O Brasil não é e nunca foi uma potência esportiva. Não trabalhamos para isso, não investimos para isso. Nosso negócio é o futebol, somos uma monocultura futebolística e ponto. Mesmo assim, a cada quatro anos, fazemos projeções otimistas e caímos em depressão quando as medalhas não brotam. Tendemos a nos esquecer das boas surpresas, das vitórias que costumam ser muito mais dos indivíduos do que das estruturas. Se perguntarmos ao popular que passa na rua qual momento olímpico mais o marcou, ele provavelmente não citará a incrível arrancada para o ouro de Joaquim Cruz nos 800 metros de Los Angeles. Fatos como a refugada de Baloubet de Rouet em Atenas marcam mais o nosso imaginário olímpico.
Nesse sentido, os Jogos de Londres estão especialmente cruéis. Tivemos o naufrágio de César Cielo, os tombos de toda a família Hypolito, a refugada de Fabiana Murer. Os fracassos olímpicos grudam mais do que os sucessos. E, cá pra nós, quando falta tradição e estrutura, é muito mais natural perder do que ganhar. É mais normal o brasileiro fraquejar. Os americanos desde a mais tenra infância têm na escola competições com pódios, rankings, o escambau. A gente mal tem quadra no colégio.
Por isso tudo o futebol não tem o direito de fraquejar. O futebol é diferente dos outros esportes, ali a cultura é vasta, há dinheiro, inclusive. A seleção masculina tem mais time, mais camisa, até mais treino do que a maioria das outras que competem em Londres. Contra Honduras, ameaçou refugar. Contra a Coreia, não pode. Simplesmente não pode.

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