neutro. Do ponto de vista econômico, não há dúvida sobre o acerto da decisão. O Morumbi, com 72 mil lugares, poderia abrigar nos dois jogos 144 mil torcedores. Como cabem 16 mil na Vila Belmiro e 29 mil no Brinco de Ouro, no máximo 45 mil pessoas poderiam ver as finais se os jogos fossem em Campinas e Santos. É até covardia comparar os números. 144 mil pessoas no Morumbi contra 45 mil na Vila Belmiro e Brinco de Ouro.

Só que é preciso ver o que isso representa do ponto de vista esportivo. Para o Santos, excelente. Muricy Ramalho adora jogar no Morumbi, sabe que a drenagem é ótima para caso de domingos chuvosos. O campo é largo, favorece a movimentação de um jogador como Neymar, que combina sua habilidade com alta velocidade. Evitar um jogo em Campinas é excelente para o Santos. Sem contar que haverá mais santistas do que bugrinos nas duas partidas.

Para o Guarani, a mudança não parece ser tão boa. Os comandados de Vadão perderão uma grande possibilidade de se impor no primeiro jogo. O Santos ficou mais favorito após a definição do local da final. Isso esportivamente, porque  economicamente o Guarani tira a barriga da miséria ao jogar duas vezes no Morumbi. Dinheiro ajuda a pagar dívidas, regularizar folha de pagamento, viabilizar novas contratações. Dinheiro compra muita coisa, só não compra a felicidade. Torcedor gosta é de taça no armário, e a chance do torcedor bugrino comemorar um título ficou um pouco menor com os dois jogos no Morumbi.

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