Não é pecado assumir o favoritismo no futebol. Não é soberba reconhecer a qualidade do próprio time. O problema não é de palavras, mas de postura. Favoritismo só é um peso para quem se acomoda nos elogios ou acha que é tão bom que pode deixar simplesmente a natureza agir.
A seleção espanhola adulta é maravilhosa porque combina a qualidade ao trabalho duro. O Barcelona ensinou a fazer dessa forma. Pois a favorita Espanha ao ouro olímpico estreou dando vexame nas Olimpíadas. Perdeu para o Japão, cometeu erros, não soube reagir. A molecada ainda precisa aprender. Favoritismo se conquista com talento e trabalho. Não se herda dos adultos.
O Brasil fez o contrário. Estreou contra o Egito atropelando. Resolveu o assunto já no primeiro tempo. Um 3 x 0 de gente grande. Depois administrou a vantagem, no final um 3 x 2 preguiçoso. Nada que mereça grandes reflexões, estava fácil demais, a acomodação veio. Ruim, mas normal.
O Brasil está longe de ter uma Seleção perfeita, invencível, mas é difícil que perca nas Olimpíadas por excesso de confiança. São tantas as lambadas nas costas que o país não se esquece. Neymar pode não ter visto o “olha o Kanu, ele é perigoso” quando o favorito Brasil foi eliminado pela Nigéria. Oscar pode nem ter visto no Youtube a derrota para Camarões daquela seleção de Luxemburgo. Só que alguém já contou a história. Certa vez o Brasil também perdeu para o Japão em Jogos Olímpicos, são muitos traumas. O Brasil pode até se atrapalhar, mas será na bola, não na soberba.

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