O Corintiano não pode se queixar da vida. Não pode mesmo. Era para dar tudo errado. Após um primeiro tempo equilibrado na Bombonera contra o Boca, o time brasileiro entrou em parafuso. Ficou a beira do abismo. Entrou mole no segundo tempo e tomou uma pressão impressionante dos argentinos. Aos 27 minutos, o Boca fez o seu gol. Foi ruim, mas poderia ter sido pior. Porque no lance Chicão tirou a bola com a mão, ela mansamente bateu na trave até que o lateral Roncaglia fizesse o gol. Se ela não entra, era pênalti e expulsão de Chicão. Aí o caldo poderia entornar mesmo. Já pensou, um gol de pênalti e o Corinthians com um a menos com a Bombonera pegando fogo? Poderia ter pintado até goleada.
Pois é, mas a bola entrou, não foi marcado o pênalti, Chicão não foi expulso e o Corinthians seguiu com 11 jogadores em campo. Assim o técnico teve chance de corrigir a substituição que não fez na primeira etapa quando Jorge Henrique se machucou. Tite poderia ter feito o mais lógico, poderia ter colocado o atacante Romarinho, que carimbou o seu passaporte para as finais quando marcou dois golaços no clássico contra o Palmeiras. Não, fez o convencional, colocou o medalhão do grupo, botou o combalido Liedson.
Nada contra o boa praça Liédson, gente fina. Mas ele não tem condições de jogo, mal consegue correr. Em um lance, recebeu bem a frente e foi facilmente alcançado pelo zagueiro. Não por falta de esforço, mas por impossibilidade física. É bem provável que Liédson vá para o estaleiro logo após o final da Libertadores. É até comovente a sua dedicação, a questão é o que ele consegue fazer nessa fase. Muito pouco, pouquíssimo.
Tite só foi corrigir a substituição lá no final. Romarinho teve apenas uma chance. Não precisou de outra. Marcou o gol de empate na Bombonera em uma jogada parecida com aquela de Liédson.
Não é o gol do título. O Corinthians ainda precisa vencer na quarta que vem no Pacaembu. Agora não tem gol marcado fora de casa, acabou o gol qualificado. Qualquer empate no tempo normal e prorrogação e vai tudo para os pênaltis. O Corinthians precisará vencer. E o Boca sabe se comportar fora de casa. A Libertadores está aberta. O Corinthians não virou favorito, deu apenas um passo importante. E não pode reclamar da sorte, não pode mesmo.

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