O futebol é jogo populoso. 22 jogadores em campo, mais juiz, bandeirinha, a turma do banco de reservas, os técnicos, quanta gente. Ninguém ganha sozinho, o coletivo é mais importante do que o individual nesse esporte.
Só que o futebol fascina e empolga fundamentalmente pelos personagens. Nesta quinta-feira vimos um deles merecer a atenção do planeta inteiro. Mário Balotelli, o seu nome. Ele destroçou a grande Alemanha na semifinal da Eurocopa. Balotelli marcou os dois gols italianos na vitória por 2 x 1. O segundo, uma pintura.
Apesar do italianíssimo nome, ele é um sujeito que não cabe na definição convencional de cidadania. Balotelli não é da Itália, é do mundo. É o segundo negro a vestir a camisa da Azzurra. Nasceu em Palermo e foi abandonado pelos pais biológicos que eram de Gana. Foi adotado por uma família de Brescia e começou a jogar futebol. Balotelli já perdeu a conta das vezes que foi chamado de macaco em partidas pela Europa.
Nos últimos dias, foi vítima de fogo amigo. Um jornal italiano resolveu fazer humor nas quartas-de-final. A Itália havia eliminado a Inglaterra, o jornal publicou uma charge de Balotelli feito um King Kong pendurado no Big Ben. Depois se desculpou pelo racismo. Quando a seleção italiana visitou o campo de concentração de Auschwitz, Balotelli chorou. Lembrou da história da avó adotiva que tinha morrido ali. Sim, além de negro, de alguma forma, ele também é judeu. Os sites nazistas italianos sugeriram então que ele jogasse por Israel.
Quem sabe por tudo isso ele tenha tirado a camisa quando marcou o segundo gol contra a Alemanha, nessa quarta-feira. Recebeu o cartão amarelo, como manda a regra, mas talvez estivesse dizendo que não é da Itália, que não é de Gana. Balotelli, no fundo, não é de ninguém.

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