Paulo Henrique Ganso é uma espécie de craque-enxaqueca. Ele não apronta, não faz baderna, mas provoca uma dor de cabeça danada nos seus empregadores. Ganso, pra resumir, é menos do que deveria ser.
Pintou como o craque definitivo, o jogador que a Seleção Brasileira precisava para organizar o meio campo. Assim como Diego e Robinho surgiram no início do milênio, Ganso nasceu como se estivesse colado ao craque siamês Neymar. Neymar e Ganso, os dois eram recitados como se fossem nome e sobrenome.
E, aos poucos, foram se descolando. Neymar cresceu, ficou decisivo, foi personagem principal dos títulos do Santos no Paulistão, Copa do Brasil e Libertadores. Ganso se machucou uma, duas, três vezes. Nunca foi rápido, mas com as lesões e com a pressa de voltar aos gramados foi ficando ainda mais lento. Ganso não perdeu apenas velocidade, perdeu brilho. Mesmo assim, seu valor de mercado seguiu o mesmo. A multa recisória está avaliada em 53 milhões de reais, um valor estratosférico levando em conta o que ele produziu nos últimos dois anos.
O Santos diz oficialmente que só o libera pela multa. Nos bastidores, os dirigentes contam que adorariam vender o jogador e estão esperando apenas a oferta máxima do mercado. São Paulo, Corinthians e Internacional já tentaram contratá-lo. Hoje é o São Paulo que estaria mais perto de viabilizar o negócio. Os 53 milhões não fazem o menor sentido, mas qual é o valor correto para bancar a aposta? Sim, aposta. Fosse o mercado de capitais, Ganso seria a ação de uma boa empresa que enfrenta dificuldades. A questão é ter coragem para bancar um risco que não é pequeno. Paulo Henrique Ganso virou isso: não é presente, é apenas futuro. E também não há garantias de que no futuro seja tudo aquilo que imaginávamos.

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